
Malafaia disse que Flávio ‘não tem musculatura política’
Yago Godoy
O Globo
O pastor bolsonarista Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, voltou a afirmar que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República não tem “musculatura” política. Segundo ele, a iniciativa também “não empolgou” a direita, que teria no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um nome mais adequado. A declaração do religioso ocorre logo após ao cancelamento da visita do gestor paulista a Jair Bolsonaro, nesta terça-feira, que, conforme antecipado por Flávio, ouviria do ex-presidente que suas pretensões presidenciais estão “descartadas”.
“Se não juntar centro e direita, não ganha essa eleição. E o Tarcísio engloba mais isso do que o Flávio. Eu não vejo o Flávio com musculatura para derrotar (presidente) Lula (PT) “, disse Malafaia, nesta quarta-feira, em entrevista ao SBT News. “A candidatura do Flávio não empolgou a direita”, completou, justificando que o endosso de políticos foi apenas “para não se queimarem”.
Para o pastor, o filho do ex-presidente é o “candidato que a esquerda quer”. Malafaia defendeu que Tarcísio tem “mais capilaridade”, e deveria formar uma chapa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que “tem a direita, as mulheres, e é filha de nordestinos”. No mês passado, logo após Flávio anunciar a pré-candidatura, o pastor também manifestou desejo por uma união entre Tarcísio e Michelle, com as mesmas justificativas, e definiu como um “movimento errado” a escolha pelo senador.
O pastor bolsonarista, no entanto, ressaltou não ver “nada demais” no fato da direita ter “três ou quatro” candidatos, como os governadores presidenciáveis Ronaldo Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais) e Ratinho Júnior (Paraná), que são “competentes para ser presidentes”.
— Mas a questão não é ter competência, é quem pode vencer essa corja — disse Malafaia. — Se tiver mais de um candidato da direita (no primeiro turno), eu vou escolher o que eu achar melhor. Quem for para o segundo turno, eu vou apoiar — completou.
Poucas horas após o anúncio da pré-candidatura de Flávio, no dia 5 de dezembro, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo já havia manifestado seu descontentamento:
“O amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas. Não estou falando nem contra e nem a favor de ninguém. Somente isto”, escreveu Malafaia, nas redes sociais, sem citar o filho do ex-presidente.
Flávio ‘consolidado’
Conforme a última pesquisa presidencial divulgada pela Genial/Quaest, apesar de Tarcísio ainda ser mais competitivo contra Lula no segundo turno, Flávio viu sua distância diminuir para o petista. No cenário de segundo turno entre Flávio e Lula, o filho do ex-presidente pontua 38%, sete pontos a menos que os 45% do pré-candidato à reeleição. Já sobre a rejeição, Flávio viu o percentual cair de 60% para 55% e aparecer agora no mesmo patamar do petista, rejeitado por 54%.
Tarcísio, em um segundo turno, teria 39% dos votos contra 44% do presidente. Em um cenário com os três disputando o primeiro turno, contudo, o senador aparece à frente do mandatário paulista: Lula com 36%, Flávio 23% e Tarcísio 9%.
Hoje, Tarcísio iria visitar Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como Papudinha, onde o ex-presidente está preso por tentativa de golpe de Estado. Ao O Globo, durante a tarde de terça-feira, Flávio afirmou que o governador ouviria de Bolsonaro que as “eleições presidenciais estão descartadas” para ele.
— Tarcísio vai ouvir da boca de Bolsonaro que está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT. Eleições presidenciais estão descartadas para ele — sentenciou o senador.
Poucas horas depois, o governador cancelou sua visita ao ex-presidente, mas afirmou ter “compromissos” de agenda. Nesta quinta-feira, contudo, Tarcísio terá apenas despachos internos no Palácio dos Bandeirantes, segundo informou sua assessoria ao O Globo.