Quando o lucro passa na frente da segurança: um alerta grave no Assaí da Adélia Franco
Ir ao supermercado é um ato rotineiro, quase automático. Pessoas idosas, mães com crianças, trabalhadores cansados após o expediente — todos circulam entre prateleiras confiando que aquele ambiente oferece o mínimo: segurança. No entanto, o que ocorreu no Supermercado Assaí, localizado na Avenida Adélia Franco, em Aracaju, na tarde de 30 de janeiro, por volta das 17h, revela um cenário preocupante de descaso com manutenção, comunicação interna e prevenção de riscos.
Enquanto aguardava na fila do caixa para efetuar o pagamento das compras, ouvi um estampido seco, forte, que soou como um disparo. O susto foi imediato. Pessoas próximas começaram a correr, sem entender exatamente o que havia acontecido. Em segundos, ficou evidente: uma das pás de um ventilador havia se desprendido, atingido a grade de proteção e quebrado a estrutura. Parte da peça se projetou e caiu perigosamente próxima a uma senhora que estava à minha frente na fila. Por centímetros, não tivemos uma tragédia.
Não foi um simples incidente mecânico. Foi um alerta.
Equipamentos instalados em áreas de grande circulação precisam passar por manutenção preventiva regular. Um ventilador industrial não solta uma pá “do nada”. Há desgaste, há vibração, há sinais prévios. Quando isso ocorre em um ambiente fechado, cheio de consumidores, o risco é real: ferimentos graves, traumatismos e até consequências fatais. E não se trata apenas de um objeto quebrado — trata-se de vidas expostas.
Após alguns minutos, um funcionário chegou com um rádio portátil nas mãos. Sugeri que comunicasse imediatamente o ocorrido ao responsável pela manutenção ou à equipe de segurança. A resposta foi ainda mais preocupante: o rádio estava desligado e ele não conseguiu contato. Ou seja, além da falha estrutural do equipamento, havia falha no sistema de comunicação interna. Em uma situação de emergência real, como um incêndio ou princípio de tumulto, como seria feita a coordenação?
Diante da inércia, sugeri que ao menos desligassem o ventilador da tomada para evitar algo pior — um curto-circuito, um incêndio ou outro desprendimento. Após tentativa, conseguiram desligar o aparelho. Só depois começaram a chegar outros prepostos do estabelecimento.
O que chama atenção não é apenas o acidente, mas o conjunto de vulnerabilidades expostas: manutenção aparentemente negligenciada, comunicação ineficiente e ausência de resposta rápida. Em locais com grande fluxo de pessoas, protocolos de segurança não são luxo — são obrigação.
O Assaí é uma grande rede nacional, com estrutura e faturamento robustos. Justamente por isso, espera-se padrão elevado de controle técnico, fiscalização interna e treinamento de equipe. O consumidor não pode pagar a conta da economia feita em manutenção preventiva.
É importante destacar: por sorte, ninguém foi atingido. Mas segurança não pode depender de sorte. Segurança se constrói com responsabilidade, planejamento e fiscalização constante.
Cabe agora ao estabelecimento esclarecer publicamente o ocorrido, revisar seus protocolos e garantir que situações semelhantes não voltem a acontecer. E mais do que isso: os órgãos competentes — Procon, Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros e demais autoridades fiscalizadoras — têm o dever de averiguar as condições estruturais e operacionais da unidade.
A população de Aracaju merece respeito. Quem sai de casa para fazer compras não pode correr risco de sofrer acidente por falha evitável de manutenção.
Hoje foi um susto. Amanhã pode não ser apenas isso.