segunda-feira, agosto 15, 2022

Cúpula bolsonarista sonha ficar “pelo menos” 20 anos no poder, se vencer Lula na eleição

Publicado em 15 de agosto de 2022 por Tribuna da Internet

Marcos Pontes, Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em convenção do Republicanos em SP, neste sábado (30) — Foto: Roberto Casimiro/FotoArena/Estadão Conteúdo

Ao lado do astronauta, Bolsonaro sonha voar ainda mais alto…

 

Andréia Sadi
G1 Brasília

O projeto de poder de Jair Bolsonaro (PL) e de seu grupo político prevê um ciclo de poder de 20 anos, se Lula (PT)for derrotado. É esse o principal argumento que o QG da reeleição tem martelado junto a Jair Bolsonaro (PL) para convencer o presidente a deixar de lado – pelo menos nos próximos 50 dias – os ataques e ameaças à democracia e a trocar esse discurso por medidas econômicas.

O blog ouviu os mais próximos auxiliares do presidente que, nas últimas semanas, têm atuado nos bastidores para mudar o discurso central da campanha: convencer o eleitor de centro que o presidente não vai adotar um golpe institucional se for reeleito.

TIROS NO PÉ – A campanha de Bolsonaro tem consultado especialistas em pesquisas que, basicamente, apontaram dois “tiros no pé” de Bolsonaro nos últimos meses: ataques à democracia, como críticas a manifestações e às cartas pela democracias – além dos ataques às urnas. Bolsonaro ouviu que o eleitor de centro, incluindo o eleitor que votou nele em 2018 por um “antipetismo light”, rejeita instabilidade democrática.

Após a reunião de Bolsonaro com embaixadores, o QG da reeleição praticamente se transformou num gabinete de crise – crise, esta, causada pelo próprio presidente.

Diante desse diagnóstico sobre o que desgaste Bolsonaro nas pesquisas, o QG da reeleição se se viu às voltas com o desafio: como colocar em foco novamente os efeitos do Auxílio Brasil, que havia sido aprovado dias antes da reunião, e convencer Bolsonaro a não priorizar os ataques às urnas e ensaiar um discurso de paz com o TSE?

20 ANOS – Um dos principais estrategistas do governo e da campanha explica o que credita ser o argumento que pesou para Bolsonaro a três meses da eleição, diante do risco de perder o poder: “Foi quando ele ouviu que, se ganhar a eleição, o projeto é de 20 anos. Se ganharmos do Lula, vamos perder para quem?”

Mas, para isso, o presidente precisa seguir o script do Centrão e de Paulo Guedes: se afastar das ameaças golpistas evitar “incendiar” a relação com o Judiciário – principalmente no 7 de setembro – e focar em anúncios econômicos para colher frutos eleitorais junto à população.

Inclusive, sobre o 7 de setembro, ministros do governo avaliam que o Congresso não dará seguimento ao aumento dos servidores do Judiciário (de 18%) antes das eleições: em conversas reservadas, integrantes da equipe econômica alertaram integrantes do Judiciário e do Congresso que temem uma reação de outras categorias com greves se o aumento sair, além de servir como “munição” a bolsonaristas radicais que, inflados pelos discursos de ataque ao STF do presidente, reajam nas ruas.

AUXÍLIO BRASIL – Com o início do pagamento do auxílio, desde o último dia 9, a campanha de Bolsonaro prevê, agora, o que chama de “onda bolsonarista”: um crescimento em setores mais pobres e entre mulheres – onde ele tem dificuldades – e, com isso, uma redução da vantagem de Lula no primeiro turno.

Para a campanha de Bolsonaro, o presidente tem apenas um adversário: ele mesmo. Por isso, tentam convencer o presidente a segurar arroubos autoritários e de cunho golpista por prazo determinado: o fim do segundo turno.

E batem na tecla, o tempo todo, de que se ele for reeleito a esquerda não voltará ao poder por um ciclo de “pelo menos 20 anos”. Entre as figuras do campo bolsonarista que mais atraem o Centrão estão nomes como Tarcisio Vieira e Campos Neto, além da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É sempre a mesma bobajada, os governantes ficam fascinados pelo poder. Os tucanos de Fernando Henrique Cardoso diziam a mesma coisa. Depois, os petistas passaram a ter o mesmo sonho. Agora são os bolsonaristas que vêm com a mesma conversa deplorável. Bem, sonhar não é proibido nem paga imposto(C.N.)

Em destaque

Vaga no STF expõe disputa de poder entre Lula e Alcolumbre

Publicado em 4 de junho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Gesto de Lula foi mais político do que prático Malu ...

Mais visitadas