Fonte: JV PORTAL / JEREMOABO TV
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Nota da Redação Deste Blog : Quando a Cultura Encontra Esperança: Jeremoabo, seus Artistas e um Novo Tempo
Por José Montallvão
Jeremoabo sempre foi um celeiro de talentos. Na música, na poesia, no artesanato, no teatro e nas manifestações populares, a criatividade do povo jeremoabense nunca faltou. O que sempre faltou, historicamente, foi incentivo, reconhecimento e políticas públicas capazes de fazer esses talentos permanecerem na terra natal, produzindo, vivendo e crescendo aqui.
A jovem cantora Thayse Carvalho é um exemplo vivo dessa riqueza cultural. Jeremoabense, dedicada à música gospel, ela carrega em sua trajetória não apenas talento e fé, mas também uma herança musical marcante. Thayse é filha do cantor e compositor Ery Di Carvalho, nome respeitado e reconhecido pela sensibilidade artística e pela contribuição à música. O talento que atravessa gerações se renova nela, provando que a música, quando nasce no berço e no coração, deixa de ser apenas arte e se transforma em missão.
Jeremoabo se orgulha dessa família que faz da música um instrumento de louvor, cultura e inspiração. Contudo, é preciso reconhecer uma verdade dura e incontestável: os talentos jeremoabenses nunca receberam, de forma sistemática, incentivos para permanecer na cidade. Quem desejou progredir artisticamente precisou, quase sempre, buscar apoio em outros municípios ou até em outros estados.
Durante administrações passadas, a cultura foi tratada como gasto supérfluo, e não como investimento social, econômico e identitário. Houve, inclusive, dificuldades criadas para a implantação e deliberação de instrumentos fundamentais de fomento cultural, como a Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura), a Lei do Audiovisual e, mais recentemente, a Lei Paulo Gustavo (LPG).
A Lei Paulo Gustavo, aprovada em julho de 2022 e regulamentada em 2023, destinou R$ 3,86 bilhões a estados e municípios para ações emergenciais no setor cultural, duramente afetado pela pandemia da Covid-19. Desse montante, mais de R$ 2,7 bilhões foram destinados exclusivamente ao audiovisual, contemplando apoio a novas produções, manutenção de salas de cinema, festivais, formação e capacitação profissional. O restante dos recursos deveria fortalecer outras áreas da economia criativa, ampliando oportunidades para artistas locais.
Em Jeremoabo, infelizmente, essas políticas chegaram tarde, de forma limitada ou travada por falta de vontade política e visão administrativa. O resultado foi previsível: talentos invisibilizados, projetos engavetados e uma juventude artística obrigada a migrar em busca de oportunidades.
É nesse cenário que surge a esperança no atual gestor, Tista de Deda, que iniciou um novo olhar sobre a cultura local. Pela primeira vez em muitos anos, a gestão municipal começa a reconhecer, incentivar e prestigiar os artistas da terra, compreendendo que investir em cultura é investir em identidade, autoestima, geração de renda e desenvolvimento humano.
Valorizar artistas como Thayse Carvalho não é favor, é dever do poder público. É reconhecer que a fé, a música e a cultura também constroem cidadania. É entender que Jeremoabo só será verdadeiramente forte quando seus talentos não precisarem partir para serem reconhecidos.
Que este novo tempo se consolide. Que as leis de incentivo sejam finalmente usadas em favor do povo. E que a cultura jeremoabense deixe de ser resistência solitária para se tornar política pública permanente, plural e inclusiva. Jeremoabo merece, seus artistas merecem, e o futuro agradece.
