quarta-feira, janeiro 28, 2026

Censura à imprensa: quando o ataque à informação ameaça a democracia

 

Censura à imprensa: quando o ataque à informação ameaça a democracia


Por José Montalvão

A recente decisão de um juiz do Amazonas que censura uma reportagem sobre um diretor do Incra e um projeto de crédito de carbono é mais um sinal alarmante de que a liberdade de imprensa segue sob ataque no Brasil. O caso expõe uma realidade incômoda: a censura não é um problema isolado, nem restrito a pequenas cidades ou contextos locais. Ela aparece onde há poder, interesses econômicos e medo da verdade.

Ainda bem — ou talvez infelizmente — não é só em Jeremoabo que se tenta calar a imprensa. Quando grandes veículos nacionais também sofrem censura, o problema ganha outra dimensão: deixa de ser local e passa a ser institucional, atingindo o direito coletivo à informação. Censurar jornalistas é impedir que a sociedade tenha acesso aos fatos, é travar o debate público e enfraquecer a democracia.

Por mais que se tente justificar decisões desse tipo com argumentos jurídicos ou técnicos, a realidade é simples: quem censura a imprensa censura o povo. Impede que a população seja informada, que questione, que fiscalize e que forme sua própria opinião. Trata-se de uma mordaça covarde, injustificável sob qualquer aspecto.

Neste episódio específico, há um elemento que provoca reflexão crítica: a censura atinge a Folha de S.Paulo, um dos maiores jornais do país. Isso não muda o fato de que a censura é errada — nenhuma censura é aceitável —, mas expõe uma ironia histórica que não pode ser ignorada.

A Folha, enquanto organização, colaborou diretamente com a repressão durante a ditadura militar, chegando a emprestar seus veículos para que o regime realizasse capturas e perseguições de militantes políticos. Esse fato histórico é documentado e não pode ser apagado. Além disso, o jornal sempre foi visto por parcelas da sociedade como defensor de interesses do mercado, muitas vezes adotando posições reacionárias e alinhadas às elites econômicas.

Ainda assim, é preciso deixar claro: nem mesmo a Folha merece ser censurada. A liberdade de imprensa não é um privilégio concedido a veículos “simpáticos” ou ideologicamente alinhados. Ela é um direito fundamental, válido para todos — inclusive para quem, no passado, falhou em defendê-la.

A censura nunca é pedagógica, nunca é justa e nunca fortalece a democracia. Pelo contrário: ela protege interesses obscuros, fragiliza instituições e empobrece o debate público. Hoje é um jornal; amanhã pode ser um site local, um blogueiro, um radialista ou qualquer cidadão que ouse “colocar a boca no trombone”.

Defender a liberdade de imprensa é defender o direito do povo de saber.
É defender a democracia.
E é, sobretudo, não aceitar o silêncio imposto pelo poder — venha ele de onde vier.
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                                    Foto Divulgação
                                        
 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

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