Prefeitura de Santo Amaro das Brotas exonera todos os cargos comissionados
A exoneração dos funcionários ocorre após retenção de todo o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM)
A informação foi divulgada pelo prefeito do município, Paulo César (Foto: Santo Amaro das Brotas, como eu vejo/Facebook)
A Prefeitura de Santo Amaro das Brotas anunciou a exoneração de todos os cargos comissionados da gestão municipal diante da grave situação financeira do município. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 21.
Segundo o prefeito Paulo César Oliveira, a exoneração dos funcionários ocorre após a decisão do Governo Federal de reter todo o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para a quitação de dívidas do município com a Receita Federal do Brasil.
Em nota, o gestor explicou que não haveria condições reais para garantir o pagamento mensal dos funcionários. Além disso, afirmou que apenas os cargos necessários para continuidade dos serviços essenciais serão mantidos.
“É necessário um passo atrás para reorganizar as finanças, recuperar recursos, quitar pagamentos pendentes e garantir a continuidade da administração do nosso município”, relatou o prefeito.
Complicações financeiras
No início do mês, a prefeitura do município já havia informado sobre as complicações financeiras, anunciando o cancelamento da Festa de Janeiro de 2026, que contaria com atrações como Lambissaia, Mikael Santos e O Kannalha, após o bloqueio de mais de R$ 500 mil do FPM.
por Carol Mundim
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Nota da redação Deste Blog - Jeremoabo: entre a herança maldita e a coragem de governar
A situação encontrada pelo prefeito Tista de Deda ao assumir a administração municipal de Jeremoabo talvez tenha sido até mais grave do que a vivida recentemente em Santo Amaro das Brotas. A inadimplência herdada, fruto de uma gestão desastrosa, comprometeu finanças, credibilidade e a própria capacidade de o município honrar seus compromissos básicos. Era, sem exagero, um cenário de terra arrasada — a clássica “herança maldita”.
Diante desse quadro, muitos prefeitos teriam optado pelo caminho mais fácil: demissões em massa, cortes radicais e a transferência de responsabilidades para os trabalhadores e para a população mais vulnerável. Em Santo Amaro das Brotas, por exemplo, a prefeitura anunciou a exoneração de todos os cargos comissionados após o Governo Federal reter integralmente o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para quitar dívidas com a Receita Federal. O bloqueio de mais de R$ 500 mil levou inclusive ao cancelamento da tradicional Festa de Janeiro de 2026. Um choque administrativo que, embora compreensível do ponto de vista contábil, tem efeitos sociais devastadores.
Em Jeremoabo, no entanto, Tista de Deda escolheu outro rumo. Mesmo enfrentando dificuldades extremas, críticas oportunistas e o discurso do “quanto pior, melhor”, ele decidiu agir pelo lado humano. Apelou ao bom senso, à responsabilidade e à sabedoria política. Não saiu demitindo quase ninguém, preservou empregos, manteve serviços funcionando e encarou a tempestade de frente, como bom timoneiro que sabe que abandonar o leme no meio do mar revolto só agrava o naufrágio.
As críticas, muitas delas seletivas, surgiram a cada atraso pontual ou dificuldade de pagamento. Mas é preciso honestidade intelectual: quem governa sobre escombros não faz milagres da noite para o dia. Reorganizar finanças, recuperar credibilidade e quitar pendências exige tempo, disciplina e coragem para tomar decisões impopulares sem perder de vista a dimensão humana da gestão pública.
Tista de Deda parece ter entendido algo que muitos esquecem: a prefeitura não é uma empresa qualquer, e os servidores não são números descartáveis em uma planilha. Governar também é cuidar de gente. É por isso que sua postura contrasta com a de outros municípios que, diante do caos financeiro, optaram por medidas drásticas e imediatistas.
Como diz o provérbio popular, “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”. Tudo é transitório. Os momentos ruins passam — e passam mais rápido quando há determinação, seriedade e compromisso com o coletivo. Mas também é verdade que os momentos bons só se sustentam quando há planejamento e responsabilidade.
Jeremoabo atravessa um período difícil, sem dúvida. Mas, ao invés de aprofundar a crise com demissões em massa e decisões precipitadas, o prefeito resolveu enfrentar a realidade com coragem e humanidade. Isso não elimina os problemas herdados, mas aponta para um caminho mais justo, equilibrado e promissor.
No fim das contas, governar em tempos de bonança é fácil. Difícil é governar em meio ao caos — e ainda assim escolher não abandonar quem mais precisa. É nesse ponto que se mede a grandeza de um gestor. E, gostem ou não os críticos de plantão, Tista de Deda tem demonstrado que prefere enfrentar a tempestade com dignidade a jogar o povo ao mar para salvar a própria imagem.