sábado, março 18, 2023

Ibaneis tem dúvida se há culpados pela invasão e depredação em Brasília

Publicado em 18 de março de 2023 por Tribuna da Internet

Ibaneis diz que houve ‘apagão geral’ nos atos de 8 de janeiro

Pedro do Coutto

Ao reassumir na quinta-feira o governo de Brasília, Ibaneis Rocha, que havia sido afastado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, fez declarações que só podem comprometê-lo quando a sua posição for apreciada em definitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Afirmou que se houver culpados pelos atos selvagens na capital do país, os mesmos serão punidos. E, ao mesmo tempo, defendeu o ex-ministro Anderson Torres, que se encontra preso. Ibaneis acrescentou que o que houve na cidade foi um “apagão geral na Segurança Pública”.

O seu pronunciamento, quase que inacreditável, pois colide frontalmente com os fatos do conhecimento de toda a população brasileira, foi transmitido também na tarde de quinta-feira pela GloboNews e ontem foi focalizado em reportagens de Thaísa Oliveira, César Feitosa e Lucas Marchesini, na Folha de S. Paulo, e na matéria de Natália Santos e Rayssa Motta, O Estado de S. Paulo.

CONTRADIÇÃO – As declarações de Ibaneis Rocha são tão absurdas que só podem complicá-lo ainda mais no processo da invasão pelo qual chegou a pedir desculpas públicas ao presidente Lula da Silva, que não as aceitou.Se o governador que agora retorna desculpou-se pelo acontecido, como pode ele acentuar existirem dúvidas sobre os culpados pela violência que destruiu o patrimônio público, tanto no Palácio do Planalto quanto na sede do STF e no edifício do Congresso Nacional? Para Ibaneis Rocha foi um conjunto de erros. “Tivemos falhas da Polícia Militar, do Batalhão do Exército, na Segurança Pública da capital”, afirmou.

O governador passou a sofrer resistências políticas também na Assembleia Distrital da cidade. O senador Renan Calheiros, por seu turno, disse que a saída de Ibaneis Rocha do partido, MDB, deve ser uma consequência inevitável. Acentuo que Ibaneis não se julga responsável por nada, sobretudo quando ignorou a saída de férias de Anderson Torres do cargo de Secretário de Segurança de Brasília, quando foi substituído na véspera do dia 8 de janeiro pelo delegado Fernando Oliveira.  

Segundo a declaração de Ibaneis, Fernando Oliveira informou a ele, no Palácio do Buriti, que a situação era de calma. Na realidade, a calma é desmentida evidentemente pelas turbas que desembarcaram em Brasília e rumaram para a Praça dos Três Poderes, articuladas entre si para provocar uma situação de calamidade no país. A calamidade ocorreu, mas entre os responsáveis inclui-se o próprio governador Ibaneis Rocha, o qual acredito seja condenado pela Corte Suprema do país. Manifestar dúvida se existem culpados quando mais de mil pessoas foram presas é algo que soa ser inacreditável.

CRÍTICA – Em artigo publicado na edição de ontem, O Globo, Bernardo Mello Franco, analisa e ataca as declarações de Ibaneis Rocha, classificando os acontecimentos em Brasília como um apagão geral. Mello Franco tem razão ao condenar a mediação do governador da capital do país. Apagão geral ?

Pelo contrário. Uma associação geral de golpistas visando criar uma situação que levasse a uma intervenção militar bolsonarista e à ruptura constitucional, provocando a queda do presidente Lula e a violação das eleições, na verdade nada tem de apagão. Trata-se de uma tenebrosa iluminação lançada pelas tochas subversivas, antidemocráticas e bolsonaristas, congregando os inconformados em um ataque alucinado à democracia brasileira.

ERRO DE MACRON – A decisão do presidente da França, Emmanuel Macron, de implantar uma reforma da previdência, elevando a idade mínima dos empregados de 62 para 64 anos, foi amplamente rejeitada pela opinião pública na medida em que 70% da população repudiou o seu ato. Macron caiu numa contradição gravíssima. Sentido que perderia a votação na Assembleia Nacional (deputados, pois na França não existem senadores), resolveu usar um duvidoso recurso constitucional para implantar a medida por decreto executivo. Por que decreto executivo, se ele havia encaminhado o projeto ao Legislativo ?

As consequências da contradição em que caiu já causam manifestações públicas em Paris e outras cidades francesas, provocando um grande desgaste político para o presidente que entrou na contramão dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da França. É o tal negócio, em vez de o governo tentar elevar a receita pública, parte para reduzir as despesas cortando direitos consolidados, pois o que Macron praticou foi a mudança das regras no meio do jogo. No máximo, poderia determinar a mudança, mas para os que ingressam no mercado de trabalho.

CONSIGNADO –  Reportagem de Geralda Doca e Ana Flávia Pilar, O Globo, destaca que o Bradesco, Itaú, Mercantil do Brasil, BMG, e CS Bank suspenderam os empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS. A medida decorreu de uma iniciativa do ministro Carlos Lupi, da Previdência Social, aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social.

A redução dos juros foi de 2,1% para 1,7% ao mês. Esse patamar é considerado insustentável pelo sistema bancário. A matéria acrescenta que a medida foi tomada sem exame da equipe econômica e também sem informação prévia à Casa Civil da Presidência da República. Mais um problema para o governo resolver.

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