Em Jeremoabo, a Verdade Precisa Prevalecer Sobre o Discurso Fácil
Em tempos de redes sociais, gritar é mais fácil do que explicar. Acusar é mais rápido do que compreender. Mas governar — especialmente um município como Jeremoabo — exige responsabilidade, memória histórica e respeito à lei.
O Supremo Tribunal Federal foi claro e definitivo: não existe servidor efetivo sem concurso público. A Constituição é cristalina, e qualquer tentativa de driblar essa regra é inconstitucional. Contratos feitos à margem do concurso são nulos e não geram estabilidade nem privilégios. Isso não é opinião política, é jurisprudência consolidada da mais alta Corte do país.
O problema não nasceu agora — vem de décadas
É preciso dizer o óbvio que muitos fingem não enxergar: a contratação de servidores sem concurso público virou prática comum na administração pública brasileira ao longo de décadas. Em Jeremoabo, como em inúmeros municípios do interior, essa distorção foi se acumulando gestão após gestão, criando uma bomba-relógio administrativa.
Portanto, tentar jogar essa conta exclusivamente no colo do atual prefeito Tista de Deda é, no mínimo, desonesto. Ele não criou o problema. Ele herdou. E corrigir erros antigos nunca é tarefa simples, nem popular.
Romper com práticas ilegais enraizadas exige coragem política — não oportunismo eleitoral. Exige dizer “não” ao que sempre foi feito errado, mesmo sob pressão.
Transporte escolar: não existe “canetada” nem decisão a toque de caixa
Outro tema explorado de forma irresponsável por alguns é o contrato do transporte escolar. É importante deixar claro para a população: a empresa contratada é a única responsável pelo pagamento de salários e direitos dos motoristas. Se atrasa, comete falta grave.
A prefeitura, por sua vez, tem o dever de fiscalizar, sim. Mas isso não significa que o prefeito possa simplesmente rasgar um contrato de um dia para o outro para agradar discursos inflamados.
A lei é objetiva: a rescisão de um contrato administrativo só pode ocorrer após atraso superior a 90 dias e mediante processo administrativo formal, com apuração de fatos, direito de defesa e comprovação de dolo ou culpa grave da empresa. Qualquer atitude fora disso é ilegal e pode resultar em condenações judiciais milionárias contra o município.
Não existe administração pública séria baseada em improviso, vingança política ou decisões “a toque de caixa”.
Quem pede ilegalidade hoje, acusa amanhã
A ironia é conhecida: os mesmos que hoje exigem rompimentos imediatos e medidas fora da lei são os primeiros a acusar quando a Justiça cobra a conta. Governar não é ceder à gritaria, é cumprir a lei, mesmo quando ela desagrada.
Jeremoabo já pagou caro demais por gestões irresponsáveis, contratos malfeitos e decisões tomadas no calor da política. Repetir esse modelo não é solução — é retrocesso.
Governar é corrigir erros, não criar novos
O prefeito Tista de Deda tem um desafio enorme: consertar uma máquina pública viciada por décadas, sem recursos sobrando, com contratos herdados e uma realidade fiscal dura. Fazer isso exige prudência, técnica e firmeza — não populismo.
A verdadeira mudança não vem de discursos fáceis, mas de decisões difíceis tomadas dentro da legalidade. Quem defende o município de verdade precisa entender isso.