Por José Montalvão
A turma de Jeremoabo anda com os olhos bem abertos. Hoje, em um bate-papo com alguns leitores, ouvi algo que faz todo sentido: Jeremoabo está mesmo diferente — principalmente neste ano em que todo mundo quer mostrar que tem votos para repassar aos seus futuros candidatos nas próximas eleições.
De repente, cada benfeitoria que chega ao município ganha um “pai”. Obra de estrada? Tem dono. Ambulância nova? Já aparece o padrinho político. Reforma de escola? Surge logo alguém dizendo: “isso foi graças a mim”. É uma verdadeira disputa de paternidade política, como se o município fosse um grande cartório de registros eleitorais.
O curioso é que, quando a coisa dá errado — buracos nas ruas, atraso em serviços, falhas na saúde ou na educação — ninguém quer assumir a autoria. Aí não aparece pai, nem padrinho, nem tutor. Some todo mundo. A criança fica órfã.
Mas é assim mesmo. Em ano eleitoral, milagre vira rotina e rotina vira propaganda. Cada ação do poder público passa a ser tratada como favor pessoal, como se recursos públicos fossem esmola de político e não direito do cidadão. E o eleitor, que não é bobo, vai observando tudo com desconfiança.
Como diz o velho ditado: quem tem boca diz o que quer, e também acredita quem quer. Só que, desta vez, parece que o povo está mais atento. Já não engole tão fácil a conversa fiada nem a selfie em obra pública como prova de compromisso com Jeremoabo.
Porque, no fim das contas, o que importa não é quem posa na foto nem quem grita mais alto que “foi eu”. O que importa é quem trabalha de verdade, quem planeja, quem executa e quem respeita o dinheiro do contribuinte.
E, para não perder o tom irônico que a situação exige, plagiando Ibrahim Sued, eu digo:
“Ademã, que eu vou em frente.”
Porque Jeremoabo precisa seguir em frente — com menos propaganda, menos vaidade e mais responsabilidade.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025