BRASÍLIA - O depoimento do deputado Paulo Rocha (PT-PA) no processo do mensalão, prestado ontem na 10ª Vara da Justiça Federal, foi tumultuado por uma discussão áspera entre o réu, seu advogado, a juíza e o procurador da República. Ao constatar má vontade do deputado em responder ao interrogatório, a juíza Maria de Fátima Costa perdeu a paciência e, de dedo em riste, esbravejou: "O senhor me respeite. Quem manda aqui sou eu. Aqui não é a Câmara. O senhor não vai bagunçar a audiência com essa cara de humildezinho..., ou porque é do Pará ou sei lá de onde. O senhor fique quieto e responda".
Acusado pelo Ministério Público (MP) de lavagem de dinheiro no processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), ele admitiu que recebeu R$ 920 mil, em 2004, para pagar dívidas contraídas na eleição de 2002 pelo PT do Pará, o qual presidia.
Ele negou que tenha recebido qualquer valor para votar com o governo - o mensalão. "Como dirigente regional, fui ao local certo pedir ajuda para pagar dívidas, a tesouraria do meu partido". Ele explicou que o pedido foi feito ao então tesoureiro, Delúbio Soares, e o dinheiro foi pago em parcelas - R$ 620 mil para o PT e R$ 300 mil para o PSB.
Garantiu ter comprovantes de que os valores foram destinados à produção de material de campanha eleitoral. Rocha voltou a ser repreendido enquanto o procurador José Alfredo de Paula Silva fazia suas indagações. "Aqui o senhor não é deputado. Aqui o senhor é réu, é denunciado e é assim que será tratado", disse a juíza, orientando o procurador a fazer a pergunta que quisesse.
O advogado quis consertar as respostas e a juíza voltou a criticar: "O senhor podia não interferir! O senhor não é ignorante, nem eu. Então deixe que o réu se expresse". Num gesto que a juíza interpretou como desdém, Rocha manipulava o celular enquanto o procurador falava. "O Senhor quer desligar esse negócio aí!", disse ela.
Na saída, Rocha minimizou o episódio e se disse confiante na absolvição: "Estou tranqüilo e de cabeça erguida porque não cometi nenhum crime. Sou fundador do PT e na época dos fatos era líder da bancada do meu partido. Tem coerência eu receber dinheiro para votar com o PT nos projetos do governo?"
Ontem, também, prestaram depoimento outros dois acusados de envolvimento no escândalo. O deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), acusado de ter pertencido ao núcleo da organização denunciada pelo Ministério Público, disse que seu partido recebeu R$ 7,4 milhões do PT na partilha do caixa de campanha de 2002.
"Nunca eu ou deputados do PL votamos, no governo Lula, nenhuma matéria em troca de dinheiro", disse. Pela manhã, foi tomado o depoimento do deputado Pedro Henry (PP-MT), que negou envolvimento com o caso.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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