segunda-feira, janeiro 19, 2026

Entre a indignação e a coerência: denúncias, política e responsabilidade com Jeremoabo


Hoje comecei a semana recebendo um vídeo de um amigo da cidade de Tucano, na Bahia, trazendo graves denúncias contra um deputado federal da nossa região. Junto ao vídeo, ele enviou a seguinte mensagem, que me fez refletir profundamente:

“Como um cidadão que diz gostar e querer ver o progresso de Jeremoabo tem a coragem de pedir votos para tal deputado, quando contra o mesmo pesam supostas denúncias de improbidades?”

A pergunta é simples, mas carrega um peso enorme de coerência moral e responsabilidade política. Em tempos em que tanto se fala em renovação, ética e compromisso com o bem público, não é admissível que se fechem os olhos para acusações sérias apenas por conveniência eleitoral ou alinhamento político.

É claro que, em um Estado Democrático de Direito, toda pessoa tem direito à presunção de inocência. Denúncias precisam ser apuradas, provas analisadas e o devido processo legal respeitado. No entanto, isso não pode servir de desculpa para normalizar comportamentos suspeitos nem para transformar a política em um vale-tudo onde os fins justificam os meios.

O que causa maior perplexidade é ver pessoas que se apresentam como defensoras do progresso de Jeremoabo, do combate à corrupção e da moralidade administrativa, pedindo votos para alguém que carrega sobre si acusações de improbidade. Isso revela uma contradição gritante entre o discurso e a prática.

Jeremoabo já sofreu demais com gestões marcadas por descaso, irregularidades e impunidade. A população conhece na pele o preço de escolhas erradas: obras malfeitas, recursos desviados, serviços públicos precários e promessas não cumpridas. Por isso, apoiar, divulgar ou pedir votos para políticos sob suspeita séria é, no mínimo, desrespeitar a inteligência e a memória do povo jeremoabense.

Não se trata de fazer julgamento antecipado, mas de adotar um critério mínimo de prudência e ética. Quem realmente ama Jeremoabo e quer ver a cidade avançar precisa defender a boa política, aquela que se baseia em transparência, ficha limpa e compromisso verdadeiro com o interesse público.

A política não pode continuar sendo um jogo de conveniências pessoais, de alianças oportunistas e de silêncios cúmplices. É hora de exigir coerência: não dá para discursar contra a corrupção e, ao mesmo tempo, pedir votos para quem está sob a sombra de denúncias graves.

Se queremos um futuro diferente para Jeremoabo e para toda a nossa região, ele começa com escolhas responsáveis no presente. O progresso não combina com a conivência, e a ética não pode ser seletiva. 



O vídeo acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Blog Dedemontalvaot. 

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