Nikolas Ferreira pode receber maior honraria da Bahia após proposta de Leandro de Jesus
Por Redação
25/01/2026 às 11:50
Foto: Reprodução
Nikolas Ferreira e Leandro de Jesus
O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), duas proposições em reconhecimento à atuação política do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). As iniciativas incluem um Projeto de Resolução para concessão da Comenda Dois de Julho e uma Moção de Aplausos, ambas protocoladas no dia 25 de janeiro de 2026, dia do encerramento da Caminhada pela Liberdade.
Por meio do Projeto de Resolução, Leandro de Jesus propõe a concessão da Comenda Dois de Julho, considerada a mais alta honraria do Legislativo baiano, ao parlamentar mineiro. A justificativa destaca a trajetória política de Nikolas Ferreira, sua expressiva representatividade popular e o protagonismo no debate público nacional, especialmente entre os jovens, além da defesa de valores ligados à democracia, às liberdades individuais e à participação política.
O texto também ressalta a atuação do deputado federal na fiscalização do Poder Executivo, no uso das plataformas digitais como instrumento de engajamento cívico e na defesa de pautas conservadoras, religiosas e familiares. A proposta lembra ainda que Nikolas Ferreira já recebeu o título de Cidadão Camaçariense, evidenciando sua aproximação com a sociedade baiana.
Além da comenda, o deputado Leandro de Jesus apresentou Moção de Aplausos em reconhecimento à iniciativa e liderança de Nikolas Ferreira na Caminhada. O movimento cívico reuniu milhares de pessoas em diferentes regiões do país e teve como foco o estímulo à participação política, à cidadania ativa e ao fortalecimento do debate público nacional.
Na moção, o parlamentar baiano destaca que a mobilização ocorreu de forma pacífica e democrática, chamando atenção para temas como ética na gestão pública, transparência e controle social dos atos do poder público. Para Leandro de Jesus, a atuação de Nikolas Ferreira ultrapassa os limites do mandato parlamentar ao incentivar o engajamento da sociedade civil e o acompanhamento das instituições democráticas.
Politica Livre
Nota da Redaçao Deste Blog - Quando a Honraria Perde o Sentido
Quando me deparo com uma notícia degradante como essa, confesso: sinto vergonha de ser baiano e eleitor da Bahia. Vergonha não por intolerância política, mas por respeito à história, às instituições e aos símbolos que um dia representaram o que havia de mais elevado na vida pública do nosso Estado. Diante desse cenário, chego ao ponto de cogitar exercer meu direito legal de não votar, em razão da idade, abrindo mão de um dever cívico que sempre considerei sagrado. Não por desinteresse, mas por desencanto.
Nunca pensei que a Comenda Dois de Julho — a mais alta honraria do Legislativo baiano — pudesse perder tanto do seu significado e da sua importância. Trata-se de uma comenda que carrega o nome de uma data histórica, símbolo da verdadeira independência da Bahia, marcada pela bravura do povo e pela luta contra o domínio colonial. Reduzir esse símbolo a um instrumento de marketing político ou de alinhamento ideológico é um desrespeito à memória coletiva dos baianos.
A minha Bahia, a Bahia de Rui Barbosa, de Otávio Mangabeira e de tantos outros homens públicos que honraram a política como instrumento de transformação social, não é mais a mesma. Aqueles que um dia elevaram o nome do Estado ao patamar do pensamento liberal, do civismo e da ética pública parecem hoje substituídos por parlamentares que confundem notoriedade digital com grandeza política, barulho com relevância, engajamento virtual com serviço público efetivo.
A proposta do deputado estadual Leandro de Jesus (PL) de conceder a Comenda Dois de Julho ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) é, no mínimo, um sintoma desse esvaziamento simbólico. Não se discute aqui o direito de Nikolas Ferreira exercer seu mandato ou defender suas convicções. O que está em debate é a total desproporção entre o peso histórico da honraria e os critérios adotados para a sua concessão.
A justificativa apresentada fala em “expressiva representatividade popular”, “protagonismo no debate público” e “defesa de valores ligados à democracia, às liberdades individuais e à participação política”. Mas desde quando engajamento em redes sociais, discursos inflamados e performances para plateias ideologicamente alinhadas passaram a ser méritos suficientes para receber a maior honraria do Legislativo baiano? Desde quando a fiscalização do Executivo feita em tom de espetáculo se confunde com serviço público sério e institucional?
Mais grave ainda é o argumento de “aproximação com a sociedade baiana”, baseado no fato de Nikolas Ferreira já ter recebido o título de Cidadão Camaçariense. Isso revela uma banalização dupla: tanto dos títulos honoríficos municipais quanto das comendas estaduais. Honrarias não podem ser troféus distribuídos por afinidade política ou conveniência partidária. Elas deveriam ser reservadas a quem efetivamente contribuiu, de forma concreta e duradoura, para o desenvolvimento da Bahia e do Brasil.
A Moção de Aplausos pela chamada “Caminhada pela Liberdade” segue a mesma lógica. Milhares de pessoas nas ruas, discursos sobre ética, transparência e cidadania ativa — tudo isso é legítimo no campo da mobilização política. Mas transformar atos políticos em credenciais para honrarias oficiais é confundir militância com estadismo, ativismo com legado.
Quando a Comenda Dois de Julho é usada como moeda simbólica para agradar bases eleitorais ou reforçar narrativas ideológicas, ela deixa de ser uma honraria de Estado e passa a ser um adereço partidário. E quando isso acontece, não é apenas a comenda que perde valor — é a própria Assembleia Legislativa da Bahia que se apequena.
Talvez por isso eu me sinta hoje menos representado, mais descrente e profundamente decepcionado. A política baiana, que já produziu gigantes do pensamento e da ação pública, parece cada vez mais dominada por figuras pequenas em estatura institucional, mas grandes em oportunismo.
A Bahia merece mais. Merece honrarias que honrem, políticos que elevem o debate e instituições que respeitem a própria história. Enquanto isso não acontecer, continuarei com essa amarga sensação de que algo muito precioso está sendo jogado fora: o sentido da política como serviço público e da memória como patrimônio coletivo.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025