
Corina tenta evitar que os americanos “colonizem” o país
José Carlos Werneck
À luz dos preceitos do Direito Internacional, a única solução para a situação da Venezuela é a posse imediata de Edmundo González Urrutia, candidato escolhido pelos eleitores e que teve sua ascensão ao poder impedida pelo ditador Nicolás Maduro.
E esse é, também, o pensamento da líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, em seu primeiro pronunciamento oficial, após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.
DIZ CORINA – A líder oposicionista reivindicou que Edmundo González Urrutia, adversário de Maduro nas eleições de 2024, assuma o poder em Caracas “imediatamente”.
Corina, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, publicou uma nota no início da tarde deste sábado, horas após o anúncio da ação americana pelo presidente dos EUA, Donald Trump, celebrando a chegada da “hora da liberdade”.
“Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem”, escreveu em nota publicada em seu perfil no X”.
VITÓRIA FORJADA – Nas últimas eleições presidenciais realizadas em julho do ano passado na Venezuela, María Corina, impedida de participar do pleito por inelegibilidade decretada em 2023, se aliou a González Urrutia para se opor ao presidente chavista.
Apesar da vitória forjada de Maduro, reeleito para o terceiro mandato, ter sido confirmada pelas autoridades eleitorais venezuelanas, a oposição rejeitou o resultado do pleito, demonstrando robustamente que as eleições teriam sido fraudadas sob o regime ditatorial de Maduro.
Grande parte da comunidade internacional aderiu ao posicionamento dos adversários do líder venezuelano e diversos países reconheceram González Urrutia como presidente legítimo do país, incluindo os Estados Unidos.
ESTÁ ASILADO – Diante das ameaças de prisão que recebeu do governo venezuelano após as eleições, o adversário de Maduro saiu do país em setembro em direção à Espanha, onde vive asilado desde então.
Em seu comunicado, demonstrando confiança numa possível posse do parceiro de chapa, María Corina pediu aos venezuelanos que se preparem para “implementar” algo que prometeu comunicar “em breve” por meio de seus canais oficiais.
“Hoje, estamos preparados para exercer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que a Transição Democrática seja alcançada. Uma transição que precisa de todos nós”, afirmou a líder oposicionista.