quarta-feira, setembro 30, 2026

Brasil ergue barreira para tentar proteger eleição de interferência dos EUA, diz New York Times

 

Brasil ergue barreira para tentar proteger eleição de interferência dos EUA, diz New York Times

Governo conversa com aliados sobre reação conjunta após a votação, segundo jornal americano

Por Folhapress

30/09/2026 às 22:00

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

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Urna eletrônica

Autoridades brasileiras vêm adotando medidas para tentar proteger o processo eleitoral no país de uma possível interferência dos Estados Unidos, segundo reportagem publicada pelo jornal americano The New York Times na segunda-feira (28). Entre as iniciativas estão o monitoramento de lobby estrangeiro e de campanhas de desinformação, o combate a acusações falsas sobre fraude eleitoral e a articulação com outras nações relacionada a medidas a serem adotadas após a divulgação do resultado do pleito.

O governo brasileiro mantém conversas informais com missões diplomáticas de Canadá, Japão e Austrália, além de países da União Europeia, sobre uma resposta conjunta após a votação, de acordo com o jornal. Três diplomatas estrangeiros de alto escalão ouvidos pelo New York Times sob a condição de anonimato disseram que essas nações devem defender de forma rápida a integridade da eleição, independentemente de quem vencer, embora também exista preocupação em desagradar Washington.

Ainda segundo o jornal americano, as agências de inteligência brasileiras passaram a tratar como prioridade o combate à manipulação estrangeira nas redes sociais. A publicação informa que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também estabeleceu novas regras para enfrentar a desinformação eleitoral e pediu que empresas como Google e Meta apresentassem planos para combater vídeos e publicações enganosas produzidos com inteligência artificial.

Em paralelo, autoridades brasileiras iniciaram uma campanha para reforçar a confiança no sistema eleitoral entre população, diplomatas e observadores internacionais, aponta a publicação. A iniciativa inclui campanhas com influenciadores digitais e até um mascote em formato de urna eletrônica.

O New York Times menciona também o workshop organizado em agosto pelo TSE sobre o sistema eleitoral brasileiro para mais de 80 diplomatas. Na ocasião, o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, afirmou que a corte havia "aberto as portas ao mundo" e se dedicado a "desmantelar todos os argumentos" contra a confiabilidade das eleições.

O temor de interferência ganhou força diante da atuação do presidente americano, Donald Trump, em eleições de outros países da América Latina. O New York Times aponta que candidatos de direita alinhados a Washington venceram disputas na região com endosso explícito de Trump.

O governo Trump rejeita as acusações de que estaria tentando interferir na eleição do Brasil. Autoridades brasileiras, por sua vez, disseram ao New York Times que uma eventual ajuda americana a Flávio Bolsonaro poderia ocorrer com novas medidas destinadas a prejudicar a imagem de Lula.

No ano passado, Trump impôs sanções contra autoridades brasileiras e determinou a aplicação de tarifas de 50% ao país, entre as mais altas do mundo.

Segundo a publicação do jornal americano, foram entrevistados para a reportagem mais de uma dezena de funcionários do governo e do setor eleitoral brasileiros, policiais, agentes de inteligência e diplomatas estrangeiros.

Politica Livre

Campanha de Flávio teme ação de Dino sob alegação de interferência externa na eleição

 

Campanha de Flávio teme ação de Dino sob alegação de interferência externa na eleição

Aliados de candidato avaliam que ministro pode usar como pretexto caso de Mariana

Por Fábio Zanini/Folhapress

30/09/2026 às 21:15

Foto: Reprodução/TV Justiça

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal

Aliados de Flávio Bolsonaro temem que uma ação em curso no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Flávio Dino, seja usada pela campanha de Lula para manobras no segundo turno ou mesmo para não reconhecer eventual vitória do senador do PL.

A peça é a ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1178, que originalmente foi impetrada pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) para questionar a possibilidade de municípios abrirem ações judiciais em outros países por danos ocorridos no Brasil.

O caso mencionado pela entidade é um processo movido em Londres por prefeituras contra mineradoras estrangeiras, em razão do desastre de Mariana, em 2015.

Dino acatou a posição do Ibram com o argumento de que leis estrangeiras não são válidas no Brasil. O receio da campanha de Flávio é que essa decisão seja expandida e usada para resistir a supostas ameaças à soberania nacional –um dos motes da campanha de Lula.

Na semana passada, a campanha de Lula direcionou a Dino uma ação apontando risco de interferência estrangeira na eleição, argumentando que o assunto tem relação com o tema da decisão do ministro no caso de Mariana.

Dino é visto como um aliado do presidente na corte. Nesta terça-feira (29), o ministro recebeu um telefonema de Lula durante um evento em Belém para sancionar uma lei na área da saúde surgida a partir de um projeto apresentado por Dino quando era senador.

