quinta-feira, janeiro 15, 2026

Denúncias, moralidade pública e o dever das instituições

 


Nota da Redação Deste Blog-  Denúncias, moralidade pública e o dever das instituições


Por José Montalvão

Recebi o conteúdo acima transcrito acompanhado da seguinte pergunta:
“O que o senhor acha de todos esses fatos negativos e, no mínimo, imorais que pesam contra o pré-candidato a deputado estadual Carlinhos Sobral?”

Sinceramente, não acho nada — e explico o porquê.

Vivemos em um Estado Democrático de Direito, onde opiniões pessoais não podem substituir investigações oficiais, nem julgamentos precipitados podem se sobrepor ao devido processo legal. Diante de denúncias dessa gravidade, quem deve achar, apurar, investigar e esclarecer os fatos à sociedade não é um blog, um jornalista ou um cidadão isoladamente, mas sim as instituições legalmente constituídas para esse fim.

Se existem indícios de irregularidades envolvendo recursos do FUNDEB, cooptação política, uso indevido da máquina pública ou qualquer outro ato que fira a moralidade administrativa, a responsabilidade de apuração é da Polícia Federal, do Ministério Público e, ao final, do Poder Judiciário. São esses órgãos que têm competência técnica, legal e constitucional para separar fato de boato, culpa de inocência, denúncia de condenação.

Do ponto de vista político, cabe ainda um ator fundamental nesse processo: o eleitor. É ele quem, munido de informações oficiais, decisões judiciais e esclarecimentos públicos, deve formar sua convicção e decidir nas urnas quem merece ou não sua confiança.

O texto que circula e que envolve o nome de Carlinhos Sobral traz acusações sérias, com números expressivos e forte repercussão regional. Contudo, enquanto tais denúncias não forem devidamente confirmadas por investigações conclusivas, qualquer juízo definitivo corre o risco de se transformar em injustiça ou em instrumento de linchamento político.

Este espaço não se presta a condenações antecipadas, tampouco a blindagens políticas. Defendemos, sim, a transparência, a responsabilização de quem comete ilícitos e o uso correto do dinheiro público, especialmente quando se trata de recursos sensíveis como os da educação. Mas defendemos, com a mesma firmeza, o respeito ao devido processo legal.

Se houve crime, que se puna com o rigor da lei.
Se não houve, que se restabeleça a verdade.

Até lá, a sociedade deve cobrar respostas das instituições competentes, e não substituir a Justiça por achismos, paixões políticas ou narrativas convenientes.

A democracia se fortalece não com espetáculos, mas com instituições funcionando, leis sendo respeitadas e cidadãos conscientes de seus direitos e deveres.

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