Vinte anos de resistência, coerência e compromisso com a verdade
O ano de 2026 marca um momento emblemático na história deste blog: são vinte anos de existência ininterrupta, edificados com coragem, coerência e, sobretudo, independência editorial. Desde a sua criação, este espaço jamais se esquivou dos grandes debates públicos, especialmente nos períodos eleitorais, mantendo-se fiel às convicções que lhe deram origem. Aqui, nunca houve neutralidade conveniente nem silêncio cúmplice diante dos abusos do poder, venham eles de onde vierem.
Ao longo dessa trajetória, não faltaram tentativas de intimidação, censura velada, mordaças institucionais e injustiças explícitas. Ainda assim, nada foi capaz de desviar o rumo escolhido. A linha editorial permaneceu firme, sem medo, sem submissão e sem dependência de interesses políticos, econômicos ou pessoais. Como ensina o velho adágio popular, os cães podem até ladrar, mas a caravana segue adiante — e seguiu.
A credibilidade construída ao longo dessas duas décadas não é fruto do acaso. Ela resulta do trabalho diário, da persistência e da recusa sistemática em negociar princípios. Cada ataque sofrido, cada perseguição e cada tentativa de cerceamento acabaram, paradoxalmente, fortalecendo este espaço, sustentado não apenas pela confiança dos leitores, mas também pela fé, que ofereceu amparo, discernimento e direção nos momentos mais difíceis.
Em toda profissão chega um instante decisivo: ou se permanece fiel aos próprios valores, ou se escolhe o caminho mais fácil, geralmente pavimentado pelo dinheiro, pela conveniência e pelo oportunismo. O jornalismo não foge a essa regra. Não se trata de santidade, mas de limites éticos inegociáveis. Existe uma linha que não pode ser cruzada sem que se perca a própria razão de existir da profissão. Aceitar a lógica perversa de que tudo tem preço — inclusive a consciência — é decretar a falência moral do jornalismo.
Quando o jornalista deixa de se indignar diante das injustiças, da corrupção sistêmica, dos privilégios escandalosos e das chamadas “mamatas” institucionalizadas, chega o momento de encerrar o ofício. Aqui, a escolha sempre foi outra: continuar indignado, atento às dores sociais e com coragem suficiente para denunciar as imundícies que contaminam diferentes esferas da sociedade — inclusive aquelas que, por tradição, conveniência ou medo, muitos insistem em tratar como intocáveis.
Essa postura crítica jamais poupou instituições historicamente blindadas. Prova disso foram episódios marcantes envolvendo o sistema de Justiça em Jeremoabo, contexto no qual este jornalista, ao republicar opinião de terceiro com a devida identificação e autoria, acabou penalizado. Situações como essa evidenciam ambientes hostis à liberdade de expressão e exigiram posicionamento ético firme e compromisso inegociável com a verdade. Em todos os momentos, a verdade esteve acima de cargos, títulos, hierarquias ou convenções sociais.
Entre as inúmeras marcas deixadas ao longo desses quase vinte anos, uma se destaca de forma simbólica e contundente: a perseguição sofrida por este blog, devidamente registrada em relatório oficial. O espaço passou a figurar no Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa em Jeremoabo, no Brasil, documento que monitora ataques, intimidações e perseguições contra profissionais da comunicação, publicado anualmente pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Longe de representar vaidade, esse registro confirma que exercer o jornalismo com firmeza, fé e compromisso ético ainda incomoda — e muito, inclusive em realidades locais como a de Jeremoabo.
Vinte anos depois, este blog permanece fiel ao seu propósito original: informar, provocar reflexão e incomodar quando necessário. Porque jornalismo que não questiona o poder, que não enfrenta privilégios e que não se indigna diante da injustiça não é jornalismo — é propaganda disfarçada de notícia.
E enquanto houver voz, consciência crítica e leitores dispostos a pensar, este espaço continuará existindo.