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Por José Montalvão
A cada dia que passa, fica mais evidente que quem deseja assumir um cargo público precisa se aperfeiçoar. O tempo do improviso, do “jeitinho” e das nomeações sem critério técnico ficou para trás — ou pelo menos deveria ficar. Um exemplo claro dessa transformação está nas Guardas Municipais. Houve um período em que o cidadão era nomeado ou contratado como guarda sem nenhum curso de formação, e, em alguns casos, sequer possuía o primeiro grau completo. Hoje, essa realidade já não se sustenta diante das exigências da sociedade e da complexidade dos desafios da Segurança Pública.
Vivemos um novo momento. A Segurança Pública deixou de ser vista apenas como uma atividade operacional e passou a ser entendida como uma política pública estratégica, que demanda planejamento, técnica, responsabilidade e visão de futuro. Nesse contexto, os profissionais que conduzem corporações precisam atuar com autoridade, eficiência e responsabilidade — sem improviso.
O papel do comando nas Guardas Municipais, em especial, mudou profundamente. Antes restrito à coordenação de rondas e à solução imediata de ocorrências, hoje ele envolve um conjunto muito mais amplo de atribuições. Liderar uma guarda municipal exige domínio de normas legais, capacidade de gestão de pessoas, planejamento estratégico, tomada de decisões complexas e articulação institucional com outras forças de segurança e órgãos públicos.
Além disso, o comandante moderno precisa compreender que sua função é também pedagógica e administrativa. Ele forma equipes, estabelece padrões de conduta, define prioridades operacionais e cria uma cultura organizacional baseada em disciplina, respeito aos direitos humanos e eficiência no serviço público. Isso requer formação continuada, atualização constante e preparo técnico.
Não se trata de elitizar o acesso aos cargos públicos, mas de garantir que eles sejam ocupados por pessoas qualificadas, comprometidas e conscientes da responsabilidade que assumem ao vestir uma farda ou ocupar uma função de liderança. A sociedade cobra resultados, transparência e profissionalismo — e tem razão em fazê-lo.
Portanto, quem almeja um cargo público, especialmente em áreas sensíveis como a Segurança Pública, precisa entender que estudo, capacitação e aperfeiçoamento não são opcionais, mas requisitos básicos. O Brasil de hoje não comporta mais gestores improvisados nem comandantes despreparados. As Guardas Municipais, como instituições cada vez mais relevantes na proteção do cidadão e na preservação da ordem urbana, merecem líderes à altura de sua missão.
A profissionalização não é um luxo. É uma necessidade. E dela depende não apenas a eficiência das corporações, mas também a confiança da população nas instituições públicas e no Estado Democrático de Direito.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025
