Fiquem tranquilios, a imprensa livre vai destruir Toffoli e quem aparecer pela frente
Nota da Redação Deste Blog - Imprensa livre, toga pesada e a mordaça judicial
Por José Montalvão
Hoje, como de costume, iniciei o dia lendo as publicações do site Tribuna da Internet, do companheiro e parceiro, o veterano jornalista Carlos Newton. Uma matéria em especial, intitulada “Fiquem tranquilos, a imprensa livre vai destruir Toffoli e quem aparecer pela frente”, chamou minha atenção não apenas pelo título provocativo, mas sobretudo pelo conteúdo e pelos comentários que a acompanharam.
O texto de Carlos Newton traz uma reflexão forte e necessária:
“Em sua história contemporânea, o Brasil jamais teve uma imprensa livre como agora. Enquanto os três Poderes da República entram num processo de evidente degeneração, com atos de corrupção, abusos de poder e favorecimentos que contaminam as instituições, o jornalismo ingressa numa fase verdadeiramente gloriosa, em que o interesse público é defendido com entusiasmo jamais visto.”
É uma constatação dura, mas real. Vivemos uma época paradoxal: ao mesmo tempo em que a imprensa nunca teve tantos instrumentos para informar, investigar e denunciar, nunca sofreu tanta pressão, tantos ataques e tantas tentativas de silenciamento.
O que mais me chamou atenção, porém, foram dois comentários de leitores que sintetizam com precisão cirúrgica a realidade brasileira.
O primeiro, do cidadão Jorge, diz tudo em poucas palavras:
“A imprensa livre é uma ilha bem pequena, cercada por um mar de lama.”
Uma imagem perfeita. A imprensa verdadeiramente livre resiste como um pequeno território cercado por interesses escusos, corrupção institucionalizada, acordos de bastidores e uma máquina poderosa que tenta desmoralizar, intimidar e calar quem ousa expor a verdade.
O segundo comentário, do cidadão Pedro Ricardo Maximino, é ainda mais contundente e, infelizmente, muito próximo do que tenho sentido e observado em Jeremoabo:
“Togados no Brasil confundem o substantivo IMPRENSA com o verbo IMPRENSAR.
Reflexo disso é o assédio judicial que tenta calar o verdadeiro jornalismo.
Julian Assange simboliza o que é mais frequente no Brasil.
A MORDAÇA JUDICIAL.”
Aqui está o ponto central do problema: o uso do Judiciário como instrumento de intimidação. Processos seletivos, decisões desproporcionais, multas absurdas e condenações injustas passam a funcionar como uma espécie de “freio de mão” imposto ao jornalismo independente. Não se trata de fazer justiça, mas de impor medo. Não se trata de reparar danos, mas de criar exemplos para que outros se calem.
E isso não é teoria. É prática cotidiana. Em Jeremoabo, já sentimos os efeitos colaterais dessa lógica perversa: jornalistas perseguidos, comunicadores pressionados, denúncias abafadas e verdades empurradas para debaixo do tapete. Tudo isso em nome de uma suposta “honra” que, na prática, serve apenas para proteger poderosos e seus desmandos.
Diante de todas essas anomalias institucionais, lembrei imediatamente da famosa frase atribuída a Luís XIV, rei da França:
“L’État, c’est moi”(“O Estado sou eu.”)
Essa mentalidade absolutista parece ter ressuscitado em pleno século XXI, vestida agora com toga e discursos jurídicos. Quando autoridades passam a agir como se fossem o próprio Estado, como se estivessem acima da crítica, da imprensa e da sociedade, entramos num terreno perigosíssimo para a democracia.
A liberdade de imprensa não é um favor concedido pelo poder. É um direito constitucional e um pilar civilizatório. Sem ela, não há fiscalização, não há transparência e não há democracia de verdade. O que resta é o arbítrio, a perseguição e o silêncio forçado.
Por isso, mais do que nunca, é preciso defender o jornalismo independente, valorizar quem tem coragem de enfrentar o sistema e denunciar a mordaça judicial que se espalha pelo país. Porque hoje tentam calar jornalistas. Amanhã, podem calar qualquer cidadão que ouse pensar diferente.
E quando a toga pesa mais do que a Constituição, não é a imprensa que está em julgamento — é a própria democracia brasileira.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025
