quinta-feira, agosto 24, 2023

Se Mauro Cid confessar, Bolsonaro fica mais perto de reencontrá-lo no xadrez

Publicado em 24 de agosto de 2023 por Tribuna da Internet

Hacker Walter Delgatti Neto em depoimento na CPMI do 8 de janeiro

Além de hacker, Delgatti funciona como homem-bomba

Bernardo Mello Franco
O Globo

O depoimento de Walter Delgatti Neto mostrou aos bolsonaristas que não foi boa ideia insistir na CPI do Golpe. O hacker acusou o ex-presidente de encarregá-lo de montar uma arapuca contra a Justiça Eleitoral. De quebra, disse que o capitão mandou grampear o telefone do ministro Alexandre de Moraes.

As palavras de Delgatti não podem ser tomadas pelo valor de face. Ele é um criminoso preso, com passagens anteriores por estelionato e falsidade ideológica. Mas já tinha essa folha corrida quando Bolsonaro reservou duas horas para recebê-lo no Palácio da Alvorada.

MELAR A ELEIÇÃO – O capitão não buscava um santo. Procurava gente disposta a ajudá-lo numa tramoia para melar a eleição. O hacker já estava no bolso da deputada extremista Carla Zambelli.

E o ex-presidente, assombrado pela iminência da derrota, fazia ataques diários ao sistema eletrônico de votação.

Delgatti descreveu um plano rocambolesco. Deveria programar uma urna fake para sustentar que era possível fraudar a eleição. A farsa seria encenada no 7 de Setembro, diante de uma massa que urrava por golpe e ditadura. Parece absurdo, mas combina com as trapalhadas de Bolsonaro e seus aloprados.

RECEBERIA INDULTO? – O hacker também disse ter recebido garantias para cometer outro crime. Se ele assumisse a autoria do grampo contra Moraes, seria perdoado com um indulto presidencial. Depois do que o capitão fez por Daniel Silveira, fica difícil duvidar.

O depoimento deixou os bolsonaristas atordoados. Sergio Moro chamou Delgatti de “bandido” e “estelionatário profissional”. Pode ser, mas foi ele quem revelou as trapaças do ex-juiz em Curitiba.

Damares Alves disse que o hacker “não tem credibilidade”. Faltou explicar por que o ex-presidente pediu sua ajuda às vésperas da eleição.

DELAÇÃO EXPLOSIVA – Os bolsonaristas pensavam que a CPI seria um espaço seguro para produzir factoides e cortinas de fumaça. De repente, a comissão virou palco para uma delação explosiva, com transmissão ao vivo na TV.

A semana terminou com uma notícia ainda pior para Bolsonaro. O advogado do ex-ajudante de ordens Mauro Cid diz que seu ameaça dizer à Justiça que agiu a mando de Bolsonaro ao vender um Rolex roubado da Presidência.

Depois, o advogado negou e tudo ficou no ar. Se a confissão se confirmar, o capitão estará mais próximo de fazer companhia ao tenente-coronel no xadrez.

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