quarta-feira, janeiro 21, 2026

Políticos na marcha de Nikolas são acusados por 10 crimes e podem pegar mais de 40 anos de prisão

 

.


 Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 20:41

A marcha de Minas Gerais a Brasília organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reúne uma série de parlamentares da direita brasileira que, juntos, são investigados, denunciados, processados ou condenados por, pelo menos, dez crimes.

Se condenados por tais ilícitos, os colegas de caminhada de Nikolas poderão cumprir, ao todo, mais de 40 anos de prisão em regime fechado. É com essa turma que o deputado mineiro caminha para transformar e libertar o Brasil

::Leia mais: “VÍDEO – Frota zomba de caminhada de Nikolas rumo a Brasília: ‘Vou encontrar com eles’“::

Veja, abaixo, alguns dos principais companheiros de jornada de Nikolas, e o que a Polícia e Justiça têm contra eles.

Deputado Gustavo Gayer (PL-GO): matou cidadão dirigindo bêbado e foi preso fugindo da polícia

O deputado federal Gustavo Gayer (dir.): matou dois e nunca respondeu por isso (crédito: reprodução)

No dia 16 de julho de 2015, o deputado (então empresário) Gustavo Gayer bateu sozinho seu Toyota Corolla à 1h30 da manhã, na avenida 85, em Goiânia. Ele perdeu o controle do carro e colidiu no meio-fio e em uma proteção de um ponto de ônibus. Com o acidente, o pneu dianteiro esquerdo estourou, e toda a parte da frente do veículo foi danificada, o que não impediu o parlamentar de seguir trafegando com seu Corolla.

Uma viatura da polícia presenciou o acidente e solicitou que ele parasse, no que não foi atendida, dando início a uma perseguição que se estendeu por alguns quilômetros, até que ele finalmente resolveu parar, na Avenida T-63 da capital goiana.

Os policiais submeteram-no ao teste do bafômetro, momento em que foi constatado que Gustavo Gayer estava bêbado. Resultado: foi preso em flagrante, sendo posteriormente posto em liberdade com o pagamento de fiança.

Veja documentos oficiais da Polícia Civil e do Ministério Público de Goiânia que registram o ocorrido.

A prisão dirigindo bêbado e batendo sozinho no meio-fio não foi o primeiro acidente de trânsito em que Gustavo Gayer se envolveu. No dia 26 de novembro de 2000, ele atropelou uma pessoa no município de Rialma, a 183 quilômetros da capital goiana. A vítima veio a morrer em virtude dos ferimentos, e Gustavo Gayer foi processado por homicídio culposo (sem a intenção de matar), nos termos dos artigos 302 e 303 do Código Brasileiro de Trânsito.

Por este fato, o parlamentar não chegou a ser condenado, posto que o processo penal se estendeu por tempo demais, ultrapassando o prazo prescricional dos crimes, sendo, portanto, extinto sem o julgamento do mérito.

O parlamentar, que arrastou o processo por dez anos com recursos sobre recursos, nunca foi preso pelo crime nem jamais pagou qualquer indenização à família da vítima. Veja abaixo trecho de documento do Tribunal de Justiça de Goiás.

Carlos Bolsonaro (PL-SC): indiciado por organização criminosa, espionagem e rachadinha

Carlos Bolsonaro (PL-SC, à esquerda): investigado por crimes que somam mais de 20 anos de pena (crédito: reprodução)

O pré-candidato a senador por Santa Catarina Carlos Bolsonaro (PL-SC) foi indiciado pela Polícia Federal em junho do ano passado, por comandar um grupo de disseminação de desinformação contra alvos ilegalmente espionados que ficou conhecido como “Abin Paralela” e que começou a atuar durante o governo de jair Bolsonaro (2019-22).

Segundo a PF, Carlos Bolsonaro “integrou, de forma consciente e voluntária, o NÚCLEO POLÍTICO da organização criminosa, atuando na disseminação de desinformação e na integração da ‘estrutura paralela de inteligência’, sendo beneficiário e direcionador de ações clandestinas de inteligência e desinformação”.

A PF investiga o pré-candidato pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado e por integrar organização criminosa, delito majorado por contar com a participação de funcionário público na quadrilha. Se condenado, pode pegar mais de 20 anos de prisão.

Finalmente, Carlos é alvo também de investigações pela prática de “rachadinha”, recolha compulsória de parte dos salários dos funcionários de seu gabinete para uso próprio, que, segundo a polícia, teriam ocorrido ao longo de mais de dez anos enquanto Carlos era vereador pelo Rio de Janeiro.

Deputado Luciano Zucco (PL-RS): réu por atacar indígenas no sul da Bahia

Deputado Zucco (PL-RS, à esquerda): réu por ameaçar indígenas (crédito: reprodução Facebook)

O deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) largou os afazeres em Brasília e acompanha a caminhada de Nikolas desde a última terça-feira (20).

Ele é réu em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal desde abril de 2024, por ter invadido, em agosto de 2023, território indígena no sul da Bahia, acompanhado de agentes da Polícia Federal, para ameaçar os moradores e coagi-los a deixar o local.

É que ele afirmou, sem qualquer base documental ou probatória, que aquele local era uma propriedade privada que tinha sido invadida pelos indígenas.

