sexta-feira, outubro 30, 2026

Salvador conta com mais um hospital habilitado para a doação de órgãos


 



                                      Foto Marília Simões 


Hospital de Brotas passa a contar com equipe multiprofissional especializada no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes


O Hospital de Brotas, em Salvador/BA, acaba de receber a habilitação de sua equipe e-DOT (Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes), responsável por organizar e acompanhar o processo de doação de órgãos e tecidos de pacientes com diagnóstico de morte encefálica. Com a nova habilitação, a unidade amplia sua contribuição para a rede de doação de órgãos na Bahia e passa a oferecer mais esse serviço aos beneficiários do Planserv - sistema de assistência à saúde dos servidores públicos estaduais.


Primeiro hospital privado a atender com 100% de exclusividade os beneficiários do Planserv, que reúne mais de 500 mil usuários, o Hospital de Brotas é gerido pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS).


O coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, Dr. Leonardo Azevedo, que integra a equipe e-DOT, destaca a importância da conquista. “Para mim, é uma imensa satisfação fazer parte da equipe de doação de órgãos e tecidos do hospital. Acredito que o transplante envolve um ato de generosidade e é fundamental que a gente incorpore, na cultura do nosso hospital, essa prática, para que ela se torne cada vez mais difundida no nosso Estado”, afirma.


A habilitação da e-DOT ocorreu em setembro deste ano, após um processo conduzido com o acompanhamento da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), por meio da Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes (COSET). O procedimento envolve duas etapas: análise da documentação apresentada pelo hospital e capacitação dos profissionais que irão atuar no processo de doação, conforme as normas do Sistema Nacional de Transplantes.


A Enfermeira-Coordenadora de Educação Permanente da COSET/SESAB, Carolina Sodré, acompanhou o planejamento para a habilitação do Hospital de Brotas. Ela explica que unidades hospitalares com perfis de assistência de alta complexidade e leitos de terapia intensiva são indicados para a implantação e habilitação de uma equipe e-DOT, mas precisam atender aos critérios estabelecidos.


O que é uma e-DOT?


A Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (e-DOT) é um grupo multiprofissional responsável por organizar e acompanhar as etapas do processo de doação dentro de uma unidade hospitalar. Sua atuação começa na identificação de potenciais doadores e inclui a articulação com as centrais de transplantes, o acompanhamento do diagnóstico de morte encefálica e o acolhimento e orientação dos familiares.


No Hospital de Brotas, a equipe é formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, profissionais que atuam de maneira integrada para garantir segurança, acolhimento e respeito às famílias durante todo o processo.


A enfermeira Gilca Cirne, integrante da e-DOT do HB, ressalta a importância da enfermagem nessa atuação. “O enfermeiro pode participar de todas as etapas do processo de doação de órgãos e tecidos. Entre suas atribuições estão a identificação de potenciais doadores, a realização das notificações aos órgãos responsáveis pela regulação de transplantes, o acompanhamento do processo de diagnóstico de morte encefálica e o acolhimento à família”, explica ela. 


A profissional também destaca que a humanização é indispensável, especialmente no momento de abordar os familiares. “O apoio emocional precisa respeitar o sofrimento do momento, as crenças, os valores e o tempo de cada família”, afirma.


Além do acolhimento, cabe à equipe fornecer informações claras sobre as etapas da doação, facilitar a comunicação entre os profissionais envolvidos e colaborar na entrevista familiar para solicitar a autorização da doação, sempre respeitando a autonomia e a decisão dos familiares. A enfermagem também participa, junto à equipe assistencial, dos cuidados necessários à manutenção clínica do potencial doador, contribuindo para a preservação dos órgãos e tecidos.


Brasil registra recorde de transplantes em 2025


Em 2025, o Brasil registrou 31.745 transplantes de órgãos, córneas e tecidos, de acordo com dados do Ministério da Saúde, alcançando um recorde histórico. No mesmo ano, foram registrados 4.335 doadores efetivos, de acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Entre os órgãos sólidos, o rim foi o mais transplantado, com 6.697 procedimentos. 


Apesar dos avanços, a recusa familiar continua sendo um dos principais desafios para ampliar o número de doações. Em 2025, 45% das entrevistas realizadas com familiares de potenciais doadores resultaram em negativa à doação, conforme dados da ABTO.


“Podemos assegurar que o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo. É um programa ético, seguro e transparente, que realiza transplantes de coração, fígado, rim, medula, córnea, ossos e pele. Porém, para que haja transplante, precisa haver doação. Por isso, as unidades hospitalares devem estar habilitadas para oferecer às famílias a oportunidade de doar e salvar vidas”, afirma a enfermeira Carolina Sodré.


Como formalizar a vontade de ser doador de órgãos e tecidos?


No Brasil, a doação de órgãos e tecidos depende da autorização da família, mesmo quando a pessoa manifesta em vida o desejo de ser doadora. Por isso, conversar com os familiares e deixar clara essa vontade é fundamental.

Uma das formas de registrar essa intenção é por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), documento disponibilizado gratuitamente pelo Colégio Notarial do Brasil, em parceria com o Sistema Nacional de Transplantes. 


O registro pode ser solicitado pelo site da AEDO ou pelo sistema e-Notariado, mediante identificação e assinatura digital. É importante destacar que a AEDO registra formalmente a manifestação de vontade, mas não substitui a autorização familiar exigida pela legislação brasileira.


Nem toda pessoa com diagnóstico de morte encefálica poderá ser doadora. A possibilidade depende de uma avaliação médica criteriosa, que considera o histórico clínico, as condições dos órgãos e tecidos e a existência de eventuais contraindicações.


Mas um único paciente com morte encefálica, e em condições de doação, pode salvar ou ajudar até oito vidas, sem custos materiais pessoais, com solidariedade, consciência, atitude e comunicação prévias!

Pauta enviada pelo  jornalista Fábio Almeida

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