sábado, maio 16, 2026

Mudança na PF tira investigação do INSS de delegado ligado ao caso Lulinha


Mudança ocorreu há cerca de duas semanas e gerou surpresa

Reynaldo Turollo Jr
G1

A direção da Polícia Federal trocou a área responsável por investigar as fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na Operação Sem Desconto.

O caso deixou de estar sob responsabilidade do delegado Guilherme Figueiredo Silva, da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários (DPrev), e passou para o grupo que investiga políticos com foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF), chamado de Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq). A DPrev fica dentro da Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Fazendários (CGFaz). Já o Cinq, novo responsável pelo caso, fica dentro da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC).

MELHOR ADEQUAÇÃO – Segundo o G1 apurou, o despacho administrativo que oficializa a troca aponta que a CGRC é a estrutura mais adequada para investigar as fraudes e desvios no INSS, por envolverem suspeitas de corrupção de agentes com foro privilegiado. Procurada pela reportagem, a direção da Polícia Federal não se manifestou sobre as mudanças.

Com a mudança, as investigações sobre fraudes no INSS saíram da alçada do delegado que vinha acompanhando as apurações sobre o eventual envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Uma das suspeitas é que o Careca, que está preso preventivamente desde o ano passado, tenha usado dinheiro desviado do INSS para contratar Lulinha para atuar em sua empresa de cannabis medicinal.

SURPRESA – Segundo pessoas que acompanham as investigações sobre os desvios no INSS, a mudança ocorreu há cerca de duas semanas e gerou surpresa, porque o delegado Guilherme Silva tem conhecimento aprofundado do caso e, como coordenador, tem visão geral de todos os inquéritos.

A Sem Desconto já atingiu ex-dirigentes do INSS, empresários e donos de associações e sindicatos que faziam os descontos indevidos em aposentadorias e políticos que foram alvos de mandados de busca e apreensão — os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Todos negam envolvimento em irregularidades.

COLABORAÇÃO PREMIADA- Silva participou ainda das tratativas para três acordos de colaboração premiada: do empresário Maurício Camisotti, que já foi assinado com a PF e aguarda homologação pelo Supremo; do ex-procurador-geral do INSS Virgílio de Oliveira Filho; e do ex-diretor do INSS André Fidelis. No caso dos dois ex-dirigentes do INSS, os acordos ainda não foram assinados com a PF.

Nesta sexta-feira (15), a equipe responsável pela Operação Sem Desconto participou de reunião com o relator do caso no STF, o ministro André Mendonça, para tratar do andamento das investigações.

As mudanças feitas pela PF já geraram reações políticas na oposição. O deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) afirmou que pediu a convocação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para explicar o que motivou a mudança feita pela corporação.

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