
Se os itens fossem personalíssimos, ficariam com Bolsonaro
Matheus Leitão
Veja
Ao dizer que atenderá à decisão do TCU e devolverá as joias que ganhou da Arábia Saudita, o ex-presidente Jair Bolsonaro não melhora em nada a sua situação com a Justiça. Ao contrário. Na opinião da coluna, piora, porque toda a defesa do líder da extrema-direita era uma só: a de que aqueles presentes milionários fazem parte das relações bilaterais entre chefes de estado e seriam personalíssimos.
Fosse tão simples assim, se os presentes fossem mesmo personalíssimos, por que Bolsonaro tentou tanto reaver as joias de Michelle e não conseguiu?
DENTRO DA MOCHILA – Era um assessor presidencial pra cá, outro para lá – ambos autorizados por ele. Era carteirada de ministro de Estado, era funcionário público tentando trazer joias milionárias numa mochila, omitindo informações do Estado. Era tentativa de pôr as valiosas peças nos acervos públicos e privados.
Sinceramente? Ficou muito ruim até para o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, que acabou desmascarado tentando mudar a jurisprudência da corte para que Bolsonaro fosse considerado “fiel depositário” do estojo com relógio, da caneta, das abotoaduras e do rosário.
Todas as peças em ouro, fabricadas por uma das joalherias mais caras do mundo.
COMÉRCIO EXTERNO – Estamos falando da Arábia Saudita, um “reino” ditatorial que aumentou seus negócios com Brasil – levando a um recorde de importações, e o governante – que, em troca (é isso que os órgãos investigadores precisam apurar) – enviou cerca de R$ 20 milhões em joias para o então presidente e a primeira-dama.
Antes de Bolsonaro, o Brasil era a 40ª nação que mais comprava dos sauditas. Depois de Bolsonaro, vejam, transformou-se no 27° maior parceiro do reino.
A Arábia Saudita ganhou muito com isso. Inclusive os Emirados Árabes compraram uma refinaria da Petrobras. E o Brasil? O que ganhou?