sábado, janeiro 24, 2026

Fiquem tranquilios, a imprensa livre vai destruir Toffoli e quem aparecer pela frente

Fiquem tranquilios, a imprensa livre vai destruir Toffoli e quem aparecer pela frente

Laerte: Crise política é culpa da imprensa - O Cafezinho

Charge do Laerte (Folha)

Carlos Newton

Em sua história contemporânea, o Brasil jamais teve uma imprensa livre como agora. Enquanto os três Poderes da República entram num processo de evidente degeneração, com atos de corrupção, abusos de poder e favorecimentos que contaminam as instituições, o jornalismo ingressa numa fase verdadeiramente gloriosa, em que o interesse público é defendido com entusiasmo jamais visto.

No artigo desta quinta-feira, dia 22, analisamos a evolução da grande imprensa (jornais, revistas e televisão) que atravessam um momento importantíssimo, capaz de levar ao aperfeiçoamento das instituições, através do livre debate sobre os graves erros e as distorções existentes, que corrompem Executivo, Legislativo e Judiciário, simultaneamente.

SEM CENSURA – Na verdade, o jornalismo jamais teve tanta liberdade, porque os empresários que dominam os meios de comunicação já não têm condições de vigiar as redações e exercer censura interna, devido à necessidade de divulgar as notícias em tempo real.

Basta lembrar o exemplo da peça “Calabar: O Elogio da Traição”, um musical verdadeiramente extraordinário, escrito em 1973 por Chico Buarque e Ruy Guerra.  A peça revisitava a figura histórica de Domingos Fernandes Calabar, o senhor de engenho que ajudou os holandeses contra Portugal no século XVII.

A obra, censurada pela ditadura militar até 1980, questionava os conceitos de traição e patriotismo, apresentando Calabar não como traidor, mas como rebelde. Na época, minha mulher, Jussara Martins, trabalhava na Manchete e foi escalada para fazer uma reportagem sobre a peça, que está sendo ensaiada no Teatro João Caetano. Peguei carona com ela.

COM CENSURA – Quando chegamos, a plateia  estava vazia, só havia algumas pessoas sentadas juntas numa das primeiras filas, que eram os censores. Resolvemos ficar longe deles e fomos ocupar um dos camarotes.

A peça era produzida pelo casal Fernando Torres e Fernanda Montenegro, com total esmero, realmente luxuosa e com músicas que se tornariam grandes sucessos, como “Não existe pecado ao sul do Equador”, “Cala a boca, Bárbara”, “Tatuagem”, “Ana de Amsterdam” e “Fado Tropical”.

O diretor Fernando Peixoto subiu ao palco e comunicou que seria feito o primeiro ensaio-geral, já com os figurinos e cenário, e não haveria intervalo nos três atos. Ao final, ficamos extasiados. Realmente maravilhosa a peça, com atuação magnífica de Tetê Medina, Betty Faria e Helio Ary, com 35 artistas e bailarinos no elenco de apoio.

UMA PREVISÃO – Ao deixarmos o teatro, fiz uma previsão, afirmando que “Calabar” iria servir como termômetro do regime militar. Se a peça fosse aprovada pela censura, seria um sinal de que a ditadura iria afrouxar. Mas, se fosse proibida, significaria que arrocho dos militares seria intensificado.

Não deu outra. Quando Jussara chegou à Manchete, na manhã seguinte, recebeu a informação de que a peça já tinha sido censurada, logo após o ensaio-geral.

Agora, a situação se repete. Se não houver punição a Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outros ministros que se comportam indevidamente, será sinal de que o país pode entrar em nova ditadura.

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P.S. 1 – Fala-se muito em Ditadura do Judiciário, mas isso “non ecziste”, como diria o padre Oscar Quevedo, com seu sotaque carregado. Toda ditadura é sempre militar, pois são eles que detêm a força. Respeito o pessimismo alheio, mas estou otimista. Os militares brasileiros já provaram que defendem a legalidade. Assim, é mais fácil prender os “bandidos de toga”, que já eram citados em 2011 pela ministra Eliana Calmon, do que entregar a eles o comando do país.

P.S. 2 – Já ia esquecendo. Chico Buarque conta que os produtores da peça – Fernando Torres e Fernanda Montenegro – tiveram um prejuízo de 30 mil dólares e jamais foram ressarcidos(C.N.)



