/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/E/Y/YZlt2URvi7X08F3IoNdg/113050809-data-02-12-2019-editoria-financas-reporter-flavia-furlan-nunes-local-banco-maxima-sao.jpg)
Conteúdo é alvo de preocupação de políticos de Brasília
Malu Gaspar
O Globo
Pivô das investigações de um esquema de fraude que teria chegado a R$ 12 bilhões envolvendo a venda de créditos do Master para o Banco de Brasília, o BRB, o executivo Daniel Vorcaro negou um pedido feito por investigadores durante o depoimento sigiloso que prestou ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada.
Vorcaro foi questionado pela delegada Janaina Palazzo se estaria disposto a informar a senha do seu celular, apreendido no momento em que ele foi preso, em 17 de novembro. O conteúdo do celular de Vorcaro é alvo de grande preocupação nos meios políticos e jurídicos de Brasília. Nele estava armazenado, por exemplo, o contrato do Master com o escritório da mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. que previa um pagamento de cerca de R$ 130 milhões em três anos para o escritório defender os interesses do banco de Vorcaro perante o Banco Central, a Receita Federal e o Congresso Nacional.
SENHA – Na oitiva, marcada por muita tensão entre a PF, o Ministério Público Federal e o juiz auxiliar indicado por Toffoli para conduzir a audiência, a delegada solicitou a senha de acesso do celular. Nada feito. Depois de consultar o advogado Roberto Podval, que o acompanhava, ele negou o pedido. Disse que o celular tinha mensagens de caráter privado, que não teriam relação direta com a apuração sobre fraudes no Master.
Na oitiva, marcada por muita tensão entre a PF, o Ministério Público Federal e o juiz auxiliar indicado por Toffoli para conduzir a audiência, a delegada solicitou a senha de acesso do celular. Nada feito. Depois de consultar o advogado Roberto Podval, que o acompanhava, ele negou o pedido. Disse que o celular tinha mensagens de caráter privado, que não teriam relação direta com a apuração sobre fraudes no Master.
De acordo com investigadores, o fato de Vorcaro não ter fornecido a senha do aparelho não significa que seu conteúdo não possa ser acessado de outra maneira. Mas, ao demonstrar disposição de contribuir com a atuação da perícia e permitindo o acesso ao conteúdo armazenado na nuvem, por exemplo, Vorcaro poderia ganhar alguma boa vontade da PF e do MP ao final das investigações.
AGENDA – Após as quebras dos sigilos fiscal, bancário e telemático do banqueiro, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS recebeu no mês passado um arquivo que mostra os telefones que ele registrou em seu aparelho. O Globo identificou na agenda pelo menos três ministros do Supremo – Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques –, cinco senadores, 20 deputados e um governador.
Mas integrantes da CPI obtiveram a lista com os contatos, sem informações sobre trocas de mensagens ou ligações. O depoimento de Vorcaro foi marcado pelo desconforto na equipe de delegados da PF liderada por Janaina Palazzo e os procuradores da República que participavam da audiência.
O ministro Dias Toffoli mandou entregar aos investigadores um total de 82 perguntas para que fossem feitas a Vorcaro, mas a delegada disse que não poderia fazer perguntas que não tinham sido preparadas por ela. Janaina Palazzo só aceitou submeter a Vorcaro as questões de Toffoli depois que ficou registrado na ata do depoimento que tinham sido apresentadas pelo gabinete do relator, Dias Toffoli.
CONEXÕES – As questões de Toffoli para Vorcaro eram divididas em seis blocos, que tratavam de temas como as conexões políticas de Vorcaro, a venda do Master ao BRB e a reunião do banqueiro com integrantes do Banco Central em 17 de novembro, mesmo dia em que acabou sendo preso por decisão da Justiça Federal de Brasília.
Na parte dos depoimentos dedicada à “dimensão política: articulações e interferências”, Vorcaro foi questionado se conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB. Segundo relatos, a resposta do executivo foi “superficial”.
Vorcaro reconheceu que mantinha relações sociais com diversas autoridades, mas não deu nomes – e ninguém insistiu em obtê-los. Afirmou apenas que se encontrou poucas vezes com o governador do Distrito Federal, mas disse que nunca pediu intervenções a favor de seus interesses.
CAMARADAGEM – Logo após o BRB anunciar a aquisição do Master, em março passado, o governador chegou a celebrar o negócio, dizendo ser um “dia de festa”. Para a Justiça Federal de Brasília, a compra se deu por “pura camaradagem”.
Vorcaro não foi questionado sobre o contrato do Master com a mulher do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, que previa pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos.