terça-feira, outubro 21, 2025

O real adversário de Lula em 2026

 


Terça-feira, 20 de outubro de 2025


O real adversário de Lula em 2026



De militante do PT a gestor público do MDB, Isaac Faria encarna uma nova lógica da política. E profetiza: “Emendas vão vencer a eleição”.

As pesquisas estão cada vez melhores para Lula. A oposição está sem rumo. E, por ora, o presidente não tem adversário competitivo à altura. Mas, por pelo menos duas razões, o jogo não está decidido.

Em primeiro lugar, a mais óbvia: em maio, Lula aparecia empatado com Tarcísio de Freitas em simulações de segundo turno. Desde então, o petista recuperou fôlego, mas uma reviravolta ou a ascensão de um novo candidato alinhado à extrema direita está longe de ser impossível.

O segundo motivo é que o resultado das urnas para o Legislativo, especialmente o Senado Federal, pode definir algo muito mais valioso do que um novo mandato presidencial de Lula: o destino da democracia.

Entender o risco que o país corre exige sair de Brasília e olhar para o chão onde o poder realmente se constrói. É o que diz uma célebre frase do ex-governador paulista Franco Montoro: “Ninguém vive na União ou no estado. As pessoas moram no município”.

Nesta semana, te levo a uma padaria aos pés do Edifício Martinelli, sede da prefeitura de São Paulo, onde almocei – acredite se quiser – com um membro da gestão de Ricardo Nunes, do MDB.

Mas não era um mero burocrata. Era um personagem que talvez você se recorde. Alguém que não concordo. Mas que tenho certeza que deve ser ouvido.

Vamos a ele.

Há um ano, Isaac Faria se tornou um personagem improvável no debate nacional. Líder comunitário do extremo sul de São Paulo, ele virou manchete com uma frase que disse para mim em uma entrevista publicada no Intercept Brasil, durante as eleições de 2024 — uma frase que sintetizava uma virada: “Eu era do PT. Agora sou Centrão.

De lá para cá, Isaac trocou as ruas das periferias por um cargo na gestão do prefeito Ricardo Nunes, como assessor da Cohab, uma empresa estatal responsável por executar políticas públicas de habitação.


Isaac: agora com Nunes e Tarcísio, antes com Fernando Haddad (Crédito: Reprodução)

Perguntei como isso aconteceu. Ele me disse: a repercussão da entrevista, em plena reta final do segundo turno da eleição paulistana, fez com que ele se aproximasse ainda mais do grupo político de Nunes. O convite para um cargo na gestão, conta, foi “natural”.

“Todo o barulho que aconteceu por causa daquela entrevista foi muito produtivo. Muita gente entendeu o que eu quis dizer. Outros me chamaram de traidor, mas isso é a democracia”, afirmou.

A entrevista, de fato, teve uma enorme repercussão: a história de Isaac foi citada por analistas, políticos e jornalistas como exemplo da importância das emendas parlamentares nas eleições — algo que os dados já revelavam depois do primeiro turno.

Mas, até aquele momento, ninguém tinha encontrado um Isaac, alguém que traduzisse como essas quantias bilionárias de dinheiro despejadas em cidades de todo o país mudaram lealdades, percepções e votos.

Agora, a história de Isaac traz um outro aspecto da mesma engrenagem: o Centrão não só dá emenda. Ele dá cargo. E isso faz com que um líder comunitário como Isaac esteja liberado para defender todos os dias o projeto de seus chefes: “Se o Tarcísio for candidato a presidente, o Nunes é candidato a governador. E eu vou apoiar os dois”, admitiu.

Enquanto outros veículos ficam em Brasília reproduzindo discursos vazios, o Intercept vai ao chão onde o poder realmente se constrói.


Isaac Faria saiu do PT para o Centrão porque viu emendas bilionárias transformarem periferias - e essa engrenagem pode entregar o Senado para a extrema direita em 2026.


Nossa independência nos permite mostrar como a democracia está sendo comprada. Sua doação hoje financia o jornalismo que expõe essa máquina.


Durante o almoço, fiz questionamentos desconfortáveis ao agora funcionário público Isaac, que exibia orgulhoso seu novo crachá. Perguntei se aceitar o cargo não daria razão àqueles que o criticaram pela entrevista de 2024, dizendo que ele só queria uma “boquinha”.

