Leandro Mazzini Brasília
O clima esquentou na reunião da bancada do PMDB no Senado, na terça-feira, entre Pedro Simon (RS) e José Sarney (AP), durante a escolha do sucessor de Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência da Casa. Os dois iniciaram um bate-boca, logo contornado:
- Você não é candidato agora porque quer vir em 2009 para ser eleito e depois ficar mais dois anos - acusou Simon.
- Não sou candidato em hipótese nenhuma - respondeu Sarney.
- Nenhuma mesmo? Nem em 2009? - insistiu o gaúcho.
- De forma alguma - replicou Sarney, taxativo e de olhos arregalados.
- Então Raupp (líder do PMDB), registre aí na ata, agora! "Sarney não é candidato à presidência do Senado em 2009" - complementou Simon, não menos irritado.
Mais que uma discussão numa contenda interna no partido, o senador Simon teve a certeza de que a ala fisiológica do PMDB, afeita a cargos e ao poder, venceu a da ideologia - assim prega ele, um dos sobreviventes do grupo minoritário composto pelo gaúcho, Jarbas Vasconcellos (PE) e Mão Santa (PI). A ascensão de Garibaldi Alves (PMDB-RN) à presidência do Senado, vaga de direito da sigla pela posição de maior bancada da Casa, é a manutenção no poder de um grupo que domina os cargos mais importantes no Congresso, liderado pelos ex-presidentes José Sarney (AP), Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), hoje deputado federal.
A disputa de terça-feira na reunião da bancada de 19 dos 20 senadores do PMDB foi uma reedição da escolha de 1995, quando 22 senadores compunham a legenda no Senado. À época, Simon perdeu a indicação à presidência para Sarney. Foram 13 votos para o ex-presidente da República, contra 5 do gaúcho e 4 de Íris Rezende (GO).
O que pesou contra Simon também é o fato de, a exemplo de 1995, ser visto como um anticandidato junto ao Palácio do Planalto, um ferrenho crítico da política econômica de Fernando Henrique Cardoso. A linha de independência e a campanha pela mudança do regimento do Senado enterraram a candidatura de Simon dentro do próprio PMDB. Entre outros pontos não aceitos pelos colegas, o senador propunha, se eleito, pontos que derrubaram as regalias do mesmo grupo ainda dominante: redução do poder do presidente do Senado para nomeações em cargos; exigência de relatório de atividades dos pares em viagens oficiais ao exterior; e uma pauta planejada durante o início do mês - assim, os senadores trabalhariam de segunda a sexta, sem folga, até votarem todos os itens.
Simon acusou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de interferir na escolha desta vez. Não bastasse ser visto como um parlamentar independente do Planalto, a possibilidade de Simon ressuscitar essas propostas de 1995 deixou temerosos os senadores do PMDB.
A maioria dos senadores do PMDB saiu da reunião com a certeza de que Sarney não blefa. Primeiro, porque ele está mais entregue à sua produção literária do que à política, embora tenha presença semanal no Congresso. Mas, principamente, pelo acordo bicameral entre PMDB e PT. Pelo trato, o deputado Michel Temer (PMDB-SP) assume a presidência da Câmara em 2009, para mandato de dois anos, e o PMDB cede aos petistas a vaga de presidente do Senado no mesmo período, o que impossibilitaria Sarney de ocupar o cargo.
Fonte: JB Online
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