Manifestantes são feridos por raios em ato pela anistia de Bolsonaro
Por Raquel Lopes e Mariana Brasil/Folhapress
25/01/2026 às 15:50
Foto: Reuters/Folhapress
Nikolas chegou ao ato por volta de 14h deste domingo (25), acompanhado por cerca de 400 apoiadores
Treze pessoas foram encaminhadas ao hospital após um raio atingir o ato em Brasília que marca o fim da caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que veio andando desde Minas Gerais, em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Hospital de Base do Distrito Federal não quis informar as condições das vítimas, mas, mais cedo, a Polícia Militar afirmou que há seis pessoas em estado grave.
Nikolas chegou ao ato por volta de 14h deste domingo (25), acompanhado por cerca de 400 apoiadores.
Segundo a deputada Bia Kicis (PL-DF), os manifestantes estavam apoiados num gradil, na Praça do Cruzeiro, que fica na capital federal, e por isso sofreram os efeitos do raio.
Ao menos duas vítimas vieram de outros estados, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, para participar do ato.
Nikolas percorreu 240 km de caminhada até a capital federal. Sob forte chuva no final, o parlamentar estava usando colete à prova de balas. O uso do equipamento teria sido uma recomendação de seguranças por causa de ameaças que teria recebido.
O ato protesta contra as condenações aos envolvidos no 8 de janeiro — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — e teve a participação do pastor Silas Malafaia e do vereador Carlos Bolsonaro (PL-SP), além de outros políticos de direita.
A previsão era de que o grupo chegasse à região central de Brasília ao meio-dia deste domingo, mas por volta das 13h Nikolas e seus apoiadores caminhavam em trechos de acesso ao plano piloto da capital. O clima é bastante chuvoso na região.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não participou da caminhada, mas manifestou apoio a Nikolas e a demais parlamentares que aderiram ao movimento por meio das redes sociais. Após se encontrar com o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS), ela fez uma fala a apoiadores que ocupavam a frente de um dos pontos de pernoite da caminhada.
"É um evento pacífico, ordeiro, conduzido por Deus", disse. "Então, por favor, sigam a orientação do nosso líder, o Nikolas. Quando vocês chegarem ali, depois cada um para sua casa. Nós estamos aqui lutando pela libertação da nossa nação", declarou.
Na noite de sábado (24), Nikolas anunciou como ponto de encontro para retomada da caminhada a estação BRT Floricultura, localizada a cerca de 19km do destino final, a praça do Cruzeiro, em Brasília. A saída do grupo do ponto foi marcada para as 9h.
Como mostrou a Folha, aliados afirmaram que Michelle não participa dos atos para evitar desgastes com o ministro do STF Alexandre de Moraes, com quem conversou antes da transferência de Bolsonaro da sede da PF (Polícia Federal) para a Papudinha. No encontro, Michelle fez um apelo para que o ministro autorize a prisão domiciliar do ex-presidente.
Além dela, o filho mais velho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também não participou dos atos, por estar em viagem a Jerusalém. Também pelas redes, ele prestou apoio a Nikolas e fez videochamada com o parlamentar ao longo do trajeto.
Apesar de não estar no roteiro da caminhada, o Palácio do Planalto, localizado na praça dos três Poderes, colocou no sábado (22) grades de proteção em torno da sede do governo, como medida de garantir a segurança durante o ato.
O parlamentar partiu na segunda-feira (19) de Paracatu, em Minas Gerais. Ao longo do trajeto, o deputado abasteceu as redes sociais. A marcha também atraiu políticos de várias localidades em busca de visibilidade digital.
Apesar de afirmar não querer que seu protesto fosse utilizado por "políticos", a manifestação estava cheia deles. Havia vereadores de cidades do interior que foram eleitos com apoio de Nikolas ou buscavam conquistá-lo, além de deputados, senadores e pré-candidatos às eleições deste ano.
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