quinta-feira, julho 21, 2011

Kassab: Perícia confirma fraude para fundar partido

Posted: 21 Jul 2011 12:02 PM PDT

Folha.com, 21/07/2011 - 06h00

Perícia revela fraude para fundar partido de Kassab

DE SÃO PAULO

Listas de apoio em São Paulo e no Rio de Janeiro à criação do PSD, partido do prefeito paulistano Gilberto Kassab, foram preenchidas com assinaturas falsificadas, atesta perícia grafotécnica feita a pedido da Folha.

Reportagem de Daniela Lima e Catia Seabra, publicada na Folha desta quinta-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha), mostra que em uma das fichas, de 10 assinaturas coletadas, 5 foram feitas pela mesma pessoa. No documento do Rio, há assinatura atribuída a um eleitor que morreu.

A coleta de assinaturas é uma exigência da Justiça Eleitoral para a criação de uma nova sigla. Kassab corre contra o tempo para apresentar cerca de 490 mil assinaturas até setembro deste ano, para que o partido tenha condições de participar das eleições municipais de 2012. Procurado pela reportagem, o ex-deputado Indio da Costa, coordenador do PSD no Rio, disse que faz uma "checagem primária" das assinaturas, para evitar erros.

Segundo ele, com esse procedimento, o partido já descartou 36 mil de cerca de 82 mil assinaturas coletadas, por ter identificado falhas.

Editoria de Arte/Folhapress



Kassab é um hipócrita de primeira!
Como já bem documentado, esta desculpa de construir creches é uma mentira.
O Tribunal de Justiça de São Paulo esclareceu que a eventual venda desse e de outros nove terrenos municipais só pode servir ao pagamento de precatórios, conforme mostrado em mensagem mais abaixo.




É "estúpido" Brasil ser 3º maior comprador da dívida dos EUA

Posted: 21 Jul 2011 11:55 AM PDT

Terra Magazine, Quarta, 20 de julho de 2011

Lessa: É "estúpido" Brasil ser 3º maior comprador da dívida dos EUA

Marcela Rocha

Reuters
Mulher protesta em frente ao Capitólio: Nós somos a Grécia? e Acordo é uma coisa boa
Mulher protesta em frente ao Capitólio: "Nós somos a Grécia?" e "Acordo é uma coisa boa

Ex-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Carlos Lessa comenta o delicado momento das economias norte-americana e europeia. Em entrevista a Terra Magazine, ele não poupa o Banco Central (BC) brasileiro e o caracteriza de "estúpido" por ter se tornado o terceiro maior comprador de títulos da dívida dos Estados Unidos, atrás apenas da China (1º) e do Japão (2º).

- Não dá para retroceder, a única coisa que dá para fazer é acender velas para Santo Antônio - diz, pessimista.

O presidente dos EUA, Barack Obama, negocia com o Congresso o aumento do teto da dívida do país para evitar desconfiança dos investidores a respeito de um eventual calote. Não houve acordo com os parlamentares até terça-feira (19), quando um grupo de senadores democratas e republicanos apresentaram ao chefe do Estado projeto que prevê alta de US$ 1 trilhão na arrecadação e corte de US$ 3,7 trilhões nos próximos dez anos.

Carlos Lessa ministra aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro e, em tom professoral, explica porque o Brasil faz "um dos piores negócios do planeta" ao ser o terceiro maior credor dos EUA. "O Brasil contrai essa dívida que só rende 2% e, ao mesmo tempo, paga 12,25%. Estamos fazendo isso em escala colossal e aumentamos a nossa dívida por causa disso. É de uma estupidez monumental".

Nesta quarta-feira (20), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulga a taxa Selic (juro básico da economia brasileira). Cumpridas as expectativas do mercado, o juro deve passar de 12,25% para 12,5%. Até o final do ano, espera-se mais uma alta de 0,25%.

O professor comenta também a política econômica brasileira e critica o sistema de metas de inflação: "Modelo idiota". "Esse conceito é furado, tecnicamente não se sustenta. Eles fixam um teto para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), a partir disso eles sobem juros para evitar que a economia cresça. O BC trabalha para o Brasil ficar estagnado".

