Caiado e Zema, se tiverem juízo, formarão uma forte chapa
Carlos Newton
No Brasil, nunca houve uma sucessão presidencial como a de 1989 e acredita-se que jamais haverá nada igual, uma disputa tão acirrada e eletrizante, na primeira eleição realmente livre desde a vitória de Jânio Quadros e João Goulart em 1960, 29 anos atrás.
A anterior tinha sido uma decepção, porque foi indireta. Tancredo Neves (MDB) deu um passeio em Paulo Maluf (PDS), ganhando por 480 a 180 votos, com 26 abstenções, mas nem chegou a assumir e o vice José Sarney, velho aliado dos militares, foi quem exerceu o poder.
ELEIÇÃO DIRETA – Em 1989, pode-se dizer que a sociedade brasileira realmente estava representada nas eleições, que foi disputada por 22 candidatos, das mais diferentes tendências.
Affonso Camargo Neto (PTB); Afif Domingos (PL); Antônio Pedreira (PPB); Armando Corrêa (PMB); Aureliano Chaves (PFL); Celso Brant (PMN); Enéas Carneiro (PRONA); Eudes de Oliveira Mattar (PLP); Fernando Collor (PRN); Fernando Gabeira (PV); Leonel Brizola (PT); Lívia Maria Pio (PN); Lula da Silva (PT); Manoel Antonio Horta (PDCdoB); Mário Covas (PSDB); Marronzinho (PSP); Paulo Gontijo (PP); Paulo Maluf (PDS); Roberto Freire (PCB); Ronaldo Caiado (PSD); Ulysses Guimarães (PMDB); e Zamir José Teixeira (PCN).
Na verdade, eram 28 candidatos, mas seis foram barrados pela Justiça Federal. Dois deles seriam bem votados – o apresentador Silvio Santos (PMB) e o ex-presidente Jânio Quadros (PMS). Os demais não tinham a menor chance – Boris Nicolaievski (PS), D’Janir Soares de Azevedo (PTN), João Ferreira da Silva (PAS) e Nildo Martins (PNAB).
UNIÃO NACIONAL – Collor era o “Dark Horse” da época e venceu Lula no segundo turno, deixando Brizola e Collor em terceiro e quarto lugar, mas acabou sofrendo impeachment e seu vice Itamar Franco fez um excelente governo de união nacional, apoiado por todos os partidos, à exceção do PT e do PCdoB, que eram contrários ao Plano Real.
Quase 40 anos depois, os brasileiros se preparam para nova eleição, desta com poucos candidatos e muita confusão. Existem dois favoritos destacados, mas nenhum deles empolga a nação. Lula é uma repetição cansativa do “Samba de Uma Nota Só”, enquanto o rival Flávio Bolsonaro é uma novidade que envelheceu em espantosa velocidade.
O problema dos dois é a altíssima rejeição, que possibilita, mesmo remotamente, a ascensão de um terceiro nome. Se Ronaldo Caiado e Romeu Zema se unissem na mesma chapa, a possibilidade de chegarem ao segundo turno passa a ser concreta, como aconteceu com Collor e Itamar.
P.S. 1 – Aqui no Brasil os taxistas adoram política e fazem campanha o tempo todo. No Rio de Janeiro, a chamada Rádio Táxi está defendendo Caiado na cabeça de chapa, com Zema de vice, porque o ex-governador goiano é mais experiente. Os taxistas não votam em Lula de forma alguma e também resistem em votar em Flávio. É um indicativo importante, não há dúvida. ]
P.S. 2 – Dizer que Renan Santos (Missão) e Samara Martins (Unidade Popular) está empatados com Caiado e Zema é uma tremenda Piada do Ano, feito por instituto de pesquisa que não tem medo do ridículo. (C.N.)