Ministros do STF se surpreendem com decisão de Moraes sobre Flávio e temem por acirramento
Magistrados apostavam em esfriar tensão com o bolsonarismo
Por Mônica Bergamo/Folhapress
26/10/2026 às 20:05
Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) foram surpreendidos pela decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar que Flávio Bolsonaro (PL) entregue seu passaporte à PF (Polícia Federal).
Ele foi proibido de deixar o país. O magistrado embasou a decisão no fato de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, ter afirmado em uma entrevista que havia aconselhado o então candidato a deixar o Brasil em caso de derrota para Lula.
Um dos ministros afirmou à coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, acreditar que a atitude de Moraes pode comprometer os esforços de baixar a temperatura do universo político em relação à corte e ao próprio magistrado, que é alvo de uma série de pedidos de impeachment.
A ideia de parte do STF, segundo o mesmo integrante da Corte, era buscar diálogo e pacificação com o bolsonarismo, que foi amplamente vitorioso nas eleições para o Senado neste ano e defende o afastamento de Moraes.
Entre senadores eleitos e os que já estavam na Casa, 49 defendem que seja aberto um processo para afastar o ministro da cadeira. São necessários 54 votos para que isso ocorra —ou seja, apenas cinco a mais do que os votos já considerados certos.
A pressão para que a ação ande, portanto, será constante —mesmo com a vitória de Lula nas eleições, que retira do assunto a prioridade estabelecida pela família de Jair Bolsonaro.
Um segundo ministro afirma entender que o momento de recolher o passaporte de Flávio Bolsonaro não é apropriado. Ele acaba de receber 59,8 milhões de votos nas eleições presidenciais, ou 48,2% dos votos válidos.
Tomar uma medida judicial de força contra o ex-candidato pode passar a impressão de uma revanche e acirrar os ânimos do país.
Um terceiro magistrado concorda com os anteriores.
Mesmo atitudes consideradas golpistas da família Bolsonaro —Flávio não reconheceu de imediato a vitória de Lula e vai propor a cassação da chapa, e Eduardo Bolsonaro instou países estrangeiros a não reconhecerem o resultado —não exigiriam que a medida fosse tomada agora.
Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos no STF. Um deles, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro.
O segundo, sob relatoria de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, viagens pagas, dados em nuvem e vínculos financeiros de Flávio com o advogado Willer Tomaz.
Politica Livre