segunda-feira, janeiro 12, 2026

Ataque ao Banco Central no caso Master expõe a República viciada


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Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Andreazza
Estadão

O caso Master não existiria – não como o conhecemos – sem aqueles, os políticos, os eleitos, cujas atividades foram decisivas à prosperidade fraudulenta do banco. Não estamos diante apenas de empreendimento criminoso contra o sistema financeiro. Essa conta não fechará sem corrupções, sem coação – sem gestões de quem controla o poder.

Essa conta avança desviada-distraída, com o Banco Central de repente até entre os suspeitos. A desqualificação do BC é estratégia de defesa que se tornou influente. Mas a autoridade financeira não está entre os investigados.

DESONESTIDADE – É da ordem da desonestidade intelectual, observada a trama bilionária que compôs a pirâmide do Master, apregoar que o BC teria se precipitado ao liquidar o banco, porque haveria solução alternativa. Tentou-se a solução de mercado – aquela por meio da qual o BRB absorveria o Master para lhe diluir as falcatruas.

O Banco Central – isto, sim – terá demorado a agir. O BC, mais ou menos atrasado, não é investigado. Investigadas são a fraude no Master e suas jogadas com o BRB.

Esses são os objetos deste caso de polícia. Que não existiria sem as relações que Daniel Vorcaro plantou. Não haveria BRB na parada, para comprar carteiras inexistentes, não fossem os afetos que o banqueiro cultivou.

OBRA E GRAÇA – Paulo Henrique Costa não terá se tornado presidente do BRB por graça do Espírito Santo. O governador do DF, Ibaneis Rocha, não é – não pode passar por – observador externo dessa barbaridade; nem se isenta de responsabilidade porque trocou o comando do banco.

Não é crível que Costa tivesse autonomia para negociar bilhões em papéis do Master.

A isso – a esse apagamento das ordens de comando, a esse deslocamento do eixo responsável – também presta serviços a tentativa de criminalização do BC.

FORA DA MIRA – Desapareceram do noticiário também os rolos previdenciários dos Estados com o Master, sumido da teia o Rioprevidência. Que, contra todos os alertas, botou mais de bilhão de reais dos servidores no castelo de cera, outro que ofertaria ao banco a liquidez que a exposição de sua mentira fazia escoar. Transações que jamais prosperariam somente por vontade de burocrata executivo de fundo.

O burocrata executivo de fundo foi escolhido por alguém. Está sob influência do governador. Cláudio Castro não é – não pode ser – observador externo da atrocidade.

Não poderia não saber, ainda que talvez seja melhor passar por incompetente desinformado sobre o que corre no próprio governo.

TAMBÉM ALCOLUMBRE – O mesmo raciocínio serve ao padrinho – Davi Alcolumbre – do sujeito que autorizou o lançamento de milhões do fundo previdenciário do Estado do Amapá na perdição do Master.

O Master não seria Master – não teria chegado aonde chegou, não teria contrato milionário com esposa de ministro do Supremo – sem as relações políticas (incluídas as consultorias de um Lewandowski) que fundamentam exotismos como os do TCU lirista contra o BC.

E sem as relações que fazem juiz de Corte constitucional perguntar ao fraudador sobre a qualidade do trabalho do órgão que lhe liquidou a fraude.

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