Vou te falar a verdade. Eu acordo todo dia pensando o que posso aprender e tudo que posso fazer para beneficiar minha comunidade. A política tem custo para ser feita. Não se faz política sem estrutura. E eu estou usando essa estrutura para fazer política para o meu povo.”

Também perguntei a Isaac se ele compactuava com Nunes e Tarcísio na defesa da anistia a condenados da tentativa de golpe de 8 de Janeiro. “Você acha que no M’Boi Mirim as pessoas ligam para isso?”, ele disse, me devolvendo a pergunta. Eu retruquei: “Você não liga?”.

Sabe o que importa pra mim? A piscina pública nova, as novas moradias populares que eu fui entregar com o prefeito, o asfalto que a gente está colocando onde nunca teve e as obras”. Obras que, segundo ele, “finalmente estão acontecendo com agilidade”.

Quando eu estava no PT, ninguém me chamava para discutir emenda. Hoje eu entendo a importância delas. Com elas, o recurso chega. Eles falam e eu vou lá ver se o ar-condicionado foi instalado, se a piscina foi construída. E foi. Política não pode ser discurso vazio. A comunidade quer ver o prédio, o elevador, o equipamento funcionando”, disse.

Quando pergunto se ainda há salvação para a esquerda, ele suspirou: “O navio está afundando. Na minha quebrada, eu vejo um ranço que não sei se dá para resolver.” E complementa: “Eu não sou adversário do Lula. Só que, com as emendas, eu vejo as coisas acontecerem com mais velocidade do que com as coisas do governo. E me pergunto: por quê?”.

Essa resposta eu não pude dar ao Isaac. Os números talvez ajudem a explicar. Entre 2014 e 2025, o Brasil saiu de um modelo em que as emendas eram periféricas no orçamento federal para outro em que se tornaram a principal ferramenta de poder no país.

Ministérios outrora cobiçados agora são menos atrativos do que um mandato parlamentar. Em 2014, o total pago em emendas somava cerca de R$ 9 bilhões. Em 2022, na reta final do governo Bolsonaro, já ultrapassava R$ 35 bilhões com o orçamento secreto.

Em 2023 e 2024, mesmo com Lula no Planalto, o montante continuou no mesmo patamar — agora institucionalizado como emendas impositivas. Ou seja: o mecanismo que garantiu o domínio da direita no Congresso não recuou com a vitória de Lula. Ele sobreviveu a ela.

Lula parece ter entendido isso. Depois de pesquisas aterrorizantes no início do ano, o presidente viajou menos ao exterior e mais ao interior do país para inaugurar obras e encontrar a população – mesmo que em solenidades fechadas, mobilizando “os mesmos de sempre”.

“Isso faz diferença”, disse. “O povo quer saber de duas coisas: o que o governo entrega e o preço da comida”, disse Isaac, com um tom quase arrogante. Mas a verdade é que, desde que almocei com ele, em agosto, o custo dos alimentos só caiu – e a popularidade de Lula só cresceu.

Mas, infelizmente, o favoritismo atual nas pesquisas nacionais não é garantia de estabilidade democrática. Como o meu colega Leandro Becker destrinchou em uma excelente série de reportagens no Intercept, a extrema direita tem outra batalha prioritária: o Senado.

O plano é conquistar maioria em 2026 e, com isso, controlar a pauta de impeachments de ministros do Supremo, vetar autoridades e, se Lula vencer, travar o governo.

E para esse plano sair do papel, as emendas terão papel-chave. Afinal, quem mais lucra com o modelo atual são justamente o Centrão e a extrema direita, porque têm mais cadeiras no Congresso e, portanto, mais orçamento para irrigar seus redutos.

Sim, Lula pode perfeitamente ganhar a Presidência — e ainda assim perder o país.

TJ-BA defere pedido de permuta entre juízes da Bahia e do Ceará

 Foto: Divulgação

De acordo com os autos, os magistrados fundamentaram o pedido em razões pessoais e familiares21 de outubro de 2025 | 07:39

TJ-BA defere pedido de permuta entre juízes da Bahia e do Ceará

exclusivas

O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) deferiu o pedido de permuta entre a juíza Carísia Sancho Teixeira, titular da Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis, Comerciais, Registro Público, Acidente de Trabalho e Fazenda Pública de São Francisco do Conde (BA), e o juiz Daniel Macedo Costa, titular da Vara Única da Comarca de Novo Oriente (CE), vinculado ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ-CE).

