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Vorcaro disse à PF que tratou com Ibaneis sobre venda do Master ao BRB e citou encontro em sua casa

 

Vorcaro disse à PF que tratou com Ibaneis sobre venda do Master ao BRB e citou encontro em sua casa

Por Aguirre Talento/Estadão Conteúdo

23/01/2026 às 08:55

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Vorcaro disse à PF que tratou com Ibaneis sobre venda do Master ao BRB e citou encontro em sua casa

Daniel Vorcaro

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e citou também que o governador já esteve pessoalmente em sua casa. O governador é o primeiro político citado por Vorcaro nas investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal.

Procurado, Ibaneis disse que não conversou com Vorcaro sobre o assunto e afirmou que esteve apenas uma vez na casa do empresário por ter sido convidado para um almoço. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado”, afirmou ao Estadão.

As declarações foram dadas no depoimento prestado no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 30 de dezembro, dentro do inquérito que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo a tentativa de venda do Master para o banco estatal do governo do DF, subordinado a Ibaneis. Essas foram as primeiras citações que surgiram no inquérito a respeito da participação do governador no assunto. Ele não é investigado no inquérito.

Vorcaro não entrou em detalhes sobre as conversas com Ibaneis a respeito da operação financeira.

No depoimento, a delegada da PF Janaína Palazzo perguntou a Vorcaro especificamente se ele já havia tratado com o governador Ibaneis Rocha sobre a proposta de aquisição do Master pelo BRB - feita em março do ano passado e vetada pelo Banco Central em setembro. O banqueiro respondeu positivamente e disse que o assunto foi abordado em encontros institucionais com Ibaneis, com a participação de outras pessoas.

A delegada, porém, perguntou a Vorcaro se o governador já havia comparecido pessoalmente à residência do empresário. Vorcaro confirmou que sim e disse que ele próprio também já esteve na residência do governador.

O empresário não deu detalhes sobre os diálogos desses encontros, e a delegada tampouco se aprofundou sobre esses pontos.

A PF ainda fez uma pergunta genérica a respeito das conexões políticas do empresário em Brasília, mas ele disse que esses seus contatos não tinham relação direta com o objeto do inquérito e não quis falar sobre o assunto.

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também citou em seu depoimento prestado naquele mesmo dia que Ibaneis foi informado sobre o andamento das operações financeiras do banco estatal com o Master. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Estadão.

Ibaneis estimou inicialmente que a venda do Master para o BRB aumentaria a distribuição de dividendos para R$ 1 bilhão por ano para os cofres do Distrito Federal.

Num primeiro momento, tentou efetuar o negócio sem autorização da Câmara Legislativa do DF, mas foi obrigado pela Justiça e conseguir o aval dos deputados distritais. Após a liquidação, começou a estudar aportes no BRB para cobrir prejuízos com a compra de créditos “podres” do banco de Daniel Vorcaro.

O rombo do BRB é estimado em R$ 4 bilhões. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal apontaram indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes ao banco estatal.

Como revelou a Coluna do Estadão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou em conversas recentes que a gestão local dê um socorro financeiro ao BRB, que pode sofrer uma intervenção do BC.

Mudança no discurso

As declarações de Ibaneis e da vice-governadora do DF Celina Leão (PP) mudaram de tom ao longo do ano passado diante dos desdobramentos e complicações do caso. Em março, quando o banco estatal anunciou a oferta de compra de parte do Master por R$ 2 bilhões, o governador disse que tratava-se de um “dia de festa”.

Em abril, ele afirmou que a operação apresentava pouco risco ao BRB, uma vez que, segundo ele, o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, havia deixado de fora da transação ativos de maior risco. Dias depois, em entrevista ao Estadão em abril, o governador afirmou que era “importantíssimo” que o setor privado estivesse junto na transação, por meio de uma negociação privada dos ativos do Master que não interessassem ao banco estatal.

Após o veto do BC ao negócio, Ibaneis adotou um tom mais cauteloso. “Se for inviável, nós vamos parar e vamos realmente trabalhar outras oportunidades para que o Banco de Brasília possa avançar e continue crescendo”, declarou a jornalistas em evento nos Estados Unidos.

Depois de o BC anunciar a liquidação do Master, em novembro, a vice-governadora disse que o próprio Ibaneis havia determinado a troca do presidente da instituição, após a PF revelar suspeita de fraudes de 12,2 bilhões na venda de carteiras de crédito falsas do Master ao BRB.

“Nós não temos compromisso com erro. Então o próprio governador Ibaneis fez hoje a troca, já indicou um outro nome e aquilo que tiver que ser apurado, será apurado”, disse Celina Leão.

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