Cordel da Praça do Forró
Por José Montalvão
Na Praça do nosso Forró,
Que nasceu pra alegria,
Nem só de sanfona vive,
Nem só de dança e folia.
Tem história que preocupa,
E merece luz do dia.
Já passou, prefeito dançador,
Que no palco fez fervor,
Disputando o protagonismo
Com artista e cantador.
Governar pede presença,
Mais ação e mais vigor.
As autoridades não podem
Ser cegas, surdas, caladas;
A praça pertence ao povo,
Não pode ser abandonada.
Quem governa tem o dever
De manter a ordem zelada.
Teve festa de São João,
Terceira idade a sorrir;
Mas também houve desfiles
De sucata a existir.
Veículos destruídos,
Sem destino a definir.
O silêncio foi embora,
Com o som a estrondear.
Quem buscava um descanso
Já não podia repousar.
Direito ao sossego existe,
Também deve se respeitar.
Calçadas foram tomadas,
Área pública ocupada;
O pedestre vai pra rua,
Sem passagem reservada.
A cidade perde a ordem
Quando a lei é desprezada.
Motel a céu aberto, dizem,
Bem em frente às moradias;
Tema que provoca debates,
Críticas todos os dias.
Planejamento e respeito
Valem mais que fantasias.
Mictórios improvisados
Na frente de residência,
Ofendem quem ali mora,
Ferem toda convivência.
Cidade limpa e decente
É sinal de consciência.
E pra piorar a cena,
Veio a grande confusão:
Brigas, mesas derrubadas,
Garrafas pelo chão.
Teve até troca de cadeiras
Na triste agitação.
Tudo isso por "amor",
Assim disseram, então;
Mas amor que vira guerra
Perde logo a direção.
O verdadeiro carinho
Nunca produz agressão.
Por sorte ninguém morreu,
Foi livramento, afinal;
Feridos escaparam vivos
Num cenário sem igual.
Que desperte as autoridades,
O poder público e policial.
Praça boa é praça viva,
De cultura e tradição;
Onde o povo canta unido,
Sem perder a educação.
Com ordem, paz e respeito,
Vence toda a população.
Que o forró continue forte,
Com zabumba e violão;
Mas que reine a segurança,
A limpeza e a razão.
Porque alegria de verdade
Não combina com confusão.
E que a Praça do Forró
Seja orgulho da cidade;
Terra de festa e cultura,
De respeito e dignidade.
Pois o povo quer alegria,
Mas também civilidade.