quinta-feira, abril 02, 2026

Mendonça e Kassio atuam no Senado para diminuir resistência a Messias, indicado de Lula ao STF

Mendonça e Kassio atuam no Senado para diminuir resistência a Messias, indicado de Lula ao STF

Por Ana Pompeu, Luísa Martins e Thaísa Oliveira/Folhapress

02/04/2026 às 08:40

Atualizado em 02/04/2026 às 08:19

Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF

Imagem de Mendonça e Kassio atuam no Senado para diminuir resistência a Messias, indicado de Lula ao STF

Jorge Messias

A articulação em torno da tentativa de arrefecer a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), à indicação de Jorge Messias a uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal) conta com ministros da própria corte, incluindo os dois nomeados por Jair Bolsonaro (PL): André Mendonça e Kassio Nunes Marques.

Os magistrados mantiveram conversas com parlamentares nos últimos meses em um trabalho de convencimento da oposição. Ambos têm sido cabos eleitorais importantes em prol de Messias desde a indicação, especialmente Mendonça, hoje um dos nomes de peso do Supremo.

A avaliação é a de que o clima em torno do atual advogado-geral da União melhorou entre os senadores neste período em parte também pela dedicação deles junto à oposição.

O anúncio da escolha foi feito há mais de quatro meses, no dia 20 de novembro. O presidente Lula (PT) enviou oficialmente nesta quarta-feira (1º) ao Senado a indicação.

O governo enfrentou um impasse que envolveu o presidente da Casa, que defendia Rodrigo Pacheco (então no PSD-MG) para a cadeira. Lula segurou o envio do comunicado oficial para reforçar a articulação política.

A interlocutores Messias e aliados afirmam que o ministro deve procurar novamente todos os senadores. Ele lista já ter conversado com 75 dos 81. Assim, deve voltar a esses e buscar os demais, inclusive o próprio Alcolumbre.

Messias tem boa entrada na base do governo, entre os evangélicos e, ainda, teria sinalização positiva do MDB e do PSD, segundo esses relatos. Para avançar nas conversas, o atual chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) vai tentar evitar disputas políticas e a contaminação do caso do Banco Master.

Pessoas próximas a Messias dizem acreditar que os magistrados da corte podem pressionar Alcolumbre a não segurar a sabatina para avaliar a indicação, sob o argumento de que o tribunal está desfalcado —Luís Roberto Barroso deixou a corte em outubro passado.

Com dez ministros, há chance de julgamentos resultarem em empate e também dificuldades na distribuição de novos processos, sobrecarregando os gabinetes. Além disso, os processos do acervo de Barroso seguem sem tramitação.

Esses argumentos têm sido usados pelos ministros aos congressistas, segundo os relatos. Kassio e Mendonça entraram em jogo para as negociações já no fim do ano passado e têm falado, sobretudo, com parlamentares da oposição. O decano da corte, Gilmar Mendes, e Cristiano Zanin também têm pedido votos.

Na disputa política, os ministros, especialmente Kassio e Mendonça, ressaltaram aos senadores a proximidade que eles próprios têm com Messias. Por outro lado, ouviram temores sobre desagradar Davi Alcolumbre. O problema maior estaria, portanto, na resistência do presidente da Casa.

Mendonça tem lembrado a interlocutores a própria situação pós-indicação, em 2021. Também dependia de Alcolumbre, então presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o andamento do nome dele no Senado. O senador marcou a sabatina de Mendonça após mais de quatro meses de resistência.

Na ocasião, o senador calculava que Mendonça não teria votos suficientes para ser aprovado. Por fim, o ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro foi referendado por 47 votos a favor e 32 contra. São necessários 41 votos no plenário para a confirmação da indicação.

Pessoas próximas ao ministro avaliam que a situação de Messias é, hoje, mais tranquila que a enfrentada por ele há cinco anos.

Kassio relatou a interlocutores ter conversado com muitos senadores e ter sentido que o tempo foi favorável a Messias, cuja aprovação acabou crescendo.

Um dos argumentos do ministro tem sido justamente o perfil do hoje AGU. Messias é evangélico, lido como conservador em algumas matérias, e alguém que sabe transitar na política, tendo ocupado cargos relevantes e enfrentado crises nas quais foi um dos focos em governos passados ou lidando com escândalos no atual.

Ele ficou conhecido nacionalmente como "Bessias" em 2016, com a divulgação de uma escuta telefônica da Lava Jato, autorizada pelo então juiz Sergio Moro. Apesar de não haver irregularidades na conduta do ex-auxiliar, o episódio marcou o então subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil do governo Dilma Rousseff (PT).

Messias teria navegado por essas crises, pessoais e políticas, de forma discreta, priorizando o diálogo. Um exemplo que agradou Lula foi a proposta para ressarcimento das vítimas da fraude do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), construída com representantes de vários órgãos.

Essa trajetória comprovaria a deferência ao Congresso e à política de forma mais ampla por parte de Messias, segundo apoiadores. Essa é uma das preocupações dos parlamentares diante do fortalecimento do Supremo nos últimos anos.

Em outro ponto do discurso para convencer os senadores, magistrados aplicaram a lógica de que Messias seria o melhor dos quadros também para a oposição, ou seja, com a analogia "dos males, o menor" —ainda que o sinal tenha sido sempre de apreço ao AGU.

Nas conversas com os parlamentares, eles argumentaram que, sendo um governo de outro espectro político, seria difícil uma indicação que agradasse totalmente o outro campo. Nesse cenário, seria o nome que melhor congregaria interesses e visões.

Messias tem demonstrado otimismo em relação às suas perspectivas no Senado, somada à própria atuação com os parlamentares à dos aliados de dentro da corte.

O ministro de Lula já afirmou a senadores com quem se encontrou que gostaria de ter a oportunidade de conversar com Alcolumbre. O recado foi levado ao presidente do Senado, mas ele desconversou. O senador indicou que esperaria mais um pouco para decidir sobre a sabatina e que conversaria com Messias em outro momento.

O indicado de Lula tem procurado senadores por telefone e pessoalmente. Como mostrou a Folha, Messias diz, nessas conversas, que não pode ser penalizado pelo desentendimento entre Alcolumbre e o governo.

Politica Livre

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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