terça-feira, junho 09, 2020

Interrogatório de Bolsonaro pela PF será por escrito e as perguntas já estão prontas


A delegada da Polícia Federal Christiane Correa
Delegada Christiane Machado enviará as perguntas para Bolsonaro
Carlos Newton
Está praticamente concluída a investigação sobre a denúncia de insistentes tentativas do presidente Jair Bolsonaro para interferir na Polícia Federal e colher informações sobre inquéritos que envolvem seus filhos e amigos, conforme o próprio chefe do governo admitiu na explosiva reunião ministerial de 22 de abril.
Faltam apenas alguns detalhes, como o depoimento do presidente, que não pode ser incriminado sem exercer direito de defesa; as estatísticas de produtividade da Superintendência da PF no Rio, que Bolsonaro alegou serem muito baixas; e o andamento de inquéritos do interesse dos filhos dele.
DEPOR POR ESCRITO –Nesta segunda-feira, o relator Celso de Mello atendeu a pedido da Polícia Federal e prorrogou as investigações por mais 30 dias, porém falta muito pouco para a conclusão e tudo indica que o inquérito rapidamente será concluído, depois do depoimento do presidente. 
Como aconteceu no governo de Michel Temer, que também respondeu a interrogatório dos federais, Jair Bolsonaro vai exercer o direito de depor por escrito às perguntas que já foram redigidas pela equipe da delegada Christine Correa Machado.
DIVERSAS ACUSAÇÕES –Encerradas as investigações, o ministro Celso de Mello então encaminhará ao procurador-geral Augusto Aras seu relatório sobre as acusações que o ex-ministro Sérgio Moto faz a Bolsonaro:
Prevaricação, com o funcionário público agindo para satisfazer questões pessoais; Advocacia administrativa, pelo patrocínio, direta ou indiretamente, de interesse privado perante a administração pública; Coação no curso de processo, quando há emprego grave ameaça para interferir em processo judicial; Obstrução à investigação, crime de atrapalha uma investigação; e Falsidade ideológica, por inserir assinatura de Moro na portaria de demissão de Maurício Valeixo do cargo na PF.
Cabem também Difamação, porque o presidente afirmou na TV que Moro lhe ofereceu acordo para ser nomeado ao Supremo, e Falsa denunciação caluniosa, por Bolsonaro ter ingressado na Justiça contra Moro sob tal justificativa.
NAS MÃOS DE ARAS – As provas são abundantes, porque o próprio Jair Bolsonaro, com seu espírito autocarburante, assumiu o encargo de produzi-las. Assim, quanto mais fala sobre o inquérito, mais se incrimina, é um verdadeiro festival.
O relator Celso de Mello, na forma da lei, não tem como deixar de pedir ao procurador-geral Augusto Aras a abertura de processo criminal contra o presidente.  
Como chefe do Ministério Público, Aras pode acompanhar o parecer do relator e mandar abrir o processo, mas tem a alternativa de determinar o arquivamento. Mas tal hipótese não pode ser levada a sério. Se arquivar o inquérito, será Aras quem estará prevaricando e vai responder a processo, com toda certeza.
###
P.S. 1
 –Em tradução simultânea, a derrocada de Bolsonaro é só uma questão de tempo, e ele será massacrado diariamente pela mídia.
P.S. 2– Para poupar sofrimento, seria melhor que renunciasse, imitando Jânio Quadros, que disse: “Fi-lo porque qui-lo!”. E realmente fê-lo no Dia do Soldado, 25 de agosto. Aliás, agosto é conhecido na política como mês do cachorro louco. E quando chegarmos lá, o processo criminal contra Bolsonaro já estará na ordem do dia, como dizem os militares, e a renúncia poderá ser uma bela solução. (C.N.)

Em destaque

Arma de Bolsonaro foi inutilizada por causa de remédios psiquiátricos, diz defesa

Publicado em 18 de junho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Medicações afetam ‘cognição do ex-presidente’ Pepit...

Mais visitadas