sexta-feira, outubro 23, 2026

Flávio Bolsonaro está nu como o rei da fábula

 

Marina Amaral, da Pública 

Flávio Bolsonaro está nu como o rei da fábula

O mais bonito foi ver as manifestações nas ruas, algumas com centenas de milhares de pessoas, como a que tomou doze quarteirões da Av. Paulista e coloriu Copacabana de ponta a ponta. Foi a nossa vez de vestir o verde amarelo (com ou sem estrelinhas) e sair em defesa do nosso país, ameaçado por uma extrema direita com uma tentativa golpista no currículo e agora fortalecida pelo apoio subalterno dos Bolsonaro aos planos expansionistas de Donald Trump.


A presença maciça da juventude - da UNE aos fandoms - nos atos que se repetiram em pelo menos 80 cidades brasileiras nesse 2º turno, trouxe um sopro de renovação política quase inesperado em uma campanha pelo quarto mandato de um presidente de 80 anos de idade. Energia que se transformou em eficiência inédita da centro-esquerda nas redes sociais, apesar das evidências concretas de jogo sujo por parte das Big Techs e do TSE de Nunes Marques e André Mendonça para prejudicar a campanha de Lula.


Isso sem falar no episódio lamentável do governo Tarcísio de Freitas, com a PM repetindo um artifício usado na véspera do 2º turno da primeira eleição presidencial direta depois da ditadura - se em 1989, vestiu os sequestradores de Abílio Diniz com as camisetas do PT para exibir para a imprensa dias antes do pleito; agora faz o mesmo com suspeitos de tráfico de drogas detidos e fotografados ostentando camisetas novas com dizeres da campanha de Lula e a sigla da associação dos professores.


Mas, ao contrário das milícias digitais da extrema direita, a campanha da centro-esquerda nas redes, privilegiou a empatia - foram muitos os posts autocríticos sobre a arrogância ou falta de compreensão na comunicação com a direita - e se apoiou em fatos reais para apontar o risco da candidatura de extrema direita à soberania, à democracia, aos direitos constitucionais e às conquistas sociais, a mais recente delas, o fim da jornada 6x1. Tanto que o “dá um google” se tornou argumento para a campanha de Lula.


Mas essas pautas passaram longe ou foram deturpadas em manchetes de jornais e escaladas da TV durante todo o 1º turno, quando as empresas jornalísticas se ocuparam de vazamentos seletivos de processos que estavam com o ministro André Mendonça, engajado na campanha de Flávio, e de críticas ao governo Lula até em relação a medidas de óbvio interesse público, como a proibição das bets (essa prejudicial aos seus negócios).


Enquanto isso, o jornalismo independente se unia na investigação da interferência de Trump e das Big Techs promovida pelo lobby bolsonarista, dissecava as relações movidas a dinheiro e favores de Flávio e seu entorno político com Daniel Vorcaro, revelava o impacto da influência nefasta de Flávio nos hospitais federais do Rio durante a pandemia, apontava bens, favores e recursos sem origem clara e alertava para o risco de eleger envolvidos com a recente tentativa de golpe, agora impulsionados pelo “amigo” americano.

“Piauí, Intercept, ICL, Repórter Brasil e tantos outros veículos independentes, como a própria Agência Pública, produziram conteúdos decisivos para entender o que realmente está em jogo nestas eleições. Iniciativas como o Revelando, uniram artistas e jornalistas e deram sentido aos fatos levantados pelos jornalistas, e denúncias embasadas foram transformadas em munição por líderes digitais para desnudar a real personagem por trás da fala escorregadia de Flávio Bolsonaro. Celebridades, influencers, personalidades de todos os campos do conhecimento se uniram ao movimento contra a extrema direita, engrossando o caldo anti-fascista e resgatando nossa identidade política e cultural.

Se as empresas de jornalismo perderam o rumo na tentativa de equiparar bananas com donuts, os eleitores engajados e informados pela imprensa independente fizeram questão de mostrar as diferenças fundamentais entre os candidatos. Do Dark Horse às regalias de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos Estados Unidos, dos lucros astronômicos do escritório de advocacia de Flávio enquanto ele exercia o mandato como senador às ligações perigosas com o advogado Willer Tomaz, jogos online e com o careca do INSS. 