Confira a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - Como o senhor vê o fato de os EUA terem que restabelecer o teto da dívida? Por que e como chegaram a esse ponto? Quais as consequências disso e o que é preciso ser repensado pela economia norte-americana?
Carlos Lessa -
Toda e qualquer economia dita capitalista tem um pedaço da receita que não é a base produtiva, mas títulos e relações de débito/crédito entre os parceiros da sociedade. Isso é fundamental para que a economia funcione normalmente. Agora, as razões pelas quais você gera débito e crédito são variadas. Uma delas é o próprio setor público, o Estado. A dívida pública tem diversas origens: quando a dívida é utilizada para melhorar a infraestrutura de um país, ou quando é utilizada para aperfeiçoar um padrão de vida social. Essas são formas virtuosas pelas quais se cria uma dívida. Mas uma dívida também se cria com guerra. O conflito gera despesas absolutamente colossais.

No caso dos Estados Unidos, mais especificamente...
O principal elemento que tem puxado para cima a dívida norte-americana tem sido a geopolítica daquele país. Não apenas há o gasto de ser o xerife do mundo, como, além disso, gastam brutalidades com a guerra do Afeganistão e do Iraque. A dívida de um país acontece porque um país tem gastos produtivos e improdutivos. Um improdutivo por excelência é o juro. O serviço é um gasto que não é produtivo, mas é contratual.

O que precisa ser, então, repensado?
A dívida norte-americana vem crescendo vertiginosamente nos últimos anos por causa das guerras do Iraque, Afeganistão e por causa da luta dita 'antiterrorista'. A dívida também cresceu muito por causa do socorro que os EUA tiveram que dar ao sistema bancário, abatido com a crise de 2008.

O Brasil tem títulos da dívida. O que o senhor acha dessa prática financeira?
Ah, sim. Isso mostra a estupidez da política brasileira. Porque o Brasil é o terceiro maior comprador de títulos do tesouro americano, antes dele, só a China e o Japão. Isso é um absurdo.

Por quê?
Nós atraímos uma quantidade enorme de capitais de curto prazo especulativos para dentro do Brasil. Esses dólares que entram a mais no Brasil vão parar nas reservas do Banco Central. O BC emite dívida pública brasileira e paga 12,25% de juros e aplica em títulos de tesouro norte-americanos que, na melhor das hipóteses, são 2% ao ano. O Brasil contrai essa dívida que só rende 2% e, ao mesmo tempo, paga 12,25%. Um dos piores negócios do planeta. Estamos fazendo isso em escala colossal e aumentamos a nossa dívida por causa disso. Isso é de uma estupidez monumental.

O senhor chama de "estupidez" e uma das causas que o senhor aponta é a taxa de juros. O Copom divulga hoje a nova taxa Selic. A expectativa do mercado é de um leve aumento.
Pois é, são suicidas. Com isso virá mais dólar para o Brasil. O ideal é que o Brasil só absorvesse os dólares necessários para o financiamento do balanço de pagamentos. Só.

Sobre o processo de decisão da Selic...
Totalmente misterioso. O Conselho Monetário administra nossas vidas, o emprego que você tem, a compra da sua casa, se você vai pagar ou não sua conta nas Casas Bahia... E o povo não sabe como eles definem nem juros nem câmbio. Eles decidem através das 'metas de inflação', que fixam uma taxa limite superior à inflação e, ao mesmo tempo, partem da hipótese de que o país só pode crescer acima de uma certa taxa, porque se crescer acima dela, aparece a inflação. Então, toda vez que a economia brasileira começar a crescer, o BC eleva a taxa de juros.

Sim, mas há aí uma consulta ao mercado antes de ser definida a taxa Selic, por exemplo. É o processo a que me refiro.
Isso eles fazem. Eles chamam o mercado de amiguinhos no mercado de capitais, mas muitas vezes surpreendem os amiguinhos.

