sábado, fevereiro 11, 2023

Eleitor desconfia da Justiça quando pune seu candidato e confia quando pune o rival


A face positiva da polarização política - 27/08/2019 - Opinião - Folha

Charge do Hubert (Folha)

Carlos Pereira
Estadão

Temos observado uma completa inversão na percepção dos eleitores brasileiros em relação à confiança que depositam no Judiciário. Quando o Supremo Tribunal Federal deu suporte à Lava Jato, com sua estratégia coordenada de atuação entre juízes, procuradores e investigadores, atingindo resultados sem precedentes na luta contra a corrupção, com a recuperação de recursos vultosos e a imposição de perdas judiciais não triviais às principais lideranças do PT, os eleitores de esquerda rejeitavam a atuação coordenada da Justiça.

Acreditavam que tais ações coordenadas, embora aumentassem a eficiência no combate à corrupção, poderiam colocar em risco os direitos individuais dos acusados.

VISÃO DIFERENTE – Por outro lado, os eleitores de direita apoiaram de forma consistente as ações coordenadas da Lava Jato que aumentassem a eficiência dos agentes da Justiça contra a corrupção, mesmo que os direitos individuais dos acusados pudessem vir a ser prejudicados.

Esses resultados foram obtidos em pesquisa de opinião experimental que desenvolvi em parceria com Mariana Furuguem em 2021.

Enquanto os eleitores de esquerda (valores mais baixos de ideologia) rejeitaram as iniciativas coordenadas da Lava Jato, os eleitores de direita (valores mais altos de ideologia) apoiaram fortemente.

DIZ A PESQUISA – O jogo parece ter virado com a atuação do Supremo, especialmente a postura firme do ministro Alexandre de Moraes (também presidente do Tribunal Superior Eleitoral), durante e após as eleições de 2022, contra “fake news”, mesmo quando esta, para alguns, se confunda com censura prévia em nome da democracia.

Os resultados da pesquisa Atlas Intel-Jota sugerem que os eleitores de direita, outrora punitivistas, ficaram mais “garantistas”. Por outro lado, os eleitores de esquerda, “garantistas” durante a Lava Jato, ficaram mais “punitivistas”.

A sociedade brasileira está bastante dividida em relação ao nível de confiança na atuação dos ministros do Supremo. Enquanto 45% dos respondentes confiam nos seus juízes, 44% desconfiam e 11% não sabem.

EFEITO DA POLARIZAÇÃO – Entretanto, quando foi levado em consideração como os entrevistados votaram no primeiro turno da eleição presidencial de 2022, fica estampado o efeito da polarização na avaliação que os eleitores fazem da Justiça. Enquanto 81% dos eleitores que votaram em Lula confiam no Supremo, 91% dos que votaram em Bolsonaro não confiam neste tribunal.

Parece que eleitores tendem a confiar mais no Judiciário quando sua atuação impõe perdas ao partido ou candidato que rejeitam, mas imediatamente atacam o Judiciário quando a atuação independente do juiz prejudica o partido ou o candidato que amam.

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