quarta-feira, janeiro 28, 2026

Toffoli deu “presente” a Moraes, mas também ganhou “presente” de Gonet


Tá esquisito isso, hein, Toffoli? Hein, Xandão?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Andreazza
Estadão

O TCU não recuou em suas gestões no caso Master. Tirar o corpo da luz dos holofotes não significa recuar. Na última sexta, este Estadão informou que os auditores responsáveis pela diligência – não mais inspeção – sobre a atuação do Banco Central têm mencionado pressões do relator Jhonatan de Jesus para influenciar a análise técnica do processo.

A desqualificação do trabalho do BC teria como efeito embalar um presentaço à defesa do Master. Claro – você sabe – que essa não é a intenção do TCU.

FUTURAS NULIDADES – Tampouco será a intenção de Dias Toffoli desqualificar o trabalho da Polícia Federal no caso. A desqualificação do trabalho da PF também seria um presentão à defesa do Master.

As gestões do ministro sobre o material apreendido na operação Compliance Zero derivam do zelo pela investigação. O Dias Toffoli delegadão, que toca o processo como tocados são os inquéritos xandônicos, jamais plantaria condições para futuras nulidades processuais.

A operação teve como objeto a atividade de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e outrora sócio dos irmãos de Dias Toffoli no hotel. Sócio por meio de fundos que compunham a rede fraudulenta forjadora de liquidez para o Master.

AMIGO DO AMIGO – O sigiloso Dias Toffoli deu um presente ao confrade Moraes. Não terá sido a primeira vez: o Direito Xandônico é produto do inquérito censor criado pelo “amigo do amigo do meu pai” em 2019.

O presente da vez, involuntário, consiste num tal protagonismo – protagonismo da família-empresa Toffoli – capaz de fazer desaparecer o contrato milionário do Master com o escritório de advocacia da esposa de Alexandre.

Xandão, diga-se, nada fez para sair de cena. Ao contrário, abriu inquérito (de ofício e sigiloso, conforme seu padrão) em que manda apurar se Receita e Coaf vazaram dados de ministros. Claro – você sabe – que não pretendeu intimidar.

PARENTE ADVOGANDO… – Tampouco pretendeu intimidar o ministro do Supremo plantador no noticiário de que o presidente do tribunal tem parente advogando em corte superior. A intenção – claro – não foi constranger; antes evidenciar a complexidade própria à Constituição do tal código de conduta. A filha de Fachin atua no STJ.

O distribuidor Dias Toffoli não ficaria sem presente para si. Deu-lhe um o próprio Fachin, segundo o qual há quem queira “desmoralizar o STF” e “destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder”.

O agente é indeterminado, entre os suspeitos estando a imprensa. Jamais o colega viajante em jatinhos privados. Tudo regular.

UM PRESENTAÇO – A PGR, agência ratificadora do Supremo, que chancela até as providências que os ministros tomam contra as prerrogativas do Ministério Público Federal, também presenteou Dias Toffoli. O procurador Paulo Gonet, em defesa sempre da democracia, deu um vale – vale tudo – para o relator do caso Master, assim como já dera a Xandão. Tudo regular.

Presenteado e presenteador, Vorcaro declarou em depoimento que o erguimento de sua pirâmide fiada no Fundo Garantidor de Crédito obedeceu “a regra do jogo”. Todos esses jogam com a regra debaixo do braço.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Após Carlos Andreazza escrever esta verdade aula de ironia, apareceu Gilmar Mendes (ele, sempre ele…) e também deu um belo “presente” a Toffoli, ao destacar que o relator do Caso Master “respeita o devido processo legal”. Como já estava na minha hora de vomitar, mandei busca o barril. (C.N.)

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