
Vorcaro criou facilmente uma superpirâmide financeira
Pablo Giovanni
Metrópoles
Com a liquidação do Will Bank, esta é a sétima intervenção do Banco Central no escopo do caso Master, hoje investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
As liquidações efetivadas pelo BC tiveram início em novembro do ano passado, quando as principais instituições do Banco Master, controladas pelo empresário Daniel Vorcaro, sofreram intervenção.
PRIMEIRO ALVO – No mesmo dia, o banco Letsbank, que era comandado pelo empresário Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, também foi liquidado. O empresário consta entre os alvos de busca e apreensão no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero, cumprida pela PF dia 14 de janeiro.
Dentro do conglomerado Master, as instituições individuais ligadas a Vorcaro são apenas três: o próprio Master, o Letsbank e o Will Bank. Com a intervenção nas três, todas as instituições diretamente ligadas ao empresário estão em processo de liquidação.
Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial das instituições do grupo Master: Banco Master S/A; Banco Master de Investimento S.A.; Banco Letsbank S.A.; Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários; e Banco Master Múltiplo S.A.
OUTRAS LIQUIDAÇÕES – Já em 15 de janeiro, o BC liquidou a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., anteriormente conhecida como Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
Por último, o BC decretou a liquidação da Will Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento, popularmente conhecida como Will Bank.
Além das instituições ligadas a Vorcaro, como as próprias instituições do Master e bancos relacionados, a corretora Reag foi liquidada extrajudicialmente por ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.
ELO COM O PCC – Dentro das investigações da Polícia Federal, os fundos da corretora Reag têm ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em operação deflagrada ainda em 2025. O fundador da instituição é João Carlos Mansur, também alvo da PF no âmbito da Compliance Zero.
Em apenas cinco anos, de 2020 a 2025, o patrimônio sob gestão da Reag se multiplicou por quase 14 vezes: passou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões. As apurações também apontam que a corretora pode ter sido utilizada para inflar ou ocultar riscos do Master, para facilitar uma tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB), vetada pelo BC.
Fundos ligados à própria corretora adotaram, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sigilo sobre suas carteiras, omitindo o detalhamento dos ativos por prazo de seis meses, conforme mostrou o Metrópoles.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Uma coisa é certa nesse vespeiro – a fiscalização exercida pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários está deixando muito a desejar. Em tradução simultânea, BC e CVM não estão controlando nada. Mesmo assim, até agora não se viu nenhuma autoridade defendendo nem propondo mais rigor na fiscalização. Por que será? Ora, é porque nasce um otário a cada 30 segundos. (C.N.)