O Ministério Público Federal, no processo em que demanda que o deputado pague R$ 500 mil de reparação e multa, afirma:

“Embora sem fazer parte do Poder Judiciário, o Parlamentar Federal agiu como se tivesse alguma função a exercer ali. Afinal, o que lá foi fazer?” Sobre o fato alegado de que os indígenas se encontrariam em propriedade privada de terceiros, o MPF explicou que são afirmações “desprovidas de mínimo fundamento, porquanto o deputado, é evidente, nada testemunhou.”

“Ouviu alguma versão, a tomou como ‘verdade’, sem processo, sem contraditório, sem apuração e, mais grave, resolveu se deslocar ao local, acompanhado da Polícia Federal, para intimidar os indígenas e ofendê-los em sua própria existência e dignidade na busca pelos direitos que lhes são constitucionalmente assegurados”.

Leia a acusação completa do MPF clicando aqui. Veja, abaixo, imagens anexadas pelos procuradores ao processo, do deputado forçando sua entrada em território indígena. O cdceputado segue como réu no processo, que tramita em segunda instância no TRF 1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) segue tramitando na Justiça Federal.

Deputado Zucco tentanto expulsar indígenas de um território indígena: ele não conseguiu, mas responde na Justiça por ter tentado (crédito: MPF/BA)

Deputado André Fernandes (PL-CE): condenado por crime eleitoral e ataques à imprensa

André Fernandes (PL-CE), à direita: tentou comprar votos com abadás, mas perdeu eleição a prefeito (crédito: reprodução)

O deputado federal André Fernandes se tornou nacionalmente conhecido ao gravar e publicar um vídeo em que faz um tutorial de como depilar o próprio ânus, mas isso não representa qualquer crime.

Por outro lado, o parlamentar, que se candidatou e perdeu a disputa pela prefeitura de Fortaleza em 2024, foi condenado pela Justiça Eleitoral a pagar R$ 50 mil em multas por abuso do poder econômico e práticas ilegais de campanha.

É que, durante a última eleição municipal, Fernandes, junto com Nikolas, montou uma série de micaretas, eventos de carnaval fora de época, e confeccionou abadás, vestimentas festivas para este tipo de evento, com os autoacusatórios dizeres “Bloco do 22”. O candidato fez mais: distribuiu de graça os abadás para mais de 20 mil eleitores, em flagrante crime eleitoral. Veja imagem abaixo.

Em outro caso de Justiça, em 2021, Fernandes foi condenado a pagar indenização de R$ 50 mil à Patrícia Campos Mello, depois de publicar nas redes sociais ataques machistas contra a jornalista da Folha de São Paulo.

O deputado publicou em suas redes sociais declarações ofensivas contra ela, acusando-a, sem qualquer prova, de trocar sexo por informações que fossem prejudiciais ao então presidente Jair Bolsonaro.

A publicação foi feita no dia 11 de fevereiro de 2020 no perfil oficial do Twitter de André Fernandes. “Se você acha que está na pior, lembre-se da jornalista do Folha de SP que oferece sexo em troca de alguma matéria para prejudicar Jair Bolsonaro. Depois de hoje, vai chover falsos informantes pra cima desta senhora. Força, coragem e dedicação Patrícia, você vai precisar!”, dizia a postagem.

Senador Marcos do Val (PL-ES): com passaporte retido e licenciado do Senado por doença, mas presente na marcha de Nikolas

Marcos do Val. Foto: Divulgação

Conhecido por publicar, durante as madrugadas, vídeos de difícil compreensão, o senador Marcos do Val (PL-ES) solicitou uma licença médica de aproximadamente quatro meses no final de 2025, afastando-se temporariamente de suas atividades parlamentares enquanto lida com questões jurídicas e familiares. Isso não o impediu, porém, de se juntar à marcha de Nikolas pela liberdade.

::Leia mais: “Em live surtada, Do Val xinga Moraes, ataca fotógrafo e mostra tornozelo sangrando“::

Enquanto isso, ele responde a múltiplas investigações e processos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em agosto do ano passado, a Polícia Federal indiciou formalmente o senador pelos crimes de obstrução da Justiça, corrupção de menores (relacionado ao uso de um menor para ataques a agentes públicos), incitação ao crime e associação criminosa.

O parlamentar também é alvo de investigações conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes, que apuram ataques institucionais, divulgação de dados pessoais e ofensas contra delegados da PF e ministros do STF.

Também é acusado pela PF de criar planos para gravar ilegalmente o ministro Alexandre de Moraes e contestar o resultado das eleições de 2022.

Além disso, o senador já foi submetido a diversas medidas restritivas devido ao descumprimento de ordens judiciais, como a sua viagem aos Estados Unidos sem autorização, em julho de 2025. No final do ano, o STF revogou parte das cautelares (como o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno) após ele se licenciar do mandato para tratamento de saúde. Do Val permanece proibido de deixar o país e com os passaportes retidos.

Em destaque

Políticos na marcha de Nikolas são acusados por 10 crimes e podem pegar mais de 40 anos de prisão

  . Publicado por   Vinicius Segalla  -  Atualizado em  21 de janeiro de 2026 às 20:41 A marcha de Minas Gerais a Brasília organizada pelo d...

Mais visitadas