segunda-feira, março 20, 2023

Fracasso na perícia de digitais encontradas na minuta favorece a defesa de Torres

Publicado em 20 de março de 2023 por Tribuna da Internet

Anderson Torres, na época ministro da Justiça, participa de comissão da Câmara

Torres mente ao dizer que não lembra quem entregou a minuta

Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura
O Globo

A perícia realizada pela Polícia Federal nas digitais da minuta golpista encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres ainda não encontrou elementos que ajudassem a esclarecer de onde veio o documento e quem o redigiu.

De acordo com fontes ligadas à investigação, a análise só identificou no papel três das digitais encontradas: a do próprio Anderson Torres, de um delegado e de um advogado que acompanharam a operação de busca e apreensão, realizada alguns dias depois do atentado golpista de 8 de janeiro. A suposição da PF, por ora, é que eles foram as últimas pessoas a pegar o documento.

OUTRAS DIGITAIS – A perícia encontrou ainda vários fragmentos de outras digitais, que agora serão alvo de uma segunda etapa de verificação em busca de novas pistas. Como são apenas fragmentos, a análise será mais demorada – e sem garantia de sucesso.

Uma outra linha de averiguação se cogitou no início das investigações, a análise das características do papel e suas marcas para tentar encontrar a impressora de origem, MAS também não teve resultado.

Por causa da minuta, na prática o rascunho de um decreto dando poderes ao presidente da República para interferir na atuação do TSE, uma nítida tentativa de dar ares de legalidade a um possível golpe de estado, Torres foi chamado como testemunha no processo em que o PDT pede a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

REUNIÃO COM EMBAIXADORES – O processo, um dos mais avançados entre as 16 ações em andamento no tribunal, apura as circunstâncias de uma reunião com embaixadores em que Bolsonaro lançou suspeitas sobre o sistema eleitoral brasileiro.

Em janeiro, o corregedor da Justiça Eleitoral, ministro Benedito Gonçalves, decidiu incluir a minuta no processo por considerar que a reunião e a minuta estão no mesmo contexto – os ataques sistemáticos do governo Bolsonaro à lisura do processo eleitoral – e por isso devem ser analisados conjuntamente.

A defesa de Bolsonaro contestou, mas a decisão de Gonçalves foi mantida por unanimidade pelo plenário do TSE no mês passado.

PERÍCIA NAS DIGITAIS – Na última quinta-feira (16), pouco antes de um depoimento de Torres que a defesa de Bolsonaro tentou adiar, sem sucesso, os advogados do ex-presidente pediram ao TSE que solicitasse ao Supremo Tribunal Federal (STF) os resultados da perícia nas digitais da minuta.

Para a defesa de Bolsonaro, que tenta empurrar o julgamento do caso para o segundo semestre, esses elementos “ostentam o condão de auxiliar na mensuração da gravidade da conduta objeto de apuração nos autos”.

O pedido, que estava incluído dentre vários outros, chamou a atenção dos investigadores. Concluiu-se, na PF, que os advogados já têm a informação sobre de quem são as digitais, e pretendem usar a resposta para tentar desqualificar a investigação.

OUTRA VERSÃO – No TSE, porém, considera-se que a informação sobre os donos das digitais já identificados também pode servir para desqualificar o próprio Torres, que afirma ter recebido o documento de sua assessoria, sem dar o nome de ninguém.

“Se ele recebeu de alguém, por que essa digital não apareceu?”, questiona uma fonte que acompanha de perto os desdobramentos do caso.

A julgar pelo que se passou nos bastidores até agora, a busca pelas digitais do golpismo ainda vai render muita polêmica.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, fracassou a coleta de digitais. Se fosse possível identificar os fragmentos de digitais, isso já teria acontecido. Assim, a existência desses fragmentos ajuda a defesa de Anderson Torres, ao invés de agravá-la. Sabe-se que ele está mentindo abertamente, ao dizer que não se lembra de quem lhe entregou a minuta. Mas se a Polícia fosse prender toda autoridade brasileira que conta mentira, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes se transformariam num deserto. (C.N.)

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