O que o senhor acha disso?
É um modelo que precisa ser rediscutido, claro. Mas estou rouco de dizer isso. Falo isso há muitos e muitos anos. Eu e mais alguns colegas. Lula utilizou isso, Dilma continua... Eu acredito que é um modelo idiota. Esse modelo não é ideal, esse conceito é furado, tecnicamente não se sustenta. Então, eles fixam um teto para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), a partir disso, eles sobem juros para evitar que a economia cresça. O BC trabalha para o Brasil ficar estagnado.

O senhor acredita que "o BC trabalha para o Brasil ficar estagnado"?
Eu e a torcida do Flamengo achamos isso.

A Islândia quebrou. A Grécia também. Portugal vai mal, Espanha também... Demais países europeus ainda sofrem com a recessão. O senhor acredita que a moeda única deve ser revista?
Vou te dar a reposta mais honesta: Eu realmente não sei. Pode ser que eu esteja errado, mas o Euro, sendo a moeda única europeia, não tem um lastro no continente. O Euro está lastreado em dólar. Se é assim, não controla o endividamento dos países. Portanto, o controle do Banco Central Europeu é muito pequeno. O Euro é uma moeda meio pendurada no ar. Agora, eu não sei se eles vão resolver isso fortalecendo o Euro ou retrocedendo para as moedas nacionais. O que inquestionável é que, como está, não poderão atravessar a crise que vivem.

Como o senhor definiria esse cenário?
Como um cenário muito preocupante porque muitos países europeus assumiam a presença do Euro, dos bancos europeus e até de filiais de bancos norte-americanos como um cenário extremamente favorável ao endividamento. Os bancos operaram sem nenhum critério, simplesmente foram emprestando. À medida em que os bancos emprestam, criam uma articulação monetária maior e, em cima disso, os bancos emprestam mais. Isso é conhecido como uma manada financeira. Tudo vai em direção à expansão e quando dá uma parada, tudo vai para trás. É a manada em pânico. O pânico começou e quebrou a Islândia, que já estava quebrada antes, ficou apenas explícito. Quebrou a Grécia, e agora, balança a Itália e a Espanha. Por extensão da Grécia, os outros países terão muita dificuldade, porque significará que os outros países não segurarão a dívida soberana da Grécia.

Os Estados Unidos adotam a posição de ajudar a Grécia...
Essa é uma posição que, teoricamente, os EUA adotam há muito tempo. Eles não conseguem, no entanto, encontrar um acordo sobre como farão isso. A Alemanha e a Holanda acham que não dá para ajudar sem a cooperação da área privada. Isto significa que os bancos europeus teriam prejuízo com a operação na Grécia. E isso é justamente o que os bancos não querem, claro.

Quais as semelhanças entre a situação europeia e norte-americana?
A crise financeira parece um castelo de cartas. Cada carta que cai aumenta a pressão para outras caírem também. Evidente que os EUA estão balançando. Obviamente que a Europa balança mais. A Europa balançando, balança ainda mais os EUA. E os bobões do Brasil viraram o terceiro credor mundial do tesouro norte-americano. Isso é uma vergonha. É inacreditável que o nosso BC tenha feito isso.

É possível retroceder?
Não. A única coisa que dá para fazer é acender velas para Santo Antônio. Com essa visão de mundo, resta pedir ajuda ao santo mesmo. Tem que baixar controle de câmbio, tem que aplicar imposto de importação... Tem uma porção de coisas para fazer e que eles não vão fazer.

O Estado perdeu a capacidade de gerir a economia?
Pelo contrário, eles ainda acham que estão gerindo otimamente bem. Na minha opinião, vai por um caminho muito ruim.

Para ler outras matérias bem porretas, visite o 'Carcará' - http://carcara-ivab.blogspot.com




FOME, SEXO, MENTIRA E VIOLAÇÃO

Posted: 21 Jul 2011 08:12 AM PDT

publicado no www.diretodaredacao.com

Fome, sexo, mentira e violação


Reprodução

O neoliberalismo viola países, sindicatos e a própria Europa como na telenovela DSK.

Fome no Sudão, Grécia e europeus à beira da falência, a dominação dos bancos sobre países tudo isso são violações econômicas em cadeia, como na telenovela DSK.