Um dos temores é uma ação de busca e apreensão determinada por Dino contra Flávio durante o segundo turno, por exemplo, com a justificativa de comprovar algum tipo de intervenção do governo Donald Trump no pleito brasileiro.

Segundo um membro da campanha de Flávio, o processo de distribuição de ações no STF virou um "faroeste caboclo", sem respeito à praxe normal de que seja feita por sorteio. O direcionamento da ação sobre soberania para Flávio seria um exemplo disso.

Politica Livre

A extrema direita mira o Supremo enquanto a crise do Banco Master corrói a Corte



Eleições são importantes porque decidem se o Brasil será quintal dos EUA


Confira a charge deste domingo (7) por Thyagão (@historiassemquadrinhos)  #DiáriodoNordeste #dn

Charge do Thyagão (Diário do Nordeste)

Vicente Limongi Netto

A campanha de Flávio Bolsonaro é dirigida ao eleitor que ignora a política, sem ter a mínima ideia do que está acontecendo no Brasil e no mundo. Parte desses eleitores é convencida e levada para um mundo paralelo, através de informações fake news pelo WhatsApp e a outra parte é de fiéis de algumas igrejas evangélicas neopentecostais que votam em quem o pastor mandar.

As eleições de outubro  são para decidir se o Brasil vira um fundo de quintal dos Estados Unidos ou continua independente e determinado a transformar o país numa futura potência. É disso que se trata essas eleições. 

Lula deve se arrepender, se realmente desprezar o debate eleitoral na Globo

Publicado em 30 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Cadeira: a nova ferramenta de debate! | Jornal de Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Elio Gaspari
O Globo

Lula desistiu de ir ao debate desta quinta-feira na TV Globo. Com isso, o primeiro turno ficará sem debate entre os candidatos competitivos. É pena, mas os nomes de uma terceira via tiveram meses para romper a barreira do dígito e não conseguiram. Essa monotonia fez da eleição presidencial um evento burocrático, sem ideias, plataformas ou desafios. Lula 4.0 seria uma continuação de Lula 3.0 que nada foi além dos Lulas passados. Há um candidato do PT, outro contra o PT, e estamos conversados.

A ideia de faltar a mais esse debate é arriscada. Numa eleição apertada como essa, a imagem da cadeira vazia pode ter um efeito desastroso, mesmo para o segundo turno.

PRINCIPAL ALVO – Num debate com quatro candidatos, Lula será o principal alvo. Se as chances de cada um fossem semelhantes, tudo bem. Mas não: Lula e Flávio disputam uma eleição apertada, e os demais tornaram-se figurantes. Está na memória de todos a figura patética do padre Kelmon em 2022. Só com quatro candidatos esse risco estaria reduzido, mas não eliminado.

Ir ao debate seria a melhor ideia. No caso de Lula, teria a vantagem adicional de espanar a ideia segundo a qual está cansado.

Com Flávio Bolsonaro a situação se agrava. Ele é o pai, que por sua vez personifica pouco mais que um renitente sentimento antipetista. O Brasil é maior que essa mixaria, e os desafios estão aí.

CRISE DO SUPREMO – A novela da corrupção na alta magistratura continuará sendo assunto nos próximos meses e é bom que seja assim, mas o país de farofeiros deslumbrados está ofuscando outro país, que anda.

Nele constroem-se novas linhas de metrô em São Paulo, mais o túnel Santos-Guarujá. Na semana passada zarpou do porto de Lüsi, na China, o maior bate-estacas marítimo do mundo. Ele vem para a obra da ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, com 12,4 quilômetros de extensão, um pouco maior que a Rio-Niterói.

Com obras desse tamanho, os charutos do procurador-geral Paulo Gonet são apenas fumaça, produzida por um burocrata deslumbrado, escoltado por um banqueiro espertalhão.

NÍVEL DE INDIGÊNCIA – O Brasil é muito maior do que a arena onde pontificam esses doutores. Por isso é pena que a sucessão presidencial esteja num nível inédito de indigência. Parece até que a eleição é uma formalidade. Temas abundam, mas falta disposição aos candidatos, sobretudo a Lula e Bolsonaro, para debatê-los.

Como não há debates, ideias nem propostas, Nossa Senhora Aparecida ocupou o espaço vazio. Se algum político ou religioso quiser retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, terá uma surpresa: a fé popular manterá o título. A ideia de destronar Nossa Senhora é velha e inútil.

Os poderosos da ocasião tomam carona na história da santa que atrai milhões de peregrinos a cada ano. Mexer com devoções populares nunca deu certo. A hierarquia católica tentou enquadrar a devoção dos napolitanos por San Gennaro ou a dos nordestinos por Padre Cícero. Pura perda de tempo.


Gilmar mantém quebra de sigilos em investigação de ‘rachadinha’ ligada a Flávio Bolsonaro


Charge do Clayton (Instagram)

Mariana Muniz
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira uma reclamação apresentada por Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-assessora de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e manteve a decisão que autorizou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal em uma ação de improbidade que apura um suposto esquema de “rachadinha”.

