BRASÍLIA - O governo trabalhará nesta semana para que os governadores do PSDB convençam o maior número possível de senadores do partido a votar a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. A bancada da legenda discutiu o assunto e decidiu votar contra, mas, como não fechou questão, a administração federal avalia que há margem para negociar votos no meio tucano com a ajuda dos governadores.
Amanhã, a executiva nacional da sigla se reúne para se despedir do presidente nacional, senador Tasso Jereissati (CE), que deixa o cargo nesta semana. Não está afastada, porém, a possibilidade de a prorrogação da CPMF voltar à discussão.
Dos três senadores da agremiação que representam estados administrados por tucanos, dois - Cícero de Lucena (PB) e João Tenório (AL) - têm se manifestado, na bancada, de maneira contundente contra a CPMF. Mas os interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperam que os governadores da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), ajudem na conquista dos votos de Lucena e Tenório a favor da CPMF.
Outro senador que tem relação estreita com o governador é Eduardo Azeredo (PSDB-MG), ligado a Aécio Neves (PSDB). Ele foi voto vencido na reunião da bancada ao defender a continuidade das negociações do PSDB com o Poder Executivo federal.
"Os governadores podem movimentar-se, mas a bancada já assumiu sua posição", disse Azeredo ontem, afirmando que até o momento não recebeu nenhum apelo de Aécio para favorecer o Executivo federal. O senador do PSDB de Minas Gerais reconhece que o Palácio do Planalto aperfeiçoou a proposta ao acertar com os aliados a redução gradual da alíquota da CPMF.
"Mas essa redução ainda continua tímida, e não vejo nenhuma proposta relevante à vista", ressaltou. Na avaliação de senadores do PSDB, a prorrogação só beneficia a gestão Lula e, na eventualidade de os tucanos voltarem ao poder, em 2011, a arrecadação seria menor por causa da redução gradativa da alíquota.
Conforme a proposta governamental, estaria em 0,30%. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) não vê também possibilidade de a bancada recuar. "Deixamos isso muito consolidado. É uma questão de honra do partido", observou. "O presidente Lula pode perder seu tempo que ele não conseguirá mudar votos na bancada usando os governadores", completou.
Para Dias, os governadores não têm como impor a defesa da CPMF, e uma iniciativa nesse sentido seria "desastrosa". Ele lembrou também que a situação do Planalto está delicada e depende, principalmente, de que a base absolva o presidente licenciado do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para não correr mais riscos. "A eventual cassação do mandato de Renan aumenta os votos do PMDB contra a CPMF", concluiu.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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