Revelações de arrepiar até quem toma Flávio pelo valor de face, como homem de família e evangélico, caso de mulheres e religiosos conservadores. O que estarão dizendo agora diante da mais recente revelação da Piauí, que coloca Flávio em uma lancha no lago Paranoá em um churrasco com garotas de programa e lobistas de farmacêuticas indianas em plena pandemia? Aposto que Michelle tem usado muito o WhatsApp. 


Também vieram notícias de balançar os corações endurecidos de medo que acreditam na extrema direita de Flávio para combater o crime. Logo ele, o homem das milícias - a ponto de enviar uma emenda parlamentar para um miliciano envolvido no assassinato de Marielle Franco - além das relações perigosas de seus aliados políticos com o CV e o PCC. 


Sem falar no caso da menina Ana Clara, assassinada há 6 anos por um PM, que se mantém livre até hoje pela atuação de Flávio como advogado. Quem pode acreditar no candidato diante da falta de compaixão com o sofrimento da família da criança?


Medos e anseios compreendidos principalmente pela juventude na campanha de Lula e explicados com clareza notável se converteram nas redes em defesa firme da democracia, da liberdade, do ensino público, do SUS, do Bolsa Família, do reajuste do salário mínimo, dos direitos indígenas, das mulheres, da Amazônia e do futuro das novas gerações, com apoio das informações trazidas pelo jornalismo que não se deixou cegar pela “imparcialidade”.


E a sociedade agora pressiona a própria imprensa, caso da exigência de checagem no debate da Globo, que acabou sendo aceita a contragosto pela emissora (vamos ver como vai ser porque também há pegadinhas nesse caminho; a Lupa, Aos Fatos e o ICL, entre outros, também farão checagem).


Como tantos vêm dizendo e não posso deixar de falar, descobrimos em nós mesmos uma energia e uma inteligência para resistir que será importante se Lula vencer, e crucial se uma derrota nos colocar na mira da extrema direita e dos Estados Unidos. Por enquanto celebro a beleza da união entre jornalismo a serviço do interesse público e a população que valoriza o diálogo e as conquistas sociais, frutos de uma história tão sofrida que não pode ser esquecida. Boa votação no domingo!



Um abraço,


Marina Amaral

marina.amaral@apublica.org

Diretora Executiva da Agência Pública

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TCHÊ TCHÊ RÊ RÊ

👉 Gusttavo Lima pressionou Vorcaro por acordo para movimentar R$ 23 bilhões. Cantor, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro, propôs a dono do Master fornecer maquininhas de cartão de crédito em MG. Enquanto isso, "Dark Horse da Shopee", 2º filme sobre Bolsonaro, teve convite a Vorcaro e é alvo da Ancine.


CASO ANA CLARA

👉 Em 2021, Ana Clara, que brincava na porta de casa, foi morta a tiros pelo policial Bruno Dias Delaroli. Flávio Bolsonaro é o advogado que atuou no caso e manteve o policial fora da prisão até agora. ⁠A Pública entrevistou Cristiane, mãe de Ana Clara, que tem se sentido ameaçada, chegou a ser despejada da casa onde morava e relata dificuldades para conseguir trabalho.⁠


AMIGO DE FLÁVIO

👉 Plataforma de apostas Blaze teve operadora que funcionou no mesmo endereço de empresas de Willer Tomaz, “advogado amigo” de Flávio Bolsonaro e atualmente investigado pela Polícia Federal (PF) por lavagem de dinheiro.⁠

⁠Além disso, empresa Direção Táxi Aéreo LTDA, ligada a Willer Tomaz, foi administrada por diretor da Polícia Civil do DF.


E MAIS:

👉 Foragido, líder do garimpo ilegal Rodrigo Cataratas tem empresas e bens de luxo nos EUA.

👉 Ministério Público encurrala Meta para barrar bloqueios e restrições nas eleições.

👉 Políticos têm rede ‘paralela’ na Meta sem declarar ao TSE.

👉 Homens praticam tiro contra imagem de Lula em clube de São Paulo.

👉 Deputado detido após atingir jornalista Fred Bruno com um tiro em uma festa defendeu liberação de armas em 2017.

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#79 - As ameaças são reais – a resistência também


O Bom dia, fim do mundo fala sobre as principais ameaças aos direitos constitucionais, e também sobre a resistência popular que está se organizando em várias frentes. 

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Na entrevista com Andrea Dip, psicanalistas do podcast Vibes em Análise falam sobre o aumento da solidão e como as redes transformaram a ideia de coletividade.

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