A investigação trata da suspeita de que servidores recebiam salários pagos pela Alerj sem efetivamente trabalhar e, em alguns casos, repassavam parte dos vencimentos a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. A quebra de sigilo de Danielle, autorizada em 6 de maio pelo juiz Ricardo Cyfer, da 2ª Vara da Fazenda Pública do Rio, foi limitada pela Justiça fluminense ao período em que ela ocupou cargo comissionado na Assembleia.    

MENSAGENS – Na decisão, Gilmar também reproduz uma série de mensagens encontradas no celular de Danielle e usadas pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) como elementos da investigação. Segundo o ministro, os diálogos, obtidos na Operação Intocáveis e posteriormente compartilhados por autorização judicial, constituem fontes de prova autônomas e independentes de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) cuja utilização é questionada pela defesa.    

Entre as conversas citadas estão mensagens trocadas com Queiroz. De acordo com o MPRJ, elas indicariam que o ex-assessor entregava a Danielle contracheques e comprovantes de rendimentos da Alerj e cobrava documentos dela. Em outro diálogo, Queiroz pede informações sobre a movimentação financeira da então assessora e afirma que precisava “prestar contas” sobre o valor depositado naquele mês.

A decisão também menciona diálogos de Danielle com Adriano da Nóbrega, seu ex-marido. Segundo a descrição feita pelo Ministério Público e reproduzida por Gilmar, Adriano teria sido responsável por “arrumar” a nomeação dela na Alerj. Em outra conversa, ao reclamar de sua exoneração, Danielle teria tratado os vencimentos como uma espécie de pensionamento proporcionado pelo ex-PM. O documento afirma que Adriano respondeu que também “contava com que vinha do seu tmbm”, trecho interpretado pelo MPRJ como indicação de que ele também se beneficiaria dos valores.

QUEBRA DE SIGILO – Na decisão, Gilmar afirma que esses elementos poderiam sustentar a quebra de sigilo mesmo que fosse acolhida a contestação da defesa contra o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf. Além das mensagens, o ministro citou dados funcionais e relatórios financeiros encaminhados pela Alerj. Segundo documento da Assembleia reproduzido na decisão, Danielle recebeu R$ 846,2 mil brutos entre setembro de 2007 e dezembro de 2018.

O ministro destacou ainda que, segundo as informações prestadas pela Justiça do Rio, o RIF foi enviado espontaneamente pelo Coaf e não foi produzido a pedido do Ministério Público. O relatório também não estava entre os documentos declarados nulos pelo próprio STF em uma decisão anterior relacionada às investigações.

A defesa de Danielle alegava que o compartilhamento de informações financeiras sem autorização judicial prévia contrariava uma decisão do Supremo, no chamado “Tema 990 da repercussão geral”. Gilmar, porém, afirmou que o precedente tratou especificamente do compartilhamento de relatórios do Coaf para fins criminais e não decidiu sobre a possibilidade de utilização dessas informações em ações de improbidade administrativa. Para o ministro, essa é uma questão “inteiramente nova” que ainda deverá ser enfrentada pelo STF.

AGRAVO PENDENTE – Gilmar também apontou um obstáculo processual para a reclamação. Segundo ele, Danielle ainda tem um agravo pendente de julgamento no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Pela jurisprudência do STF, uma reclamação baseada em precedente de repercussão geral não pode ser usada para antecipar a chegada do caso ao Supremo antes do esgotamento das instâncias inferiores.

O ministro afastou ainda, neste momento, as alegações de que a quebra de sigilo representaria uma investigação exploratória — a chamada fishing expedition — ou violaria uma decisão anterior já transitada em julgado. A ordem da Justiça do Rio restringiu o acesso aos dados bancários e fiscais ao período em que cada investigado manteve vínculo com a administração pública.

ARQUIVAMENTO – A decisão de Gilmar ocorre anos depois de o próprio ministro ter sido determinante para o arquivamento da investigação criminal sobre o suposto esquema de “rachadinha” que atingia Flávio Bolsonaro. Em fevereiro de 2021, a Segunda Turma do STF determinou, por maioria, o arquivamento das investigações, ressalvando a possibilidade de reabertura caso surgissem novas provas. Gilmar foi o redator do acórdão e votou pelo encerramento das apurações.

A discussão sobre o uso de relatórios do Coaf também já havia chegado ao Supremo a partir de uma iniciativa da defesa de Flávio. Em julho de 2019, o então presidente da Corte, Dias Toffoli, atendeu a um pedido feito pelo senador e determinou a suspensão nacional de processos e investigações criminais que envolvessem o compartilhamento, sem autorização judicial prévia, de dados de órgãos como Coaf, Receita Federal e Banco Central. A medida atingiu a investigação sobre Flávio e outras apurações em andamento no país.


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