Jeremoabo: Potencial Rural à Espera de Planejamento, Incentivo e Ação
* Por José Montalvão
Jeremoabo não é uma terra pobre de recursos; é, isso sim, uma terra pobre de políticas públicas consistentes voltadas para o desenvolvimento rural. O que está faltando para transformar a agricultura e a pecuária do município em atividades modernas, competitivas e geradoras de renda não é milagre, nem discurso vazio: é planejamento, capacitação, iniciativa e, sobretudo, ação.
Recursos naturais existem em abundância. O subsolo de Jeremoabo é rico em água subterrânea, um patrimônio estratégico em pleno semiárido. Os terrenos, em sua maioria, são de boa qualidade e perfeitamente aptos para culturas adaptadas ao clima da região, bem como para a criação racional de bovinos, caprinos e ovinos. Em outras palavras: a base produtiva está pronta; o que falta é organizá-la, estruturá-la e colocá-la a serviço do desenvolvimento.
O grande gargalo está na ausência de políticas de incentivo continuadas por parte dos governos estadual e federal. Jeremoabo precisa de programas de perfuração e manutenção de poços, de sistemas de irrigação eficientes, de crédito rural acessível, de assistência técnica permanente e de projetos que integrem pequenos, médios e grandes produtores em cadeias produtivas sustentáveis. Sem isso, o agricultor e o pecuarista continuam reféns do improviso, da dependência das chuvas e da lógica da subsistência.
Mais grave ainda é a omissão histórica da classe política que deveria representar o município nas esferas estadual e federal. Onde estão os deputados e senadores quando se trata de destinar emendas para a agricultura familiar, para a mecanização do campo, para a construção de barragens subterrâneas, adutoras, estradas vicinais e centros de comercialização? Muitos aparecem apenas em época de eleição, pedem votos, tiram fotos e desaparecem quando chega a hora de defender, em Brasília ou em Salvador, os interesses reais de Jeremoabo.
Nesse cenário, a iniciativa do prefeito Tista de Deda surge como um ponto de inflexão necessário. Ao planejar a implantação e o incentivo de uma agricultura competitiva e desenvolvida, baseada em novas técnicas e no uso de maquinário moderno e sofisticado, o prefeito sinaliza que é possível romper com o atraso histórico do setor. A mecanização, a irrigação inteligente, o uso de sementes melhoradas, a correção de solo e a introdução de tecnologias de precisão podem transformar a produtividade local e abrir novas oportunidades de mercado.
Mas nenhuma gestão municipal, por mais bem-intencionada que seja, conseguirá fazer isso sozinha. É imprescindível o apoio efetivo do governo federal, por meio de programas como crédito subsidiado, fomento à inovação no campo, fortalecimento da assistência técnica e extensão rural (ATER) e parcerias com universidades e institutos federais. Do mesmo modo, o governo estadual precisa assumir sua parte, integrando Jeremoabo aos seus planos de desenvolvimento rural e de convivência com o semiárido.
Outro ponto central é a capacitação dos produtores. Não basta entregar máquinas e insumos; é preciso ensinar a usá-los de forma eficiente, econômica e sustentável. Cursos, oficinas, dias de campo e acompanhamento técnico contínuo devem fazer parte de uma política séria de modernização rural. Sem conhecimento, a tecnologia vira sucata; com conhecimento, ela vira prosperidade.
Jeremoabo tem tudo para deixar de ser apenas um município que sobrevive do campo e passar a ser um município que cresce a partir do campo. O que falta não é água, nem terra, nem vocação produtiva. Falta vontade política em nível mais amplo, compromisso dos representantes eleitos e uma articulação firme entre município, estado e União.
Se o projeto do prefeito Tista de Deda for levado a sério e receber o apoio institucional que merece, a agricultura e a pecuária de Jeremoabo podem entrar em um novo ciclo: mais produtivo, mais moderno, mais justo e mais gerador de renda. Caso contrário, continuaremos vendo o potencial desperdiçado, enquanto o povo do campo segue pagando o preço da negligência e do improviso.
Desenvolver Jeremoabo não é utopia. É decisão política. É planejamento. É ação.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025