domingo, janeiro 11, 2026

Presidência do Senado contratou ex-senadora em cargo com salário de R$ 31 mil


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Nota da redação deste Blog - Dois pesos, duas medidas: a cleptocracia que se normalizou nos três Poderes
Por José Montalvão

Parece que estamos, mais uma vez, assistindo a um novo ato da cleptocracia que se entranhou nos três Poderes da República. Um sistema perverso onde as regras constitucionais valem apenas para os “de baixo”, enquanto o “andar de cima” segue blindado, imune, intocável — e, pior, naturalizando seus próprios privilégios.

No Brasil real, se um prefeito de pequeno município contratar qualquer servidor público sem concurso, mesmo pagando um singelo salário mínimo, rapidamente será enquadrado por improbidade administrativa, acusado de ferir os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade previstos no artigo 37 da Constituição Federal. O gestor vira manchete negativa, responde a processo, corre risco de multa, inelegibilidade e até perda de mandato.

Mas quando olhamos para Brasília, o roteiro muda completamente.

A Presidência do Senado Federal mantém em seu gabinete a ex-senadora Rose de Freitas (MDB-ES), ocupando um dos cargos comissionados mais elevados da Casa, com salário de R$ 31.279,53, acrescido de vale-refeição de R$ 1.784,47 e, como se não bastasse, dispensa de controle de ponto. Um privilégio que não existe para o trabalhador comum e nem para a imensa maioria dos servidores públicos do país.

Rose de Freitas não é técnica concursada. Trata-se de uma ex-parlamentar derrotada nas urnas em 2022, que, poucos meses após o fim do mandato, foi acomodada em um cargo estratégico do Senado, primeiro pelo então presidente Rodrigo Pacheco e, agora, mantida por Davi Alcolumbre. Um verdadeiro prêmio de consolação política, pago com dinheiro público.

Aqui se escancara a lógica cruel do sistema:
👉 quem manda pode tudo; quem tem juízo obedece.

Enquanto prefeitos são criminalizados por atos administrativos menores, as altas cúpulas dos Poderes seguem praticando o velho e conhecido nepotismo cruzado político, a distribuição de cargos como moeda de troca e a perpetuação de privilégios que afrontam o espírito da Constituição.

Não se trata apenas de legalidade formal, mas de moralidade administrativa. É ético? É justo? É compatível com um país onde milhões sobrevivem com um salário mínimo, enquanto derrotados nas urnas recebem salários superiores a R$ 30 mil sem sequer bater ponto?

Esse tipo de prática corrói a confiança da sociedade nas instituições, alimenta o descrédito na política e reforça a sensação de que o Brasil não é uma República de iguais, mas um país dividido entre castas: a dos que obedecem à lei e a dos que a moldam conforme seus interesses.

Enquanto isso não for enfrentado com coragem, transparência e igualdade de critérios, continuaremos reféns de um sistema onde a Constituição é rígida para uns e elástica para outros — um retrato fiel da cleptocracia institucionalizada que insiste em se perpetuar no poder.

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