segunda-feira, janeiro 12, 2026

Opinião: Após enxugar gelo para ser candidato à reeleição, Coronel vê chances derreterem publicamente

 

Opinião: Após enxugar gelo para ser candidato à reeleição, Coronel vê chances derreterem publicamente
Foto: Reprodução/ Redes sociais
Para integrar a chapa majoritária de 2026 do governo, o senador Angelo Coronel terá que se contentar com uma suplência e a promessa de que Jaques Wagner ou Rui Costa, se eleitos, sejam convidados para um ministério. Claro que só se Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, o que amplia o número de "ses" para a conta fechar. O vídeo em que enxugava gelo foi um prenúncio do que estava porvir, já que dias depois o senador Otto Alencar veio a público assegurar que o PSD vai manter apoio ao projeto de Jerônimo Rodrigues, independente de Coronel estar ou não nas principais cadeiras da chapa.

Desde que o PT iniciou o discurso de uma "chapa imbatível", com três governadores, era difícil resistir à pressão para que o desejo não se concretizasse. Na perspectiva deles, o recall eleitoral de Wagner e o Rui não apenas garantiria duas vagas no Senado, como também impulsionaria um governador ligeiramente claudicante. Essa lógica permeou as conversas políticas de bastidores ao longo dos últimos meses, com a desculpa que o martelo só seria batido no começo de 2026. Assim, os aliados foram cozinhados em "banho-maria" para fingir que não havia uma decisão tomada.

Coronel tentou de todas as formas. E com todas as forças. Construiu alianças com prefeitos, ampliou as próprias bases, tornou-se peça relevante nas negociações no Senado e até mesmo insinuou que poderia sair com uma candidatura avulsa. Tudo para se manter ativo no jogo eleitoral, investindo boa parte do capital político e da influência adquirida ao longo dos muitos anos de presença na cena local. Ao que parece, foi tudo em vão. Com o ônus de ter ficado na vitrine para críticas de aliados que o aceitaram a contragosto na chapa em 2018.

Apesar da chapa puro-sangue ser considerada imbatível pelos petistas, os adversários até sugerem que seria a melhor agrupamento a ser batido. Para eles, a estratégia é jogar as mazelas da Bahia sob inteira responsabilidade do grupo que completa 20 anos no poder em 2026, com os rostos daqueles que comandaram o processo desde então. É uma aposta arriscada, principalmente em um contexto em que Lula se mantém não somente competitivo mas também como o principal nome na corrida presidencial. A dobradinha do 13, algo decisivo em 2022, por exemplo, tende a manter efeito similar no próximo ano e os adversários reconhecem isso.

Além disso, o argumento que a Bahia enfrenta mazelas por causa do legado maldito de quem antecedeu o petismo perde força argumentativa. E nisso, o próprio Coronel, que nascera em um grupo político diferente, poderia ser beneficiário. Entretanto, entre ser esquecido e ser um suplente com chance de ascensão temporária, a segunda opção parece muito mais segura. Depois de enxugar gelo durante tanto tempo para ser candidato à reeleição, pendurar a toalha enquanto os filhos se mantém relevantes no tabuleiro político não parece ser tão ruim.

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