
Pagamentos a escritório de Flávio levantam suspeitas
Bela Megale
O Globo
O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a investigação de pagamentos de R$ 4 milhões feitos, em 2025, pelo escritório Nilo & Almeida Advogados Associados à sociedade individual de advocacia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A representação aponta suspeitas de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
O dinheiro foi transferido em duas parcelas de R$ 2 milhões, em agosto e outubro do ano passado, sob a descrição genérica de “assessoria jurídica”. O segundo pagamento foi registrado em 21 de outubro, apenas 22 dias antes de o Senado votar a recondução do advogado Edvaldo Nilo de Almeida, sócio do escritório pagador, ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
VOTAÇÃO NO SENADO – Flávio participou da votação no Senado, em 12 de novembro, sem declarar impedimento. A indicação foi aprovada por 54 votos favoráveis, três contrários e uma abstenção. Como a votação foi secreta, o registro oficial não permite identificar o voto individual do senador. Segundo a representação, ele também participou da sabatina do advogado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O documento destaca que os R$ 4 milhões representam cerca de 29% de todo o faturamento documentado da sociedade de advocacia do senador entre janeiro de 2023 e julho de 2026. As notas fiscais não identificam clientes ou processos, e o escritório de Edvaldo Nilo não detalhou quais serviços teriam sido prestados.
Procurado pela imprensa, o advogado afirmou que os pagamentos decorrem de um contrato firmado em abril de 2025 e se referem a serviços prestados com Flávio para clientes privados, sem envolvimento de recursos públicos. Ele, porém, não identificou os clientes nem as causas atendidas.
QUEBRA DE SIGILOS – Rui Falcão pede que a PGR solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e das duas sociedades, além de relatórios de inteligência financeira do Coaf. O objetivo é rastrear a origem dos recursos e verificar se os valores têm relação com pagamentos de precatórios ou com entes públicos.
A representação também solicita que sejam apurados possíveis vínculos entre os pagamentos e a participação de Flávio na votação, além de eventual conexão com uma investigação em curso no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro.