
Charge do JCaesar/Veja
Rosana Hessel
Correio Braziliense
Apesar de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentar minimizar o tom da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, afirmando considerar que o documento foi “mais amigável” do que o comunicado, analistas do mercado alertam para os riscos desse bombardeio generalizado de críticas, no qual petistas estão usando argumentos de bolsonaristas radicais para afastar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato termina apenas em 2024.
O fato de Campos Neto não ter votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está incomodando os petistas mais radicais do governo que partiram para a fritura dele, com efeitos nada positivos no mercado financeiro.
EXTREMISMO – Para o economista e consultor André Perfeito, ex-economista-chefe da Necton Investimentos, os argumentos utilizados para que Campos Neto deixe o cargo ou seja exonerado são parecidos com o de bolsonaristas extremistas que querem o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Há quem queira tirar Campos Neto por não ter cumprido a meta de inflação nos últimos anos e sendo assim foi ineficaz na sua função. Pois bem, gostariam que ele e a diretoria do Banco Central tivessem colocado os juros mais altos? Certamente que não… Outro argumento ainda mais falacioso é aquele que diz que Campos Neto não foi eleito e por isso não teria legitimidade. Ora, não era esse o mesmo argumento odiento que bolsonaristas radicais usavam para atacar os ministros do Supremo?”, destacou André Perfeito, em nota enviada a investidores. à qual o Blog teve acesso.
De acordo com o analista financeiro, ao fritar o Campos Neto até que saia ou peça para sair, o novo governo só vai trazer elevação do custo da dívida.
CRISE DESNECESSÁRIA – “Seja porque ainda não há arcabouço fiscal definido ou porque agora haverá dúvida sobre a condução do sistema de metas de inflação, o custo que se está contratando para um eventual novo presidente do Banco Central ou um novo diretor é muito mais vezes elevado do que seria necessário”, alertou.
A seu ver, essa troca de farpas é mais um jogo de cena, uma vez que o presidente Lula não deve gastar o capital político tentando acabar com a independência do Banco Central, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não vai deixar os juros no atual patamar até o fim do ano, pois a tendência é de queda nas projeções do mercado, para 12,50% no fim do ano, conforme dados do boletim semanal Focus, do Banco Central.
Na ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, o Banco Central usou a palavra risco 20 vezes ao justificar a manutenção da taxa básica da economia (Selic) em 13,75% ao ano, mais do que as 15 vezes da ata da reunião anterior, de dezembro de 2022. O consenso entre analistas do mercado é que será difícil para o BC reduzir os juros enquanto o novo governo não apresentar um plano crível para equilibrar as contas públicas.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como se vê, Lula confundiu a nota do Copom com a ata que o Conselho só divulga duas semanas após a reunião. Ou seja, Lula disse ter lido uma ata que ainda nem existia. É bem o seu estilo, não mudou nada, rigorosamente nada. (C.N.)