segunda-feira, fevereiro 06, 2023

Cinco personagens decidirão o rumo do país nos próximos dois anos




“Não há muitas dúvidas sobre o poder de Lula, mas o presidente manda menos do que mandava”. 

Por Murillo de Aragão (foto)
 
Com a eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, respectivamente, está completo o time dos personagens que vão determinar o rumo de nosso país nos próximos dois anos.

Além de Lira e Pacheco, integram a lista o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto; e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que é uma espécie de ombudsman da nação.

Não há muitas dúvidas sobre o poder de Lula como presidente. Por outro lado, existe a certeza de que o presidente da República manda menos do que mandava. É um fenômeno que vem ocorrendo de forma gradual em razão do exercício de poder crescentemente expandido do Congresso e do Judiciário.

Na escala de poder, Arthur Lira, como presidente da Câmara, é o segundo nome mais poderoso do país. Tanto por ser o grande agregador de maiorias na Casa quanto por ter a palavra inicial no processo de impeachment do presidente da República. Lira tem ainda o poder “engavetador” de temas que não tenham consenso, além de imensa influência nos destinos do Orçamento da União.

Prosseguindo, temos Rodrigo Pacheco que tem poder semelhante ao de Lira, mas sem a capacidade de iniciar pedidos de impeachment presidencial. Caso a investigação seja aprovada na Câmara, o presidente é afastado do poder e aguarda, fora do cargo, o julgamento do Senado.

Na sequência, temos Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, que é o comandante das políticas cambial e monetária. De fato, é quem lidera o combate à inflação e tem imensa influência sobre os humores do mercado e as decisões de investimento.

Por fim, temos Alexandre de Moraes, que, pelo seu protagonismo e ascensão sobre a agenda do momento, assume a liderança dentro do Judiciário em termos de influência política. Os demais ministros, em especial Rosa Weber, presidente do STF, também são importantes e se revezam com Moraes na participação no pentagrama do poder no país.

Alguns podem estranhar certas ausên­cias entre os cinco mais poderosos. Porém o comando direto do país está entre os cinco que eu mencionei. A lista deve ser expandida com outros cinco que também se destacam: Fernando Had­dad, ministro da Fazenda; Augusto Aras, procurador-geral da República; Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo; Geraldo Alckmin, vice-­presidente da República e ministro da Indústria e Comércio; e Rui Costa, chefe da Casa Civil da Presidência da República, que é uma espécie de secretário-geral do governo.

Como vemos, o núcleo duro de poder no Brasil é facilmente identificável. O quadro se completa com os ministros do STF, que, em face de seu poder monocrático, são decisivos, bem como mais alguns ministérios estratégicos, como os da Agricultura, Planejamento e Defesa, além de lideranças do Congresso.

O que parece limitado em termos de personagens revela uma fragmentação de poder única na história do país. Todos os poderes têm relevância na condução do Brasil. Historicamente, não foi assim. O fenômeno merece ser observado com atenção. Tanto por quem governa quanto por quem é governado.

Revista Veja

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