O espectro da fome ressurge na África. São três milhões de mortos em perspectiva. Mas os países ocidentais não podem ajudar, ao contrário, até diminuíram suas ajudas pela metade, pois o dinheiro disponível para as emergências precisou ser usado na ajuda aos bancos, ameaçados de falência na recente crise.

Nesta quinta-feira, os dirigentes dos países europeus se reúnem para tentar encontrar uma saída para a crise grega, um país inteiro à beira da falência, com o risco de arrastar consigo toda a estabilidade financeira e mesmo política da Europa.

Nos EUA, Obama tem mais algumas semanas para encontrar uma solução para a crise da dívida interna, enquanto o dólar vai perdendo o valor e sua cotação é menos da metade do valor do ano retrasado na Europa.

Na França, já em plena pré-campanha eleitoral para a presidência, não se fala no terremoto financeiro detetado pelos sismógrafos das bolsas. Mas da telenovela de sexo, mentira, complô, traição e tentativa de violação de uma camareira pelo ex-dirigente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, DSK, agravada pela denúncia de uma jovem escritora francesa, de ter também sido assediada pelo potente e insaciável economista, que, pelo jeito, não precisa de Viagra.

A telenovela DSK tem todo os ingredientes de um vaudeville ou ópera tragicômica, com a entrada em cena das personagens francesas. A jovem quase violada vem a público e abre processo oito anos depois dos fatos, quando nada se poderá provar. Mas sua intempestiva intrusão na justiça acaba por envolver sua própria mãe, que confessa ter tido uma relação sexual consentida com DSK, porém de rara violência.

O caso assume feições familiares, pois a queixosa de tentativa de violação é amiga da filha de DSK, que estuda em Nova Iorque e apareceu na televisão com a atual esposa de DSK, no episódio da prisão e libertação preventiva do ex-dirigente do FMI. E, por sua vez, a ex-esposa de DSK é madrinha da escritora vítima de tentativa de violação. Ao que parece todas estavam a par dessa história, mas, interrogadas pela polícia francesa, contaram versões diferentes.

E, reforçando a hipótese dos amantes de complôs, houve realmente uma tentativa de se envolver o candidato socialista, François Hollande nessa confusão, por ter sido informado, quando presidente do Partido Socialista, dos ardores de DSK, mas sem tomar qualquer iniciativa. Enraivecido e com receio de ser envolvido, Hollande fez questão de ir à polícia para declarar não ter nada a ver com essa história.

Com isso, os franceses se esquecem de que o capitalismo está de novo hospitalizado no serviço de cuidados intensivos. Os sintomas são os mesmos da crise ocorrida nos EUA – muito capital especulativo, pouco capital produtivo, muito dinheiro nas mãos de poucos e pouco nas mãos da população provocando um alto endividamento, ou seja, o excesso de acumulação de capital está provocando uma baixa de consumo.

Para reforçar suas exportações, os patrões alemães conseguiram dobrar os sindicatos e baixar seus salários, competindo no mercado com os produtos portugueses, espanhóis, gregos, irlandeses e italianos.

Embora hoje alvo das críticas européias, a Grécia cedeu às ofertas dos países ricos europeus, comprando um excesso de desnecessários armamentos, que agora reforça sua dívida e não tem condições para pagar.

Sem se esquecer que as riquezas desses países ameaçados de falência como a Grécia voaram rapidamente para lugares seguros como a Suíça e outros paraísos, que mesmo melhor controlados continuam sendo um bom refúgio.

A política neoliberal está destruindo a União Européia tanto politica como economicamente. E o pior é que se a Grécia falir, virão junto os bancos que dela se apropriaram e com os bancos toda a Europa. E logo a seguir os EUA.

A fome no Sudão, a perda das conquistas sociais dos gregos e logo a seguir de todos os europeus, a força dos bancos que dominam países com seus empréstimos, tudo isso são violações econômicas em cadeia, como na telenovela DSK. (Publicado originalmente no Direto da Redação)

Rui Martins, jornalista, escritor, correspondente em Genebra.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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