Educação em Jeremoabo: entre o discurso fácil da oposição e a dura realidade da reconstrução
A oposição em Jeremoabo tem repetido, quase como um mantra, a palavra “planejamento” para tentar sustentar a narrativa de uma suposta falência da educação municipal. No entanto, quem acompanha minimamente a realidade administrativa do município sabe que o debate é muito mais profundo e exige responsabilidade, memória e, sobretudo, honestidade intelectual.
Em entrevista concedida a uma rádio local, o atual secretário municipal de Educação deixou claro que planejamento, por si só, não resolve o caos herdado. Planejar é essencial, sim, mas quando se assume uma pasta devastada pela incompetência administrativa e por indícios graves de corrupção, o caminho natural não é apenas planejar — é replanejar constantemente, ajustando rotas, corrigindo distorções e reconstruindo praticamente do zero, sempre com transparência e responsabilidade pública.
O cenário encontrado pela atual gestão é alarmante. Basta citar um fato emblemático: computadores da rede municipal simplesmente desapareceram, sem qualquer explicação plausível. Trata-se de um patrimônio público que sumiu, deixando prejuízo direto à educação e à sociedade. Diante da gravidade, não seria exagero afirmar que o caso merecia, inclusive, o registro de um Boletim de Ocorrência, para que as autoridades competentes apurem responsabilidades.
Além disso, até a presente data, a equipe da Secretaria de Educação ainda trabalha para regularizar a inadimplência deixada pela gestão anterior. Dívidas acumuladas, compromissos ignorados e obrigações legais descumpridas criaram um efeito cascata que atinge desde fornecedores até programas essenciais. Não se trata de incompetência atual, mas de herança administrativa maldita, que insiste em cobrar seu preço.
No que diz respeito ao atraso de pagamentos, a verdade precisa ser dita: parte significativa do problema decorre do processo de regularização do CredBahia, situação também herdada e que exige trâmites burocráticos e legais, não soluções improvisadas ou “no grito”, como a oposição parece sugerir.
O transporte escolar é outro exemplo claro da irresponsabilidade passada. A atual gestão encontrou ônibus em condições precárias, exigindo manutenção imediata para garantir segurança aos alunos. Nenhum gestor sério colocaria crianças em risco apenas para manter aparências políticas. A paralisação momentânea e os ajustes foram necessários e responsáveis.
Some-se a isso o impacto da Portaria nº 605 do MEC, que prejudicou diretamente Jeremoabo. Mais uma vez, a raiz do problema está na incompetência da gestão anterior, que não cumpriu requisitos, não alimentou sistemas corretamente e não zelou pelos interesses do município, resultando em perda de recursos e dificuldades adicionais.
Apesar desse cenário adverso — marcado pela redução de repasses, escolas sucateadas e ausência total de organização administrativa — a gestão do prefeito Tista de Deda, em parceria com o secretário de Educação, vem fazendo tudo o que está ao seu alcance para reconstruir a educação de Jeremoabo. Trata-se de um trabalho silencioso, técnico e árduo, que não se resolve com discursos vazios nem com críticas oportunistas.
Falar é fácil. Difícil é encarar a realidade dos fatos, reconhecer os erros do passado e ter coragem política para consertar o que foi destruído. A reconstrução da educação exige tempo, seriedade e compromisso com o futuro — valores que, finalmente, voltam a fazer parte da agenda pública de Jeremoabo.