domingo, janeiro 11, 2026

O silêncio conveniente da grande imprensa e o protagonismo de Lula no acordo Mercosul–União Europeia

                                    Foto Divulgação

Por José Montalvão

A grande imprensa brasileira, cada vez mais seletiva em suas narrativas, volta a cumprir um papel que já se tornou recorrente: minimizar, quando não ocultar deliberadamente, o protagonismo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma das mais relevantes conquistas diplomáticas das últimas décadas — a consolidação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

O tratado, que se arrasta há mais de 20 anos, só voltou ao centro da agenda internacional graças à intensa atuação diplomática do atual governo brasileiro. Lula, com sua reconhecida capacidade de diálogo internacional, percorreu capitais europeias, reconstruiu pontes rompidas, resgatou a credibilidade ambiental do Brasil e recolocou o país como ator confiável no tabuleiro geopolítico global. Nada disso ocorreu por acaso — foi fruto de trabalho político persistente, paciente e estratégico.

No entanto, ao noticiar os avanços do acordo, parte significativa da mídia prefere destacar apenas o interesse europeu, a presença da presidente da Comissão Europeia ou o contexto internacional marcado pela guerra no Leste Europeu e pela ascensão chinesa. O nome de Lula, quando citado, aparece de forma lateral, quase como detalhe irrelevante. Uma omissão que não é inocente, mas ideológica.

A União Europeia não busca apenas ampliar mercados ou garantir acesso a consumidores sul-americanos. Busca segurança estratégica. A dependência energética da Rússia, as tensões com a China e a instabilidade em cadeias globais de suprimentos obrigaram Bruxelas a diversificar parceiros confiáveis. Nesse cenário, o Brasil — sob a liderança de Lula — reaparece como peça-chave: democrático, estável, produtor de alimentos, energia e matérias-primas essenciais.

Diferentemente de governos anteriores, marcados pelo isolamento diplomático e pelo negacionismo ambiental, o Brasil voltou a falar a linguagem do multilateralismo, do respeito institucional e da cooperação internacional. Foi essa mudança de postura que destravou resistências históricas dentro da União Europeia, especialmente em temas sensíveis como meio ambiente, direitos trabalhistas e sustentabilidade.

Ignorar esse fato é, no mínimo, desonestidade intelectual. Ridicularizar ou silenciar o papel de Lula é tentar reescrever a história em tempo real, como se acordos internacionais complexos surgissem por geração espontânea, sem liderança política, sem articulação e sem vontade de governar.

O acordo Mercosul–União Europeia não é apenas um tratado comercial. É um marco geopolítico que recoloca o Brasil no centro das decisões globais. E goste-se ou não, ele carrega a assinatura política de Lula — não apenas no papel, mas no esforço incansável de quem soube dialogar quando outros preferiram brigar, isolar e destruir.

A imprensa pode até tentar omitir. A história, porém, não costuma ser tão complacente com o apagamento deliberado dos fatos.

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