Nota da Redação Deste Blog - Imprensa livre, toga pesada e a mordaça judicial


Por José Montalvão


Hoje, como de costume, iniciei o dia lendo as publicações do site Tribuna da Internet, do companheiro e parceiro, o veterano jornalista Carlos Newton. Uma matéria em especial, intitulada “Fiquem tranquilos, a imprensa livre vai destruir Toffoli e quem aparecer pela frente”, chamou minha atenção não apenas pelo título provocativo, mas sobretudo pelo conteúdo e pelos comentários que a acompanharam.

O texto de Carlos Newton traz uma reflexão forte e necessária:

“Em sua história contemporânea, o Brasil jamais teve uma imprensa livre como agora. Enquanto os três Poderes da República entram num processo de evidente degeneração, com atos de corrupção, abusos de poder e favorecimentos que contaminam as instituições, o jornalismo ingressa numa fase verdadeiramente gloriosa, em que o interesse público é defendido com entusiasmo jamais visto.”

É uma constatação dura, mas real. Vivemos uma época paradoxal: ao mesmo tempo em que a imprensa nunca teve tantos instrumentos para informar, investigar e denunciar, nunca sofreu tanta pressão, tantos ataques e tantas tentativas de silenciamento.

O que mais me chamou atenção, porém, foram dois comentários de leitores que sintetizam com precisão cirúrgica a realidade brasileira.

O primeiro, do cidadão Jorge, diz tudo em poucas palavras:

“A imprensa livre é uma ilha bem pequena, cercada por um mar de lama.”

Uma imagem perfeita. A imprensa verdadeiramente livre resiste como um pequeno território cercado por interesses escusos, corrupção institucionalizada, acordos de bastidores e uma máquina poderosa que tenta desmoralizar, intimidar e calar quem ousa expor a verdade.

O segundo comentário, do cidadão Pedro Ricardo Maximino, é ainda mais contundente e, infelizmente, muito próximo do que tenho sentido e observado em Jeremoabo:

“Togados no Brasil confundem o substantivo IMPRENSA com o verbo IMPRENSAR.

Reflexo disso é o assédio judicial que tenta calar o verdadeiro jornalismo.

Julian Assange simboliza o que é mais frequente no Brasil.

A MORDAÇA JUDICIAL.”

Aqui está o ponto central do problema: o uso do Judiciário como instrumento de intimidação. Processos seletivos, decisões desproporcionais, multas absurdas e condenações injustas passam a funcionar como uma espécie de “freio de mão” imposto ao jornalismo independente. Não se trata de fazer justiça, mas de impor medo. Não se trata de reparar danos, mas de criar exemplos para que outros se calem.

E isso não é teoria. É prática cotidiana. Em Jeremoabo, já sentimos os efeitos colaterais dessa lógica perversa: jornalistas perseguidos, comunicadores pressionados, denúncias abafadas e verdades empurradas para debaixo do tapete. Tudo isso em nome de uma suposta “honra” que, na prática, serve apenas para proteger poderosos e seus desmandos.

Diante de todas essas anomalias institucionais, lembrei imediatamente da famosa frase atribuída a Luís XIV, rei da França:

“L’État, c’est moi”
(“O Estado sou eu.”)

Essa mentalidade absolutista parece ter ressuscitado em pleno século XXI, vestida agora com toga e discursos jurídicos. Quando autoridades passam a agir como se fossem o próprio Estado, como se estivessem acima da crítica, da imprensa e da sociedade, entramos num terreno perigosíssimo para a democracia.

A liberdade de imprensa não é um favor concedido pelo poder. É um direito constitucional e um pilar civilizatório. Sem ela, não há fiscalização, não há transparência e não há democracia de verdade. O que resta é o arbítrio, a perseguição e o silêncio forçado.

Por isso, mais do que nunca, é preciso defender o jornalismo independente, valorizar quem tem coragem de enfrentar o sistema e denunciar a mordaça judicial que se espalha pelo país. Porque hoje tentam calar jornalistas. Amanhã, podem calar qualquer cidadão que ouse pensar diferente.

E quando a toga pesa mais do que a Constituição, não é a imprensa que está em julgamento — é a própria democracia brasileira.


  José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025



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