A decisão foi proferida pelo desembargador Manuel Carneiro Bahia de Araújo, relator do processo administrativo, e publicada nesta terça-feira (21). O pedido foi analisado com base na Emenda Constitucional nº 130/2023, que introduziu a possibilidade de permuta entre magistrados de diferentes estados, e na Resolução nº 17/2025 do TJ-BA, que regulamenta o procedimento em âmbito local.

De acordo com os autos, os magistrados fundamentaram o pedido em razões pessoais e familiares. A juíza Carísia, natural de Fortaleza (CE), busca retornar ao seu estado de origem para cuidar dos pais idosos e constituir seu núcleo familiar. Já o juiz Daniel, cuja mãe idosa reside no Espírito Santo, pretende manter-se mais próximo da família, aproveitando vínculos já consolidados na Bahia.

O relator destacou que todos os requisitos legais e administrativos foram atendidos. As certidões apresentadas confirmaram que ambos são vitalícios, não respondem a processos disciplinares, não possuem acúmulo injustificado de processos, não estão próximos da aposentadoria e exercem a titularidade em comarcas de igual entrância.

“Constatado o preenchimento de todos os requisitos legais e regulamentares, e considerando a legitimidade da motivação apresentada pelos requerentes, entendo pelo deferimento do pedido”, afirmou o desembargador Manuel Carneiro em seu voto.

Com a decisão, o Tribunal determinou a publicação da habilitação para que, no prazo de 15 dias, possam ser apresentadas manifestações ou eventuais impugnações. Após esse período, o processo será encaminhado ao Tribunal Pleno para homologação definitiva.

O instituto da permuta entre magistrados, introduzido recentemente no ordenamento jurídico, tem como objetivo promover a valorização da magistratura e garantir a preservação da unidade familiar, respeitando o princípio da dignidade da pessoa humana e a eficiência administrativa.

Política Livre

Crise diplomática: Trump ameaça Colômbia e revive política intervencionista dos EUA na América Latina

 Foto: Daniel Torok/Arquivo/Divulgação

Donald Trump21 de outubro de 2025 | 09:03

Crise diplomática: Trump ameaça Colômbia e revive política intervencionista dos EUA na América Latina

mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma nova crise diplomática na América Latina ao atacar o presidente colombiano Gustavo Petro, a quem chamou de “líder do tráfico de drogas”. Além de anunciar o corte da ajuda financeira à Colômbia, Trump ameaçou agir militarmente contra o país caso Petro não interrompa o cultivo de entorpecentes. O governo colombiano reagiu, acusando Washington de ameaça de invasão e convocando seu embaixador nos EUA para consultas. A escalada de tensão ocorre em meio à maior mobilização militar americana no Caribe desde o fim dos anos 1980, supostamente para combater o narcotráfico. A reportagem é do jornal “O Globo”.

As ações de Trump, que já autorizou operações da CIA contra o regime venezuelano de Nicolás Maduro, têm sido interpretadas como parte de uma “Doutrina Monroe 2.0” — uma tentativa de reafirmar o poder dos EUA na América Latina diante da crescente influência chinesa. Analistas apontam que o republicano substituiu a diplomacia por uma abordagem de força e coerção, ampliando o uso de sanções e ameaças militares. O movimento, segundo estudos do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), reflete a preocupação americana com o avanço do narcotráfico, das migrações e da presença econômica da China na região.

A crise entre Washington e Bogotá é especialmente delicada porque a Colômbia é historicamente o principal aliado dos EUA na América do Sul, tendo recebido mais de US$ 14 bilhões em ajuda desde 2000. No entanto, as divergências entre Trump e Petro — o primeiro, um líder conservador intervencionista; o segundo, o primeiro presidente de esquerda do país — fragilizam a parceria. Enquanto Trump promete “fechar os campos de drogas à força”, Petro denuncia os abusos das forças americanas e acusa os EUA de violar o direito internacional. A ofensiva militar no Caribe já deixou dezenas de mortos e aumentou o temor de uma nova era de ingerência norte-americana na região.

