BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) vai chamar o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e sua mulher Tereza Jucá, ex-prefeita, para que deponham sobre um suposto esquema de compra de votos montado por eles em Boa Vista (RR) nas eleições de 2002. Os beneficiários desse esquema, de acordo com investigações do Ministério Público (MP), seriam o ex-governador Ottomar Pinto, morto na semana passada, e Jucá.
Diante dessa denúncia, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu, no último dia 7, um inquérito para apurar o caso, que está sob a relatoria do ministro Celso de Mello. Além dos dois depoimentos, o MP pediu à Polícia Federal que convoque para novos depoimentos as três testemunhas que revelaram a existência desse plano para a compra de votos.
As três eram contratadas pela prefeitura de Boa Vista. Nos depoimentos que prestaram à época à PF, as três testemunhas contaram que pessoas eram organizadas em funções distintas - corrente, elos, coordenador de bairro e militantes - para angariar votos.
Eles anotavam os nomes dos eleitores, seus endereços e dados do título de eleitor. Cada eleitor abordado, disseram as testemunhas, recebia R$ 50 na manhã do dia das eleições com a promessa de receber outros R$ 50 ao final do dia.
As testemunhas entregaram documentos que comprovariam o esquema e duas pequenas urnas eletrônicas com os nomes de determinados candidatos. A Polícia Federal terá 60 dias para cumprir todas as diligências, que se resumem a depoimentos.
O senador Romero Jucá afirmou que este caso já foi analisado e concluído pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Roraima. E considera natural que o MP queira aprofundar as investigações, inclusive porque o caso foi arquivado em Roraima por suposta falta de provas da irregularidade.
"Esse assunto é antigo, já foi encerrado no próprio estado", argumentou. "Da minha parte, estou à disposição para qualquer esclarecimento necessário", completou. Ao final das diligências e depoimentos, se o procurador confirmar não haver provas suficientes contra Jucá, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pode arquivar o inquérito. Caso contrário, oferecerá denúncia contra o senador ao Supremo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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