STF retoma julgamento de núcleo da desinformação da trama golpista

 Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Primeira turma do STF21 de outubro de 2025 | 06:43

STF retoma julgamento de núcleo da desinformação da trama golpista

brasil

O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta terça-feira (21) o julgamento do núcleo da desinformação da trama golpista, que reúne sete réus acusados de difundir notícias falsas sobre as urnas eletrônicas e de atacar chefes das Forças Armadas contrários à tentativa de golpe de Estado de 2022.

A sessão da Primeira Turma será marcada pelo voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, que deve abrir a fase de deliberação do colegiado. Também participam do julgamento os ministros Flávio Dino (presidente), Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin.

São réus neste núcleo Ailton Barros (major expulso do Exército), Ângelo Denicoli (major da reserva), Giancarlo Gomes Rodrigues (sargento do Exército), Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel do Exército), Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército), Marcelo Bormevet (policial federal) e Carlos Cesar Rocha (presidente do Instituto Voto Legal).

Na semana passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de todos os sete réus. Segundo ele, o grupo atuou em uma “guerra informacional” para desacreditar o sistema eletrônico de votação e enfraquecer as instituições democráticas, criando o ambiente que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Gonet afirmou que, mesmo com condutas praticadas em momentos distintos, os acusados responderam de forma coletiva por integrar uma organização criminosa voltada à tentativa de golpe de Estado. O procurador-geral disse ainda que Bormevet e Giancarlo, ex-integrantes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), participaram de uma estrutura paralela usada para produzir e disseminar desinformação contra alvos apontados por Jair Bolsonaro (PL).

As defesas, por sua vez, negam qualquer vínculo entre os acusados e contestam a caracterização de organização criminosa. Argumentam que os réus não se conheciam, que não houve divisão de tarefas entre eles e que não há provas de participação nas ações que levaram aos atos de 8 de Janeiro. Advogados também sustentam que o compartilhamento de links ou mensagens em conversas privadas não pode ser enquadrado como crime.

O grupo é o segundo a ser julgado no conjunto de ações penais da trama golpista. A série de julgamentos começou em setembro, quando o plenário da corte condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão.

Laura Intrieri/Folhapress

Moraes mantém ‘kid preto’ preso há 11 meses apesar de lacunas em acusação

 Foto: Reprodução/Youtube/Arquivo

O tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo,21 de outubro de 2025 | 06:36

Moraes mantém ‘kid preto’ preso há 11 meses apesar de lacunas em acusação

brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mantém preso há 11 meses um militar acusado de fazer parte de uma operação clandestina para seu assassinato. A investigação contra o tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, porém, mantém lacunas sobre a participação dele no caso.

O inquérito dura quase um ano e segue inconcluso. Os militares serão julgados pelo Supremo em novembro.

Azevedo é réu no processo da trama golpista acusado de, sob o codinome “Brasil”, executar um plano para neutralizar Moraes. A operação teria ocorrido em Brasília, em 15 de dezembro de 2022.

A principal prova de acusação é que um dos celulares empregados no plano contra Moraes foi utilizado por ele duas semanas após a operação fracassada.

A Polícia Federal, porém, não conseguiu provas de que o militar estava em Brasília no dia do ataque ao ministro do Supremo. A defesa de Azevedo diz que o tenente-coronel estava em casa naquele dia, comemorando seu aniversário de 41 anos.

Rodrigo Bezerra de Azevedo é um militar do Exército com formação em Forças Especiais —os chamados “kids pretos”.

O plano para assassinar Moraes tinha o nome de “Copa 2022”, segundo a investigação. Seis pessoas, com codinomes de países, conversavam por um grupo no aplicativo Signal para executar a estratégia.

Dos seis integrantes do grupo, a Polícia Federal diz ter identificado somente dois: Azevedo e o tenente-coronel Rafael de Oliveira.

A PF concluiu com base nas mensagens desse grupo que os militares teriam abortado o plano contra Moraes já com todos os integrantes da operação clandestina a postos —um próximo ao apartamento do ministro e outros espalhados pela área central de Brasília.

Documentos apresentados pela defesa do militar e outros obtidos pela Folha mostram que o tenente-coronel trabalhou no quartel em Goiânia durante a manhã e a tarde de 15 de dezembro.

Naquele dia, Azevedo colocou sua senha para entrar no quartel em Goiânia às 10h42. Antes de almoçar, às 11h28, ele comprou por R$ 3 uma trufa de uma militar-médica.

Mais tarde, ele almoçou no quartel, como mostra um documento do Exército. Não há mais registros oficiais sobre a presença de Azevedo no Comando de Operações Especiais em 15 de dezembro.

A esposa do militar afirmou que Azevedo retornou para casa por volta das 18h. Era aniversário dele, e Ariane Azevedo diz ter preparado um jantar em família. Ela fez porções pequenas de comida, como entradas, e pediu ao marido para comprar um prato no Spoleto, por um aplicativo de entrega.

“Foi uma comemoração pequena: eu, ele e nossa filha”, diz Ariane. “Tiramos foto do celular dele, só que o celular está apreendido com a Polícia Federal e não temos acesso a essas provas”.

O celular de Azevedo foi apreendido pela PF em 19 de novembro de 2024. A perícia conseguiu quebrar a senha do celular do tenente-coronel, mas não encontrou nada relevante para a investigação.

A controvérsia sobre Azevedo tem ligação com o celular usado no dia em que Moraes seria alvo de uma tentativa de assassinato.

Ele colocou um chip com seu próprio nome, em 29 de dezembro de 2022, em um dos celulares usados na operação militar clandestina de duas semanas antes. O telefone estava registrado no grupo “Copa 2022” com o codinome “Brasil”.

O militar diz ter pegado o celular no depósito do CCOP (Centro de Coordenação de Operações), no quartel em Goiânia. Havia uma caixa cheia de telefones em um dos armários da sala. Às vésperas do Natal, Azevedo pegou o aparelho e levou para casa, segundo sua versão.

“Nessa caixa tinha um celular que parecia um celular bem mais novo, um smartphone, diferente dos demais celulares que estavam ali. Eu decidi pegar aquele celular para testar se funcionava, para eu passar a usar quando fosse pro CCOP”, afirmou Azevedo em audiência no Supremo.

Ele conta que ficou com esse celular alguns dias em casa até encontrar um carregador compatível, em 26 de dezembro, quando colocou-o na tomada. Três dias depois, comprou chips para o celular —um em seu nome e outros no nome de pessoas aleatórias.

Sete oficiais do Exército ouvidos pela Folha contam que os kids pretos costumam usar técnicas para anonimizar seus celulares para evitar sua identificação em operações militares.

“A minha intenção sempre foi ter um celular de backup, que a gente utiliza em missões”, disse Azevedo. Ele ficou com o telefone até o segundo semestre de 2023, quando o aparelho quebrou durante um salto de paraquedas.

Não há nenhum registro anterior a 26 de dezembro de que o celular estivesse com Azevedo. As provas usadas pela PGR indicam localizações diferentes entre o telefone usado no plano de assassinato e o telefone pessoal do militar nas datas próximas à operação clandestina contra Moraes.

A tese do procurador Paulo Gonet é de que o tenente-coronel deixou seu celular pessoal no trabalho e viajou a Brasília. “A autoridade policial sinaliza que Rodrigo Bezerra de Azevedo propositalmente se distanciou de seu aparelho para forjar uma localização distinta da efetivamente ocupada”, defende o PGR.

A defesa contesta essa versão. Uma das provas de que Azevedo estava com seu celular em 15 de dezembro, segundo o advogado Jeffrey Chiquini, é que ele interagiu no telefone com a irmã, que desejava felicitações.

Um documento anexado pela defesa mostra que Azevedo viu a mensagem da irmã às 17h57. Não seria possível, segundo a versão dos advogados, que o militar chegasse a tempo para o plano em Brasília se no fim da tarde ainda estivesse em Goiânia.

Moraes analisou três pedidos de soltura de Azevedo —todos negados pelo ministro. “Destaca-se a necessidade de resguardar a ordem pública, tendo sido corroborada pelo recebimento da denúncia em face do custodiado, inexistindo qualquer fato superveniente que possa afastar a necessidade de manutenção da custódia cautelar”, diz Moraes.

Em nota, a assessoria de imprensa do STF afirmou que Moraes se manifesta apenas nos autos do processo.

Cézar Feitoza/Folhapress

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